Mudança no regimento é custo do voto em Lira, dizem deputados

Presidente da Câmara Federal, Arthur Lira se elegeu com apoio do Palácio do Planalto - Luís Macedo/Câmara dos Deputados

A mudança no regimento foi aprovada essa semana na Câmara Federal sob protestos de partidos de Oposição. Isso porque a alteração reduz os instrumentos que habilitam os oposicionistas a pressionarem o governo ou a base dele a debater determinados temas. O detalhe é que a alteração nas regras do jogo reacendeu, nos bastidores, o debate sobre o racha nas esquerdas que pautou a disputa pela presidência da Câmara Federal. Nos últimos dias, surgiram questionamentos, nas coxias, por exemplo, sobre a ala do PSB que votou em Arthur Lira ou deixou de votar em Baleia Rossi. O que se comenta, entre os próprios parlamentares, é que o apoio a Arthur "já apresenta resultados nefastos". O primeiro deles, realçam, foi a aprovação, na última quinta-feira, da proposta que altera procedimentos para o licenciamento ambiental (Projeto de Lei 3729/04). O texto é uma das prioridades da bancada ruralista. Para a semana que vem, há expectativa de que outra pauta de interesse do governo seja acelerada, a privatização da Eletrobras, cara, por exemplo, ao líder do PSB, Danilo Cabral, que preside a Frente Parlamentar em Defesa da Chesf.

Nas hostes socialistas, houve dissidências na eleição da Mesa, a despeito de o Diretório Nacional ter recomendado, via Resolução nº 001/2020, "fixar com muita clareza a postura oposicionista", orientando que a bancada "reafirme a posição do partido, não examinando a hipótese de apoio à candidatura do deputado Arthur Lira à presidência da Câmara Federal, ou a qualquer candidatura oriunda do pleito do Palácio do Planalto”. Em conversas reservadas, deputados têm sublinhado que pautar a mudança no regimento foi um movimento de Arthur já no sentido de retribuir o apoio recebido do Planato e questionam, agora, a quem interessa as matérias que passam a ter a discussão acelerada, enquanto o governo é bombardeado na CPI. Em tempos de pandemia, além de a Oposição vir conseguindo juntar uma média de resumidos 110 votos, a exemplo do que ocorreu no próprio debate da mudança de regimento, o conjunto anda mais desmobilizado do que esteve no governo Michel Temer, quando se ensaiou aprovar a privatização da Eletrobras. Em razão disso, a bolsa de apostas, agora, dá conta de que só no Senado uma resistência a isso teria mais chance de sair vitoriosa.

 

Lupi vai a Lira
Presidente da Câmara, Arthur Lira recebeu o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o líder da bancada na Câmara, Wolney Queiroz, o senador Weverton Rocha, que tem nome cotado para concorrer ao Governo do Maranhão, além do deputado André Figueiredo na residência oficial. A conversa, proposta por Lira, foi na última quarta-feira. Lira tem repisado que havia 15 líderes subscrevendo essa mudança de regimento.

Relatório >  Com a privatização da Eletrobras no radar, o relator Elmar Nascimento se reúne, hoje, às 11h, com os líderes para tratar da MP, que a Oposição chama de "MP do Apagão".

Raio X >  Com a primeira edição do Ranking de Competitividade dos Municípios concluída, o Centro de Liderança Pública (CLP) vai apresentar um diagnóstico do Recife ao prefeito João Campos na próxima terça em reunião virtual, às 15h. Farão a apresentação: o diretor de Operações do CLP, Tadeu Barros e o coordenador de Competitividade, Lucas Cepeda.

Nordeste >  Recife ocupa a centésima colocação. De modo geral, os municípios do Nordeste ocupam a metade inferior da primeira edição do Ranking. A cidade mais bem colocada da região é João Pessoa (70ª). O levantamento apresenta resultados detalhados de 405 municípios com mais de 80 mil habitantes.

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