"Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?"

Bolsonaro voltou a criticar isolamento social - Foto: Alan Santos / PR

O descaso do Governo Federal no enfrentamento do novo coronavírus já se tornou algo corriqueiro e banal ao longo desse um ano da pandemia no país. O negacionismo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e suas declarações contrárias às medidas de segurança sanitária se superam a cada dia. Ontem, no dia em que o Brasil voltou a registrar recordes de mortes em 24h (1.786) e UTIs operam com 95% da sua capacidade em diversos estados brasileiros, o presidente novamente desdenhou da situação. Em São Simão, sudoeste de Goiás, sem máscara, Bolsonaro tratou o caso como "frescura" ao criticar as medidas restritivas que vêm sendo adotada pelos entes federativos e emendou: "Vocês não ficaram em casa. Não se acovardaram. Temos que enfrentar os nossos problemas. Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?", disparou o presidente.

Sem limites e falta de humanidade, o chefe do Executivo ainda debochou com quem pede a compra de imunizante."Tem idiota que a gente vê nas redes sociais, na imprensa, [dizendo] 'vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe. Não tem [vacina] para vender no mundo".  Essas declarações polêmicas do gestor se somam a tantas outras somente na pandemia. Vale ressaltar que sobre a compra das vacinas, o Governo Federal chegou a recusar a aquisição de imunizantes da CoronaVac/Butantan por uma birra política com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). E ainda ontem, inclusive, mais uma carta de governadores subscrita por 14 gestores de diversas partes do pais e correntes ideológicas pressionavam Bolsonaro por mais vacinas. 

Num país de desmemoriados, a pergunta que fica é se as atrocidades políticas cometidas pelo presidente e os seus "mimimis" serão lembrados pelos eleitores na hora do voto? Será que com tanto desgaste, o presidente terá capital eleitoral suficiente para se reeleger? Numa matématica simples, vamos lembrar que o Messias se elegeu com o sentimento anti-petista que reuniu no 2º turno diversos partidos no campo da direita. O público ideológico e fiel do presidente - considerado de extrema-direita - não seria suficiente para vencer aquele processo eleitoral.

Paciência e serenidade
Desafeto político do presidente Jair Bolsonaro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu, ontem, após as declarações do Chefe do Executivo Federal. Em sua conta no Twitter, o Democrata condicionou dias melhores ao povo brasileiro à derrocada de Bolsonaro. "A gente volta a sorrir quando você sair. Até lá, paciência e serenidade", disse o deputado numa postagem que trazia as declarações do Messias. 

FURA-FILA
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou por unanimidade o projeto de Lei que possibilita a aplicação de multas administrativas para quem fraudar a ordem de preferência para a vacinação contra a Covid-19. A proposta é de autoria dos deputados Clodoaldo Magalhães e Gleide Ângelo, ambos do PSB. Texto depende agora de sanção do governador Paulo Câmara (PSB). 

ASSINATURA DIGITAL
A Câmara do Recife começará a utilizar assinaturas eletrônicas em proposições legislativas e documentos administrativos da Casa a partir da próxima semana. A inovação é fruto do termo de cooperação técnica firmado entre o Poder Legislativo e a Empresa Municipal de Informática (Emprel).

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