Líderes vão à mesa com Maia. Carta ao STF tem assinatura de 12 siglas

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O jantar na casa do presidente de Câmara Federal, Rodrigo Maia, já estava marcado há 15 dias. Na lista de convidados, só os líderes da Oposição. Esse bloco nunca esteve longe do democrata. Ao contrário, uma ala aposta, exatamente, na força dele como forma de manter esse conjunto oposicionista e da Minoria com voz ativa. A eles, Maia vem dizendo que não pretende disputar a reeleição para presidência da Câmara e há, entre os interlocutores, quem defenda que ele possa concorrer. Mas há também quem avalie que ele já cumpriu seu papel. De alguma forma, uma parcela entende que a agenda de Maia esbarra na lógica das esquerdas. Em outras palavras, a pauta econômica dele coincide com a agenda do mercado, “que não combina com o que a esquerda quer", dizem algumas fontes desse campo. Em conversas reservadas, o que se coloca é que as brigas de Maia, por exemplo com o ministro Paulo Guedes "são para inglês ver". Nesse cenário, ainda que a relação de Maia com esse campo da Oposição seja boa, alguns integrantes dessa ala dizem que é preciso ficar "com um olho no padre e outro na missa".

Ontem, no mesmo dia em que Maia fez o gesto de receber líderes da esquerda em sua residência para retomar os debates sobre a pauta do legislativo, 12 partidos assinaram uma carta ao Supremo Tribunal Federal (STF) na qual externam preocupação quanto ao julgamento de ação, pelo plenário virtual daquela corte, que questiona a possibilidade de reeleição para presidências da Câmara Federal e do Senado. A referida sessão está marcada para a próxima sexta-feira e a ação foi movida pelo PTB, comandado por Roberto Jefferson, aliado do presidente Jair Bolsonaro. A carta é assinada por: PSB, Rede, PP, PL, PSC, PSD, Avante, Patriota, Solidariedade, Cidadania, PSOL e PT. O texto, entre outras coisas, diz: “O sistema democrático brasileiro não comporta a ditadura ou o coronelismo parlamentar”. Desses partidos, líderes do PT, PSOL, PSB e Rede estavam entre os selecionados para irem à mesa com Maia, ontem, além de líderes do PCdoB e PDT. Presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto também esteve presente. A pauta prevista para o encontro ia de CMO, marcada por impasse que impede sua instalação e tem vínculo com a eleição de Mesa, passando por Orçamento e pauta da semana. Rodrigo pode até conseguir estender seu tempo na presidência da Casa, mas, pelo número de partidos que assinaram a carta, o ambiente político para 2021 já não seria tão confortável.

Liga de dominó
O deputado federal Danilo Cabral argumenta que o STF " é guardião da Constituição Federal". E sublinha: "As vedações para reeleição da Mesa são claras nela. Não podemos admitir que casuísmos não republicanos transformem a escolha dos presidentes da Câmara e do Senado em eleição de dirigente de liga de dominó“.

Saudável > Presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira diz o seguinte sobre reeleição para presidência da Mesa: "A alternância do poder, o revezamento nos cargos e o respeito constitucional ao prazo dos mandatos são saudáveis para a democracia do Parlamento". 

Eleitos e reeleitos > O Encontro de Novos Gestores que vai reunir prefeitos eleitos e reeleitos do Estado já tem data oficial. Será nos próximos dias 14 e 15, no Hotel Canariu's em Gravatá. Promovido pela Amupe, o evento terá a participação do governador Paulo Câmara e do prefeito eleito do Recife, João Campos. O Governo do Estado dá apoio através da Secretaria de Planejamento.

Congresso > Tem reunião do Diretório Nacional do PSB no próximo dia 11. Entre outros temas da pauta: a avaliação das Eleições Municipais e Perspectivas do PSB e o XV Congresso  do partido.

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