Articulações regionais de Lula já minam base de Bolsonaro

Prioridade do projeto presidencial de Lula tem mudado discurso de partidos da base do governo nos Estados - Nelson ALMEIDA

Em alguns estados, como o Rio de Janeiro por exemplo, esse movimento vai ficando mais nítido. E há uma bolsa de apostas em curso dando conta de que essa construção pode transbordar para São Paulo. Nos bastidores, parlamentares chamam a atenção para a tentativa do PSB de abrir, no Rio, as portas para o deputado federal Marcelo Freixo, cotado para concorrer ao governo daquele Estado, num esforço de tentar agregar o PT, o PCdoB, PSOL, PDT e Rede numa frente ampla de apoio a um projeto presidencial do ex-presidente Lula. Nessa montagem, as arestas foram aparadas entre Freixo e Alessandro Molon, que poderia concorrer ao Senado. O detalhe é que se aguarda que o PSD, presidido nacionalmente, por Gilberto Kassab, passe a integrar esse conjunto. Nessa conta, se faz um paralelo com São Paulo, onde os ex-governadores Márcio França e Geraldo Alckmin, além do próprio Kassab, teriam objetivo comum de eliminar João Doria do páreo presidencial. No PSD, o que se observa é que, com o PT, há diálogo e não há hostilidade. A ausência de expectativa de que o PSD siga numa aliança com o presidente Jair Bolsonaro em 2022 já se consolida em sinalizações feitas, por exemplo, pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria. No último dia 13, ele informou ter conversas avançadas para migrar para o PP em busca de garantia de votar em Bolsonaro. Fez o aceno após o próprio Kassab afirmar, em entrevista ao Valor Econômico, que acha "muito difícil" que o presidente Bolsonaro consiga reverter sua imagem para chegar ao 2º turno em função do "legado muito ruim" da pandemia. Kassab realçara, na esteira, que o PSD é "independente". O próprio Fábio Faria colocou que o partido pode ter candidatura própria na corrida presidencial. A tese valeria para um 1º turno, dizem fontes que acompanham as movimentações, mas as construções regionais já sinalizam para a possibilidade de avanço na esfera nacional. No campo das esquerdas, se observa é que a prioridade de eleger Lula, por meio de uma frente ampla, tem mudado o discurso de partidos da base do Governo Federal nas negociações. E em função de priorizar a corrida presidencial, o PT vai tirando o pé nos estados em troca de apoio.

Entre PSB e PSD
Vice-presidente nacional do PSB, Paulo Câmara tem conversado com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, por telefone. Integrantes das duas siglas anotam como a aproximação entre elas se dá na esteira também da reconstrução do PT com o PSB e lembram da "ligação forte" de Kassab com Eduardo Campos, que participou da construção do PSD como parte do xadrez que montou para concorrer à Presidência da República.

Impasse >  Com a filiação do senador Fabiano Contarato ao PT no radar, nas hostes socialistas, o sinal amarelo foi aceso. "É complicado", diz uma fonte graduada do PSB à coluna, realçando que o Espírito Santo, governado por Renato Casagrande, é prioridade para o PSB. Petistas apostam numa candidatura de Contarato ao Governo daquele Estado.

Independente >  Em meio a rumores de que o partido poderia caminhar para uma chapa com o PT em Pernambuco, caso o PSB não ceda uma vaga do Senado, no PP, parlamentares dizem que a prioridade na legenda, hoje, é a montagem das chapas proporcionais, visando à eleição de cinco deputados federais e 15 deputados estaduais.

Rádio Folha >  O ex-presidente Lula é o entrevistado de hoje do programa Folha Política, na Rádio Folha FM 96,7. O lider-mor do PT conversa, às 11h, com esta colunista, com o âncora Jota Batista e com jornalistas do interior do Estado.

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