Em cenário de CPI x CPI, no ar, cheiro de pizza com limonada

Presidente Jair Bolsonaro pede ampliação de escopo de CPI. Regimento não permite - EVARISTO SA / AFP

No início do dia ontem, líderes da Oposição foram à mesa com o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira. A pauta incluía matérias que são prioridades para os oposicionistas, a exemplo do aumento do valor do auxílio emergencial. A despeito disso, a divulgação realizada pelo senador Jorge Kajuru de áudios relativos à conversa dele com o presidente Jair Bolsonaro não passou batida. Mesmo deputados da Oposição avaliaram como "quebra de decoro" o ato do senador e entenderam que "cabe cassação" do mandato de Kajuru. Foi uma unanimidade entre os parlamentares a ideia de que Bolsonaro fora gravado sem saber. Na última sexta, esse mesmo conjunto de líderes da Oposição assinou carta condenando as ameaças de Bolsonaro ao Judiciário, apontando crime de responsabilidade nos ataques feitos pelo presidente ao ministro Luís Roberto Barroso, que determinou a instalação de CPI para investigar eventual omissão do Governo Federal no enfrentamento da pandemia. O detalhe é que ao defender mudança de amplitude da CPI, o presidente, no fundo, avaliam parlamentares, estaria trabalhando para "melar" a investigação. Em outras palavras, deputados fazem uma conta de que o movimento de botar tudo que é confusão num balaio só dever acabar transformando a comissão em pizza. Mesmo a iniciativa do senador Flávio Bolsonaro de representar contra Kajuru no Conselho de Ética do Senado soa, na Casa, como uma coreografia para ganhar tempo. "As coisas no Conselho de Ética não dão em nada", admite um parlamentar à coluna. A isso, se soma a possibilidade de o STF referendar liminar do ministro Barroso, com a ressalva de que a CPI não precisaria ser instalada de imediato, só após a retomada de sessões presenciais. Ontem, o senador Eduardo Girão conseguiu assinaturas para instalação de uma CPI que investigue governadores e prefeitos, mas Rodrigo Pacheco informou que consultaria a secretaria-Geral da Mesa, porque o regimento veda investigações relativas a Estados. A longo prazo, o risco da CPI é gerar argumento jurídico para um impeachment. Por todo esse conjunto, se sente, no Congresso, cheiro de pizza no ar. Ou, nas palavras de Bolsonaro na conversa com Kajuru, isso pode ser traduzido como: "fazer do limão uma limonada".

Orçamento deve ser sancionado
Vice-líder do governo Bolsonaro, o deputado André Ferreira, à coluna, aposta que o Orçamento 2021 deve ser sancionado ainda esta semana. "Tem que resolver isso", advoga, sem descartar a hipótese de que possa caber ao presidente da Câmara, Arthur Lira, a missão de sancionar a lei, alvo de impasse em função de as despesas obrigatórias terem sido subestimadas em favor de se beneficiar o volume destinado às emendas parlamentares.

Te dá asas - Caberia a Arthur Lira sancionar, caso Bolsonaro viaje para fora do País, como vem sendo aconselhado a fazer, André Ferreira não vê obstáculo para isso. 

Vacina  - Aos 63 anos, o senador Humberto Costa tomou, ontem, no Recife, a primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca. A segunda toma daqui a 90 dias.

Humberto Costa sendo vacinado contra a Covid-19

Reação - Após Humberto Costa ir à mesa com Paulo Câmara, como a coluna registrou com exclusividade, na esteira de uma aproximação nacional, entre PT e PSB, iniciada por Lula, em Pernambuco, petistas da ala ligada à Marília Arraes criticaram. Apontam "erro adesista" e "antecipação às definições partidárias".

Veja também

Defesa civil dos municípios da RMR registram ocorrências por conta das chuvas
Chuvas

Defesa civil dos municípios da RMR registram ocorrências por conta das chuvas

Testes de anticorpos após vacina contra Covid-19 são incapazes de garantir a eficácia do imunizante
Coronavírus

Testes de anticorpos após vacina contra Covid-19 são incapazes de garantir a eficácia do imunizante