Em meio a novos enfrentamentos, gestores já não apostam em comitê

Presidente Jair Bolsonaro repete movimentos de enfrentamento com governadores - EVARISTO SA / AFP

Ainda que aliados do presidente Jair Bolsonaro, incluindo o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, tenham acenado com a possibilidade de abertura de assento para governadores no comitê anti-Covid-19, os gestores estaduais têm anotado a série de gestos, na contramão de uma união nacional, que vêm sendo feitos pelo presidente nos últimos dias. Resultado: se inicialmente, chegaram a apostar em uma inflexão do chefe do Planalto e reivindicaram, inclusive, vaga no colegiado, agora, eles já não botam mais fé nessa hipótese. Prevalece, entre os chefes de Executivos estaduais, a avaliação de que será "difícil" ir à mesa com o presidente batendo de frente com medidas restritivas, enquanto os governadores e o próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, pregam o contrário. Na semana passada, após a primeira reunião do comitê, Bolsonaro criticou medidas de restrição à circulação, divergindo dos presidentes Arthur Lira (Câmara) e Rodrigo Pacheco (Senado) e do próprio Marcelo Queiroga, que defendera isolamento. Bolsonaro pedira que "políticas de lockdown sejam revistas", afirmando que "isso cabe na ponta da linha aos governadores e prefeitos".

No último domingo, o presidente voltou ao enfrentamento com gestores, via provocação ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara, através de vídeo postado em seu Twitter no qual o apresentador Sikêra Júnior cobra "vergonha na cara aos governadores" sobre recursos da União, citando Paulo Câmara e relatando um montante de R$ 42,7 bilhões destinados ao Estado, dos quais R$ 4,8 bilhões teriam sido para o combate à Covid-19. O socialista reagiu, tachando de "lamentáveis" as atitudes do presidente, apontou fake news e sugeriu que ele assumisse "suas verdadeiras atribuições” e fizesse “parte do enfrentamento à pandemia". A decisão de gestores voltou também a ser alvo de questionamento no STF. Desta vez, o mote é a abertura de igrejas. No sábado, o ministro Kássio Nunes Marques liberou cultos religiosos presenciais. Ontem, o ministro Gilmar Mendes manteve proibição de missas e cultos em São Paulo, ratificando decreto estadual. O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu a Fux que o ministro Gilmar Mendes deixe a relatoria da referida ação. Em meio a esse volume de ruídos, o comitê Anti-Covid-19 parece ter perdido o objeto aos olhos de governadores.

Paulo fica, apostam aliados
A movimentação de nomes na Frente Popular que se colocam à disposição para concorrer ao Senado denota, dizem membros da aliança nos bastidores, ser bem improvável que Paulo Câmara deixe o governo para concorrer à Casa Alta ou a outro cargo. Aliados do socialista realçam que "diferente de 2014, não tem como montar uma chapa com governador e senador do PSB". Antes de o presidente do PSD-PE, André de Paula, se colocar no páreo, os nomes de Eduardo da Fonte e Silvio Costa Filho já circularam.

Precificação - Há quem observe, nas coxias do governo, que, embora a vice-governadora Luciana Santos seja de extrema confiança, na hipótese de uma negociação nacional, o PT "pagaria um preço estando o PSB na cadeira de governador” e outro menos alto, caso a conversa seja com o PCdoB. Por isso, dizem, é caro aos socialistas esse espaço nessa construção.

De mala e cuia - O deputado federal Ricardo Teobaldo, que comanda o Podemos, estaria de malas prontas para integrar a Frente Popular, dizem parlamentares que acompanham as movimentações. Teobaldo, como a coluna cantara a pedra, já tem se debruçado sobre uma construção conjunta com o Republicanos, de Silvio Costa Filho, já membro da base do governo.

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