Embaixador vê “governo ilegítimo” de Maduro e diz que Brasil é amigo

O embaixador dos EUA, Todd Chapman, e a cônsul-geral, Jessica Simon, em Recife - Divulgação

Em passagem por Pernambuco, onde inicia um périplo pelo Nordeste, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, avalia que as pessoas que criticam a visita do chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, a Roraima o fazem "por motivos pessoais e define assim: "As visitas bilaterais são parte da relação normal entre países, especialmente entre aliados". No Recife, onde cumpre uma série de agendas e fará apresentação da nova cônsul-geral, Jessica Simon, ao governador Paulo Câmara, Chapman, indagado sobre o episódio da última sexta, em conversa com jornalistas, observa o seguinte: "Eu não me lembro de uma visita do Brasil aos Estados Unidos em que nós tenhamos questionado a autonomia dos Estados Unidos em razão de uma visita". Chapman acrescenta: "Nós somos países amigos e falamos como amigos". Ontem, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou requerimento para que o ministro Ernesto Araújo preste esclarecimentos sobre a visita do secretário de Estado americano ao Brasil.

Na última sexta-feira, o chanceler brasileiro acompanhou Pompeo em visita à Operação Acolhida, que recebe refugiados da Venezuela. A passagem do secretário de Donald Trump gerou reações, mesmo de aliados do presidente Jair Bolsonaro. Houve parlamentar alegando que o governo dos Estados Unidos usou solo brasileiro para ameaçar País vizinho. Presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia viu "afronta". Todd Chapman esteve em Roraima por três dias na semana passada. "Inclusive, durante as três horas e meia nas quais estava presente em solo brasileiro o secretário Pompeo", detalha Chapman, que define a visita como "excelente e produtiva". Ele pontua: "Nós visitamos primeiro a Operação Acolhida para ver o trabalho extraordinário do Brasil, de receber os venezuelanos refugiados de um País que, lamentavelmente, está sofrendo muito, através do governo ilegítimo de Nicolás Maduro". Lembra que a Venezuela já produziu mais de quatro milhões de refugiados e que os EUA anunciaram, nessa visita, mais 30 milhões de dólares para ajudar o Brasil a receber essas pessoas. Na visão de Chapman, "as pessoas que estão criticando estão fazendo por seus motivos pessoais, mas as visitas bilaterais são parte da relação normal entre países, especialmente entre aliados".

 

No Campo das Princesas
O embaixador Todd Chapman vai à mesa, hoje, com o governador Paulo Câmara no Palácio do Campo das Princesas. Os dois já se falaram por videoconferência, mas, pessoalmente, será o primeiro encontro. Chapmann vai apresentar a nova cônsul-geral em Recife, Jessica Simon. Haverá conversa, seguida de almoço às 13h.

Menu > "Jessica vai ser nossa chefe do consulado, liderando nosso esforço em todo o Nordeste", realça Todd Chapman e emenda: "Com o governador, pretendo falar sobre temas econômicos. Já tem muitas empresas e investimentos americanos aqui, mas é sempre interessante incrementar a relação econômica. Vamos falar também sobre Educação, Segurança Pública".

PB e RN > Chapman registra interesse avançar na relação "com Pernambuco e com todo Nordeste". Amanhã, o embaixador segue para Paraíba, onde será recebido pelo governador João Azevedo. Também estará no Rio Grande do Norte, com Fátima Bezerra.

Recíproca > Ao falar de pós-pandemia, proteção de dados, entre outros, Chapmann sublinha: "É importante que a China jogue dentro das regras. É isso que o governo americano está falando. Reciprocidade é bom princípio para relações econômicas. Chegou a hora de a China cumprir com os requisitos internacionais".