MDB-PE é atrativo, mas há risco de laço com Bolsonaro, dizem deputados

Laço do presidente Jair Bolsonaro com os Coelho acende alerta em parlamentares

No exercício de tentarem se manter em seus partidos e de, ao mesmo tempo, não irem ao suicídio eleitoral, caso a vedação às coligações seja mantida, deputados pernambucanos se debruçam sobre estudos, ainda que silenciosos, sobre como farão para garantirem seus mandatos no ano que vem. Se há expectativa de uma travessia considerável para o PSB, de outro lado, o MDB parece virar o segundo polo de atração. Isso porque há uma candidatura majoritária de Miguel Coelho no radar, o que deve somar para puxar a chapa proporcional. O detalhe é que deputados inclinados a ingressarem no MDB acendem o sinal amarelo para o que eles definem como "risco" de o prefeito de Petrolina vir a encabeçar um palanque do presidente Jair Bolsonaro no Estado, reduto do ex-presidente Lula, que lidera corrida já no 1º turno, segundo pesquisa Datafolha. Em reserva, parlamentares, à coluna, sublinham a relação estreita, hoje, de Fernando Bezerra Coelho, enquanto líder do governo no Senado, com o presidente da República. Uma fonte governista observa que, mesmo o ex-governador Eduardo Campos, quando trabalhou para construir um projeto presidencial, agiu para que o próprio Fernando Bezerra deixasse o Ministério da Integração do governo Dilma Rousseff ainda em outubro de 2013. Ancorados nesse raciocínio, deputados fazem um cálculo de que o MDB pode ser atrativo, mas apresentam desconfiança em relação às chances de os Coelho desfazerem esse laço com o Governo Federal.

A uma das fontes, por exemplo, não passa batido que Miguel recepcionou, ainda no início do mês, o deputado federal Eduardo Bolsonaro em Petrolina. O herdeiro do presidente esteve no Sertão do São Francisco acompanhado do presidente do BNDES, Gustavo Montezano, visando a conhecer os potenciais da fruticultura e do turismo. Há ainda quem reaja às defesas enfáticas do governo feitas pelo próprio FBC. Quem aposta numa candidatura de Miguel, no entanto, assegura que há tempo para a construção e que não necessariamente o prefeito figurará como um palanque de Bolsonaro no Estado. Segundo a última pesquisa Datafolha, o presidente enfrenta alto índice de rejeição no Nordeste, onde 62% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum. É na região onde ele tem seu pior desempenho. Assim, há dois desafios no caminho de Miguel: a construção interna no partido, que hoje integra a Frente Popular, e o laço com o Planalto, que assusta quadros interessados em se filiarem.

Ponto de partida
Parlamentares que fazem projeções sobre a condição do MDB-PE enquanto polo de atração de nomes com mandato para 2022 consideram que o partido trabalha, hoje, com a hipótese de formar uma chapa para eleger, no mínimo, três deputados federais. Seriam eles, dizem fontes em reserva:  Fernando Bezerra Coelho, Fernando Filho e Raul Henry.

Bolsa de Apostas > Na conta de hoje, há uma bolsa de apostas, nas coxias da Câmara Federal, dando conta de que o processo de construção da candidatura majoritária do MDB-PE estaria "muito avançado", de que o PP "pode desidratar até lá" e de que Marília Arraes não integraria uma chapa com o PSB.

Influência > No PSDB, se viu com mais desconfiança o movimento feito pelo ex-ministro Nelson Jobim, de reunir em almoço Lula e Fernando Henrique Cardoso, do que o gesto de FHC de comparecer. Restou mal-estar em relação à conduta de Jobim.

Rumo > O TSE autorizou, ontem, a deputada federal Tabata Amaral a se desfiliar do PDT sob alegação de justa causa. Já não se descarta há algum tempo uma travessia dela para o PSB.

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