Daniel acena que apoio, em um 2º turno, de Mendonça não interessa

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O assunto que o candidato à Prefeitura do Recife Mendonça Filho levou ao programa de TV, ontem, em ataque à adversária Patrícia Domingos já não era novo. Mas o fato de ter sido tratado na televisão foi encarado pela campanha da delegada como uma "declaração de guerra". Na campanha do democrata, por sua vez, o tamanho da reação atendeu às expectativas da estratégia traçada, que era ampliar o conhecimento, junto ao eleitorado, dos termos usados por Patrícia, em sua rede social, para se referir ao Recife há alguns anos. Aliados de Mendonça anotaram que Patrícia postou o filme, contendo os prints nos quais ela chama a cidade de Recífilis, entre outras coisas, em sua rede social, e fizeram uma leitura de que isso só ampliou o eco. Nesse cenário de tudo ou nada, o detalhe é que o deputado federal Daniel Coelho, ao reagir, deixou claro, desde já, nas entrelinhas, que um apoio de Mendonça Filho, integrante do mesmo campo, em um eventual 2º turno, não interessa. Ainda que o embate, agora, seja para decidir quem deve ir ao 2º turno, uma política da boa vizinhança vinha sendo mantida, em certa medida, pelos oposicionistas e, tradicionalmente, os candidatos costumam preservar relações de olho nas chances de um 2º turno.

Daniel, ao reagir, no entanto, empurrou Mendonça Filho para um futuro apoio a João Campos. Coordenador da campanha de Patrícia, Daniel disparou: "Nem precisa mais avisar que Mendonça, no segundo turno, apoiará o PSB. De novo! Charbel 0% foi a surpresa. Confesso que não esperava que ele entrasse nesse jogo combinado. Cada vez mais claro que temos duas propostas. Patrícia para mudar e os outros calçam 40". A intenção de Daniel, que também alvejou Alberto Feitosa, foi dizer que há um "jogo combinado" contra Patrícia. Nesse argumento, deixou implícito um recado de que Mendonça não seria bem visto em um palanque da delegada. Fontes que acompanham as movimentações relatam que a rejeição elevada do democrata pesa, além dos arranhões que os dois, antes aliados, carregam desde o processo de definição das candidaturas. O que se diz, nas coxias, é que é um apoio do ex-senador Armando Monteiro Neto seria mais bem-vindo, denotando o grau de esgarçamento nesse campo.

 

­Na época da boa vizinhança
Enquanto o assunto ainda era debatido, um observador atento do campo da Oposição, dando a dimensão da celeuma entre Patrícia Domingos e Mendonça, fazia o seguinte retrospecto: "Nunca houve, nos últimos 20 anos, um candidato de Oposição, em Pernambuco, que usou a televisão para bater em outro. Daniel fez campanha contra Mendonça e não fez comercial contra ele, concorreu com Priscila Krause e não fez contra ela nem vice-versa. Raul Henry disputou com Mendonça e um não bateu no outro".

Rubicão > Nas hostes do Podemos, houve quem criticasse: "Mendonça passou o rubicão. Não se usa TV para bater no mesmo campo". A expressão remete à decisão do general Júlio César, do ano 49 a.C., de afrontar o Senado romano e, com as tropas, cruzar o Rio Rubicão, na Itália, o que era vedado pela lei.

Nem pensar > O candidato Marco Aurélio Medeiros escapou dos ataques de Daniel Coelho. Desde já, avisou que não subiria em palanque de Mendonça. Em eventual 2º turno, Marco Aurélio disse que votaria na delegada. "Eu não voto em Mendonça, porque Mendonça é um desastre. Aí vou ter grande problema (se ele estiver no 2º turno)", declarou durante sabatina na CBN Recife.

Na ilha > O presidente Bolsonaro adiou a visita a Fernando de Noronha, mas os ministros Ricardo Salles e Marcelo Álvaro Antônio desembarcaram, ontem, na ilha, onde cumprem agendas até amanhã.

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