Artilharia do PSB contra PT faz Humberto reagir: "Desespero"

Estratégia anti-PT leva Haddad e Humberto Costa a reagirem - Divulgação

O primeiro debate do 2º turno estava no ar, quando o telefone da deputada federal Marília Arraes tocou. Era Fernando Haddad do outro lado da linha. A petista avisou que não poderia falar naquele momento. Retornou assim que possível e uma das coisas que Haddad tinha para levar à pauta era a abordagem que a campanha do prefeiturável João Campos tem dado ao PT. Haddad, então na condição de presidenciável, lembrou que veio a Pernambuco gravar vídeo ao lado de Paulo Câmara, em 2018, e que leu carta do ex-presidente Lula em apoio ao socialista. Na carta, Lula, que encontrava-se preso em Curitiba, recordava a importância da parceria PT/PSB para o desenvolvimento de Pernambuco. Haddad estranhou, agora, que socialistas ataquem o PT nacional.

O movimento também levou o senador Humberto Costa, integrante da ala do PT que defendia manutenção de uma aliança com o PSB no Recife, a reagir. À coluna, o senador tachou a estratégia do PSB de "profundamente equivocada" e "sem efeito". Humberto observa: "Acho que a cidade está esperando um debate de propostas administrativas". E argumenta: "Esse nível de colocação do antipetismo é coisa que vai se voltar contra o PSB". Humberto sublinha: "Primeiro, porque o PSB fez parte dos governos do PT em nível nacional, na Prefeitura do Recife...". Na análise dele, isso "reflete um tipo de desespero político que não deve existir". Ontem, ainda pela manhã, em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, Marília, disse que falou com o senador apenas no dia da eleição e, sobre nota emitida por ele em relação aos lambe lambes nos muros da cidade, assinalou: "Ele tem que ser solidário. Isso é agressão a todos, não somente ao PT". A petista, então, repisou algo que já havia dito no debate da Rádio Jornal: "Não vale tudo pelo poder, não". Na noite de ontem, em debate, promovido pela TV Clube, João Campos intensificou o discurso anti-PT. Voltou a 1985 para relatar que o partido foi à frente do Palácio das Princesas "chamar Arraes de caduco, Pinochet de Pernambuco". Afirmou ainda que não era possível contar em duas mãos o número de presos do PT. Qual o limite dessa tática anti-PT? Essa é uma interrogação que ronda os próprios socialistas. "É preciso calibrar isso em função da história recente", observa um correligionário de João. E traduz: "Votamos em Haddad". Em outras palavras, a depender da dosagem, isso pode acabar vitimizando a adversária. 

No túnel do tempo
O senador Humberto Costa recorda: "Quem não lembra que Milton Coelho foi vice de João da Costa? Tivemos o PSB em três administrações que o PT teve. O PSB teve várias participações nos governos do PT. Inclusive, o próprio ex-governador Eduardo Campos foi ministro da Ciência e Tecnologia, e Pernambuco foi altamente beneficiado por essa parceria, que incluiu Lula, Dilma e Eduardo Campos". E adverte: "Ao invés de discutir coisas relevantes, abrimos um debate que é profundamente equivocado".

Trincheira > Humberto se refere ao candidato do PSB como "uma pessoa jovem que tem grande futuro pela frente". Alerta: "Se a campanha toma esse desenho, pode ficar uma mácula ruim. E avisa: "E qualquer coisa que seja dita, que venha atacar o PT, injustiçar o PT, todos nós vamos para cima".

Ciro e João > Como a coluna publicou ontem com exclusividade, o presidenciável Ciro Gomes chega ao Recife neste domingo (22). A agenda inclui carreta pela manhã, almoço na casa de Isabella de Roldão, gravaçãopara TV, eventos com militância. 

Águas calmas > O PSDB-PE decidiu se manter neutro no 2º turno do Recife. A decisão demorou a sair porque havia intenção, na legenda, de não gerar "marola" na situação de São Paulo, onde Márcio França, do PSB, acabou declarando neutralidade, o que já é importante para o tucanato, que tem Bruno Covas na disputa e trabalhava para que França não apoiasse Guilherm Boulos.

 

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