Entre o bolso de prefeitos e a chance de o TSE questionar

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia encabeçou articulação - Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

No início da tarde de ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disparou telefonemas para líderes partidários. Queria aferir a posição que as siglas adotariam na votação da PEC 18/20, referente ao adiamento das eleições. Esse movimento de contar os votos acendeu o sinal amarelo em parlamentares. Mas, no início da noite, a proposta acabou aprovada, em 1º turno, por um placar de 402 x 90. Originalmente, os dois turnos eleitorais estavam previstos para os dias 4 e 25 de outubro. Para aprovar a mudança de data, eram necessários 308 votos. De Pernambuco, votaram contra: André Ferreira (PSC), Danilo Cabral (PSB), Fernando Bezerra Coelho Filho (DEM), Fernando Monteiro (PP), Fernando Rodolfo (PL), Pastor Eurico (Patriota), Ricardo Teobaldo (PODE) e Sebastião Oliveira (PL). Desse conjunto, André Ferreira e Fernando Filho têm irmãos à frente de prefeituras: Anderson Ferreira (Jaboatão) e Miguel Coelho (Petrolina), respectivamente.

Embora a posição oficial da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) e da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) fosse no sentido de suspender o processo até que houvesse segurança sanitária, nos bastidores, os gestores demonstraram a deputados preocupação com a contas. Manter o pleito em outubro possibilitaria, segundo comentários que ecoavam nas coxias, reduzir o quadro de pessoal após o pleito de forma a fechar as contas com menor risco. Candidatos com mandato também apostam em mais chances de reeleição com menos tempo de campanha. De outro lado, os deputados acompanharam um movimento do TSE no sentido de convencer presidentes de partidos e parlamentares da necessidade de o pleito ser realizado em novembro. Caso o Congresso não aprovasse a mudança de data, segundo deputados, poderia vir a ser questionado pelo TSE com base na lógica sanitária. Em meio à articulação, mesmo partidos do Centrão, que ofereciam maior resistência, acabaram convencidos. Sendo assim, em função da pandemia, a eleição acabou transferida para 15 e 29 de novembro, considerando os 1º e 2º turnos. 

Governador a favor
Governador de Pernambuco, Paulo Câmara, à coluna, sobre a alteração das datas do pleito, argumenta o seguinte: "Se as autoridades sanitárias entendem que adiar as eleições é importante para salvar vidas, com a possibilidade de um processo menor de contágio, somos favorável".

2º turno > O placar de votação no 2º turno foi de 407 a 70. Na ocasião, o deputado Ricardo Teobaldo, da bancada pernambucana, votou "sim", embora tivesse votado "não" no 1º turno. A mudança se deu porque o partido fechou questão no 2º turno.

Cá para nós > Na ala do PT contrária a uma candidatura própria à Prefeitura do Recife, já se admite que Marília Arraes será candidata, mas se faz uma ressalva: "Ela é candidata dela mesma". Leia-se: parte do partido, aliada ao PSB, não adere à campanha.

Interino > Nos bastidores governistas, a volta de Rodrigo Novaes ao comando da Empetur é dada como certa. Aliados realçam que o conselho da entidade aprovou o nome de Antônio Neves Baptista para responder de forma interina pela empresa.

Aposta > Presidido em Pernambuco pelo deputado Silvio Costa Filho, o Republicanos amplia o volume de candidatos ao pleito deste ano, mirando as principais cidades. Em Surubim, o dirigente realça que o ex-prefeito Dr. Flávio Nóbrega lidera pesquisas internas.