João Campos, o discurso de esperança e a experiência de gestão contra a força da máquina
Pré-candidato ao governo de Pernambuco critica lentidão do Executivo e se apresenta como alternativa
A passos firmes, o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Palácio das Princesas, João Campos (PSB), transformou sua passagem pela Folha de Pernambuco e pela Rádio Folha, ontem, em um bombardeio de críticas contra a principal oponente, a governadora Raquel Lyra (PSD).
O fôlego político de quem enfrenta o aparato do estado costuma ser frágil, mas ele aposta no discurso da esperança, no DNA do pai, Eduardo Campos, e do bisavô Miguel Arraes, chancelado por cinco anos e três meses à frente da Prefeitura do Recife.
João Campos desdenha do rolo compressor governamental que avança pelo interior firmando convênios, fazendo entregas e liberando ordens de serviço. Para ele, a gestão padece de lentidão crônica e o ritmo das entregas configura “uma marca que deveria dar muita vergonha”.
Aponta que nenhuma escola técnica foi construída; nenhuma UPA inaugurada e três hospitais fechados, com perda de 440 leitos. No compasso, ironizou, cumprir a meta de 250 creches levaria “um quarto de milênio”.
Quem observa as movimentações, segundo João Campos, enxerga um cronograma invertido: agendas típicas de um governo nos seis primeiros meses ou no primeiro ano, quando o mandato se aproxima do fim. “As pessoas percebem a falta de velocidade e a escassez de entregas”, disparou.
Para ele, o Palácio se esconde em justificativas burocráticas e adverte que Pernambuco cansou de tapumes e placas. Se a governadora alega dificuldades para gerir, o adversário se oferece como alternativa de eficácia.
Crime organizado
O pré-candidato João Campos diz que a presença do crime organizado em Pernambuco é uma realidade. Reagiu ao ser informado que a Secretaria de Defesa Social nega a instalação desses grupos no estado: “Você não pode ser um governo que fica negando coisas, problemas que são reais e que precisam ser enfrentados para poder buscar uma solução. Meu papel aqui é não ter medo.”
Time escalado
Com a chapa já definida, João Campos afirma que o grupo tem coerência política e representatividade e não está preocupado com o time a ser escalado pela governadora Raquel Lyra. “Estamos seguros, certos da decisão tomada e do caminho que vamos trilhar.”
Rede de ódio
Sobre críticas da oposição em episódios durante suas andanças pelo estado, João Campos constata existir uma rede de ódio sendo operada politicamente. “Eles têm gastado energia para me atacar, utilizando mentiras e desinformações... Isso não faz bem”. O pré-candidato garantiu que não vai policiar as atitudes. “Não vou deixar de ser quem sou.”
Primeiro turno
João Campos evitou falar em disputa resolvida no primeiro turno. Acredita na vitória de um palanque democrático e na soberania da eleição. “Estou seguro. Sinto que as pessoas já estão cheias de promessas e discursos e querem ver o resultado chegando.”
Plano de governo
O pré-candidato pretende traçar um plano de governo que não pense apenas nas urgências, mas que prospecte Pernambuco para os próximo 50 anos. A construção já começou e, assegura, está em ritmo avançado.
Homenagem da tribuna
Profissionais da Secretaria da Fazenda do estado declararam apoio a João Campos. Reservaram uma tribuna, em forma de caixote, de onde ele conversou com o grupo, como o pai, Eduardo Campos, fazia.



