Mendonça: "Votei em Jair Bolsonaro. Isso não é nada escondido"

Mendonça Filho - Rafael Furtado

Candidato à Prefeitura do Recife, o ex-ministro Mendonça Filho é contra o caminho de nacionalizar a campanha na Capital, repisa que seu foco é debater a cena local, as obras paradas, a Educação, o que aflige a população no dia a dia. Quando questionado, evita declarar que haja tendência de alinhamento de seu projeto com o Governo Bolsonaro, mas sublinha que não terá dificuldades de recorrer ao Governo Federal e transitar entre os ministérios, caso eleito, para buscar recursos para cidade. "Para governar Recife, tem que ter agenda aberta com o Governo Federal. Não há como ser diferente. Tem que acabar com a briga do PSB e do PT, que tudo faz política no aspecto pequeno, o tempo todo querendo nacionalizar o debate, visando ao interesse menor, e não ao da população", argumenta Mendonça, que concedeu entrevista ao lado de Priscila Krause, candidata a vice na sua chapa, ontem. Faz a fala ao ser indagado sobre a música de Alcymar Monteiro que tocou em sua convenção e que diz: "Mendonça é Bolsonaro. Bolsonaro é Mendonça". Avisa que ela não será jingle, mas que foi uma iniciativa do amigo cantor e que alguns eleitores pediram para usá-la.

Sobre o nome da coligação, batizada de "Recife acima de tudo", Mendonça vincula isso "ao desejo de cuidar da cidade" e a "uma agenda do Recife" e não a uma sintonia com o jargão usado pelo presidente Jair Bolsonaro. Priscila pondera que "o grupo que governou por anos (o País) e colocou o País nessa situação em que se encontra é o mesmo grupo que governa o Recife há 20 anos". Defende que é preciso "colocar o Recife acima de tudo". Mendonça, então, pontua: "Eu votei em Jair Bolsonaro. Isso não é nada escondido. Tenho um eleitor e compositor que fez uma música, não tem nenhum fato surpreendente". E acrescenta: "Vou recepcionar os eleitores do Recife que queiram uma mudança segura e que possa significar um novo caminho para a cidade e para as pessoas". Mendonça já fez uma série de visitas a ministros , acompanhado do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, o que deixa outra porta entreaberta para ampliação dessa identidade.

 

Unha e carne
No PT, novo imbróglio envolvendo Marília Arraes se dá e, agora, a razão está em Limoeiro. A encrenca, desta vez, tem a ver com o presidente do Podemos no Estado, Ricardo Teobaldo. Quem tem acompanhado Marília nos movimentos da pré-campanha diz que ela tem sido mais cotada para aparecer em eventos e fotos de campanha de prefeituráveis da base de Teobaldo do que a própria candidata do Podemos,à Prefeitura da Capital, Patrícia Domingos.

Bem que... > Marília e Teobaldo tem relação próxima, até de amizade, ambos com mandatos Câmara Federal. Resultado: essa simpatia toda do Podemos com a petista acendeu o sinal amarelo no PT em Limoeiro. Motivo: o partido lá apoia a candidatura à reeleição do prefeito João Luís Ferreira Filho, o Joãozinho, do PSB, e enfatizam que Teobaldo e os pré-candidatos com apoio dele são bolsonaristas.

...se quis > Houve moção de repúdio e pedido de expulsão. O partido, no documento, apontou "falta de compromisso" e "desrespeito desprendido pela deputada". Quem defende Marília na cidade e entre os aliados de Teobaldo alfineta: "A essa altura, o PT faria um favor se expulsasse a deputada, mas não vai fazer isso!".

Advocacia > O Colégio de Presidentes da OAB aprovou uma proposição do presidente da OAB-PE, Bruno Baptista, para que seja obrigatória a presença de advogados em todos os tipos de ação judicial. Hoje, em alguns casos, as partes podem entrar com ações sem estarem assistidos por profissionais da advocacia. A OAB deve apresentar proposta de projeto de lei ao Congresso com este objetivo.