Esquerda aposta na federação, mirando núcleo que governaria com Lula

Bancadas se reúnem na semana que vem. Tese é juntar PSOL, PCdoB, PT e PSB

JULIEN DE ROSA / AFP

Há expectativa de que as bancadas do PSB e do PT se reúnam na próxima semana, de forma separada, para debater um tema comum: a federação. O assunto, que nasceu, dizem os próprios parlamentares envolvidos na discussão, como uma "tábua de salvação" para o PCdoB vem ganhando fôlego nas coxias com base no seguinte argumento: os partidos da esquerda acreditam que, unindo-se desde a eleição, podem formatar, a partir dessa frente, o núcleo político que governaria com o ex-presidente Lula, caso ele seja eleito presidente da República em 2022.

Esse é o componente político estratégico que vem impulsionando o debate. Tal raciocínio tem evoluído, nos bastidores, tendo como base uma federação que una PT, PCdoB, PSB e PSOL. Em outras palavras, a ideia é que essas siglas configurem o núcleo da campanha, que serviria de referência para a base de sustentação do governo.

Em paralelo a essa variável política, pesa uma outra: a eleitoral. Essa última diz respeito a um sentimento predominante, hoje, nesses partidos de que, no mapa proporcional, analisado caso a caso, se constata que a melhor condição para preservar ou ampliar bancadas, através da disputa eleitoral, seria via federação.

Essa simpatia crescente pró-federação tem se dado considerando a proximidade, cada vez maior, de uma aliança desses quatro partidos em torno de Lula. E foi essa linha de raciocínio que deflagrou a costura, em curso, em torno da federação reunindo essas quatro siglas.


Para não repetir erro
Parlamentares favoráveis a uma federação com PT, PCdoB, PSOL e PSB admitem, em conversas reservadas, que uma das críticas que se fez à gestão Lula foi ao fato de ele ter se descolado desse núcleo e ter migrado a sustentação política de seu governo para o centrão. "Isso se aprofundou no governo Dilma. Houve um descolamento do núcleo mais duro, que tem identidade política", recorda um parlamentar das Oposições, que prefere não se identificar.

À mesa > Como a coluna cantara a pedra, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, reuniu a Executiva nacional, na última segunda-feira, para uma apresentação da proposta da federação. Não se discutiu exatamente com quem federar, mas se falou das implicações.

Ausculta > Ficou acertado, entre petistas, de se fazer uma reunião com a bancada de deputados, senadores e o diretório nacional para discutir as chances de o partido federar. 

Os poréns > O PT possui seis senadores, que devem se reunir na semana que vem para tratar da federação. A maior complicação na articulação estaria residindo no partido. Pesam as questões regionais e o fato de o mecanismo prever verticalização e um período mínimo de vigência de quatro anos.

Variável  > Geraldo Alckmin anda de malas prontas para sair do PSDB, mas ainda mira três alternativas: PSB, PSD, União Brasil. No PT e no PSB, onde lideranças apostam numa indicação dele para formar chapa com Lula, as apostas de que ele deixa o ninho tucano se elevaram, levando em conta o que eles chamam de "lambança" nas prévias dos tucanos.

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