Desarticulação do centro e fator Moro são vistos como risco pela esquerda

Na Oposição, o ex-ministro é visto como o "imprevisível", capaz de se fortalecer rapidamente

Marcelo Camargo / Agência Brasil

A filiação do ex-ministro Sérgio Moro ao Podemos, que o situa cada vez mais próximo do páreo da corrida presidencial de 2022, não estava nos cálculos da concorrência e passou a ser encarada como o "perigoso imprevisível" por muita gente. A esquerda, por exemplo, acendeu o sinal amarelo.

Nesse campo, se faz, agora, a seguinte conta: enfrentar o presidente Jair Bolsonaro já estava no script, mas, diante do ex-juiz, não dá para prever o resultado e é aí que mora o perigo. Na esteira, se atribui esse cenário a uma desarticulação do centro, capaz de, comentam parlamentares em conversas reservadas, levar a um "fortalecimento mais rápido de Moro".

À coluna, um deputado aliado do ex-presidente Lula adverte: "O risco é Moro encorpar e funcionar como polo de gravidade nesse meio. Ele pode ir juntando esse eleitor do meio e forças políticas mesmo". O alerta foi acionado desde a filiação de Sérgio Moro, realizada no último dia 10.

O detalhe é que pesquisa Ipespe, divulgada ontem, a primeira após o lançamento da candidatura de Moro, só reforça a tese dos adversários: enquanto Moro sobe três pontos, Bolsonaro cai três. O levantamento apresenta Lula estável, liderando nos dois cenários, com 42% das intenções de voto.

Em 2º lugar, Bolsonaro figura com 25% e 24%. Em seguida, empatados tecnicamente no 3º lugar, estão Sergio Moro (11%) e Ciro Gomes (9%). Se Lula oscila um ponto positivamente, o PSDB, seja com os governadores João Doria ou Eduardo Leite, não passa de 2% nos dois cenários.

O mesmo ocorre com o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e com Felipe d’Avila.  Até então, Ciro vinha sendo o melhor colocado na terceira via, mas oscilou negativamente dois pontos percentuais.

O movimento apresentado pela amostra parece confirmar o que lideranças da Oposição já vaticinavam nas coxias: Moro pode acabar se estabelecendo como terceira via. "Para Lula, é um risco. Não sendo Bolsonaro, vira imprevisível", adverte, à coluna, um parlamentar aliado do petista que prefere não se identificar.

Roubando a cena
Avaliações mais drásticas nos bastidores dão conta do seguinte: "Essa coisa de Moro acabou com a 3ª via. Ele transformou-se na terceira via e isso não estava nos cálculos de ninguém". A mesma fonte, sob sigilo, à coluna, prossegue: "Perderam completamente a importância, por exemplo, as prévias do PSDB, porque já se sabe que o candidato deles não será mais a 3ª terceira via".

Condição > Nos corredores do Congresso, aliados do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, têm ouvido do dirigente que a senadora Simone Tebet "é candidata de todo jeito se bater 10 pontos" em pesquisas. Caso contrário, a estratégia pode ser repensada. Em sua rede social, ele afirmou que, em dezembro, a legenda a lançará como pré-candidata ao Planalto.

Quilombola > O anúncio de construção de quatro escolas de ensino médio voltadas para o povo quilombola contempla os municípios de Orocó, Mirandiba, Betânia e Bom Conselho. O deputado Isaltino Nascimento tem comemorado a conquista nos corredores da Alepe.

Saúde > Depois de visitar os principais hospitais Estado, o deputado estadual Romero Sales Filho se reuniu, ontem, com o secretário de saúde, André Longo. O parlamentar apresentou um diagnóstico com soluções, sugerindo, por exemplo, a manutenção do Hospital Alfa para realização de cirurgias eletivas e a criação de núcleos de regulação nas principais unidades de saúde, para tornar o atendimento aos pacientes eficiente e digno.

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