No PSB, variável Lula pesa contra reconstrução com os Coelho

Com Lula no páreo e FBC, líder de Bolsonaro, recomposição em Pernambuco fica inviável - Miguel Schincariol / AFP; Geraldo Magela/Agência Senado e Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Nas hostes socialistas, a carta assinada, no 31 de março, pelos presidenciáveis Ciro Gomes, Luiz Henrique Mandetta, João Doria, Eduardo Leite, João Amoedo e Luciano Huck rendeu a seguinte percepção: tirando o pedetista, que se ausentou no 2º turno em 2018, os demais, dizem integrantes do PSB, votaram no presidente Jair Bolsonaro. Essa leitura vem acompanhada da seguinte reflexão: "não nos cabe num palanque desse". Tal projeção nacional tem reflexos na construção local e relação com os rumores de que o grupo dos Coelho poderia trilhar um caminho de volta para Frente Popular. Em conversas reservadas, integrantes do PSB sublinham que o senador Fernando Bezerra Coelho "na condição de líder do governo Bolsonaro, "não cabe numa chapa da Frente Popular". Essa conta no ninho socialista se dá num cenário em que o ex-presidente Lula aparece reposicionado no páreo para 2022.

Em entrevista, na última sexta-feira, à emissora de televisão portuguesa RTP, Lula sinalizou que será candidato ao Planalto. Disse o seguinte: "Se eu estiver com saúde e for necessário cumprir mais uma tarefa, pode ficar certo que eu estarei na briga". Uma polarização entre Lula e Bolsonaro é o que se projeta, hoje, no ninho socialista. E é esse contexto que reforça ser inviável uma recomposição com os Coelho, embora haja quem diga que, em várias cidades, "as bases do PSB e dos Coelho se gostam". Prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, como a coluna registrara em fevereiro, já havia descartado essaa reconstrução. Nos últimos dias, Fernando Filho afirmou que uma aliança com o PSB "não está no nosso mapa do ponto de vista político e eleitoral” e lembrou “da posição que o senador ocupa hoje no governo do presidente Bolsonaro". Nesse cenário, ainda que houvesse intenção dos dois lados de reaproximação, a variável Lula e a condição de FBC de líder do governo andam tornando essa tese uma inequação.

Folha, 23 anos
Um viva, neste sábado (03), para os 23 anos da Folha de Pernambuco, às mais de duas décadas de memórias e fatos gravados, seja impresso, seja no digital, em páginas que realçam a resistência num ambiente cada vez mais desafiador para o Jornalismo. Jornalismo que se reinventa, amplia repertórios, fortalece a democracia, as instituições e no qual o presidente do Grupo EQM, Eduardo de Queiroz Monteiro, segue apostando. Que a nova idade traga novas histórias e boas notícias!

Alinhados > O Republicanos, presidido por Silvio Costa Filho, e o Podemos, comandado por Ricardo Teobaldo, estão cada vez mais alinhados. Há reuniões periódicas sendo realizadas e os planos para o pós-pandemia são de estreitar ainda mais a relação. Juntas, as siglas somam mais de 20 prefeitos no Estado. Nos bastidores, circula que as duas legendas devem estar unidas em 2022.

Do mesmo > Em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM, o deputado Romário Dias avaliou: “Para a eleição de 2022, não acredito que terá nenhuma grande surpresa. Vai ser quase a mesma coisa. O cara pensa que está cozinhando um cozido e sai uma bacalhoada”.

Sequelas > Não passou batido no Governo do Estado o movimento feito pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Julio, de adiantar ao deputado Felipe Carreras que as academias de ginástica retomariam suas atividades no dia primeiro, sem que o Palácio das Princesas houvesse formalizado a informação. O mal-estar tem a ver com a condução dada pelo ex-prefeito. "Ele estava na coletiva?", indaga um integrante do governo à coluna. E sugere o desconforto: "Notícia boa todo mundo quer dar".

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