Marília vista como um "doce paradoxo" por socialistas

Marília Arraes vai concorrer à PCR. Apesar disso, cargos do PT estão mantidos - PAULLO ALLMEIDA/ Arquivo Folha

No Palácio das Princesas, não há previsão de dança das cadeiras que resulte em subtração de cargos do PT. Isso não está no radar, ainda que o partido venha centrando esforços numa candidatura própria, da deputada federal Marília Arraes, à Prefeitura do Recife, movimento que esbarra no projeto majoritário do PSB para Capital. Secretários apostam que, "apesar de Marília", só deve haver mudanças em cargos no Governo Paulo Câmara em 2021, porque, segundo auxiliares fazem a conta, um dia após o pleito deste ano, "já será 2022". Essa "vista grossa", no entanto, é vista com ressalvas por alguns socialistas que enxergam em Marília o "grande trunfo" dos petistas para conseguir espaços na gestão estadual. Para essas mesmas fontes, ela representa o "cacife" da ala petista que defende a manutenção da aliança com o PSB. Em outras palavras, um socialista atento diz que os defensores da permanência na Frente Popular "tanto combatem, como se aproveitam" da variável Marília. E é essa jogada que esse socialista define como "um doce paradoxo". Outro aliado do governador adverte para eventual manipulação da candidatura de Marília pelos próprios correligionários. "Não sei até que ponto isso não é manipulado pelos próprios governistas (petistas). A ameaça Marília é que dá força a eles", adverte. E prossegue, argumentando que, se Marília saísse do PT, essa ala que preza pela aliança com o PSB perderia força. Ainda nessa mesma linha, critica o fato de o PT contagiar o PSB com uma "briga estéril e sectária" do bolsonarismo versus petismo. Refere-se, na esteira, à possibilidade de o PSB abrir mão de candidatura própria em Petrolina em função da necessidade de reforçar o palanque no Recife. Hoje, o PT ocupa espaços nas gestões Paulo Câmara e Geraldo Julio com representantes da ala contrária à candidatura de Marília. "Muito do que eles conseguem de espaço vem por chantagem velada em torno do nome de Marília", reclama o socialista em reserva.


O contrário do contrário
"Quem determina muitas das questões de Governo em Pernambuco é Marília Arraes", ironiza um socialista em reserva, mencionando a iminente decisão sobre a corrida eleitoral em Petrolina, onde o PSB pode prescindir do projeto Lucas Ramos. 

Déjà vu > Ao tratar da manutenção de cargos do PT, secretários defendem que não é estratégico "dar mais palanque" à petista. E lembram ainda que essa divisão não é novidade. "Já aconteceu com o próprio PDT", compara um auxiliar do governador.

Maia e Paulo > Em café da manhã no Palácio das Princesas, ontem, Rodrigo Maia, informou a Paulo Câmara que vai votar a prorrogação do Fundeb este mês. Originalmente, o acordo previa que a contribuição da União sairia de 10% para 15% em 2021 e subiria 1% até 2026, de forma a alcançar 20%.

Fundeb... > Com a pandemia, houve um movimento da equipe do governo, alegando perda de receita, que fez a partida passar por uma flexibilização de 15% para 12,5% no primeiro ano.

...com Guedes > O deputado Danilo Cabral, vice-presidente da comissão que trata do tema, realça que a negociação do Fundeb vem se dando com área econômica e não com a Educação. Ele informa que, exatamente para compensar a perda de 15% para 12,5%, está sendo discutido um Plano Emergencial para Educação, com objetivo de garantir recursos para a volta às aulas.

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