O adeus a Do Carmo Monteiro, o "ás" de Armandinho e de Agamenon

Maria do Carmo Magalhães de Queiroz Monteiro faleceu aos 94 anos - Nathália Bormann/Arquivo Folha

"Não sei quem, no Brasil, assistiu à posse do pai como ministro, do marido como ministro e do filho como ministro. Não sei quem, na história política do Brasil ,empossou três ministros". A observação é feita, à coluna, pelo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio Monteiro, em referência à tia, Maria do Carmo Magalhães de Queiroz Monteiro, mais conhecida como dona Do Carmo, que faleceu na madrugada de ontem, aos 94 anos. Dona do Carmo assistiu às posses do ex-governador Agamenon Magalhães (ex-ministro do Trabalho e da Justiça), de quem era filha, do ex-ministro Armando Monteiro Filho (Agricultura), com quem foi casada, e do filho, o ex-ministro Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento Indústria e Comércio).

Dos filhos de Agamenon, ela, talvez, tenha sido a que mais herdou o gosto pela política, ainda que tenha exercido esse apreço através da presença decisiva e determinante na vida do marido, de quem era conselheira, assim como também o era da família toda. De Armando Filho, ela se despediu em janeiro de 2018, quando ele faleceu aos 92 anos. "Tio Armandinho ouvia muito ela, ela tinha uma cabeça, uma memória!", recorda o sobrinho, Domingos Azevedo, e compara: "Ela era feito o Google de tio Armandinho, ela via, registrava, dava nome, lúcida, morreu lúcida, participando não só na área política, mas da vida empresarial da família. Tio Armandinho, quando morreu, ela assumiu o posto". Em dezembro de 2018, dona Do Carmo era uma das presenças a ilustrar a primeira fila de convidados da solenidade de posse do sobrinho, José Múcio, como presidente do TCU, no Edifício Sede da Corte, em Brasília. Representava, ali, o ex-ministro Armando Monteiro Filho, mas também o que ela significava para a família. "Ela era muito presente. Não gostava de ser dependente de ninguém. Hoje (ontem), reassumiu a função de que mais gostava na vida: cuidar dele (de Armando Monteiro Filho)", sublinha José Múcio. Um dos herdeiros de dona Do Carmo e presidente do grupo EQM, Eduardo de Queiroz Monteiro, a define em poucas e precisas palavras, realçando um traço da personalidade da mãe, que a acompanhou ao longo da vida: "Era como rapadura: doce e dura. Era altiva diante dos fortes e generosa diante dos que mais precisavam". Casada por mais de 60 anos com Armando Monteiro Filho, dona Do Carmo não disputou eleição, mas exerceu com elegância e discrição tarefas das mais elementares da política: dar importância a todas as pessoas e crescer na adversidade. "Ela era muito pequenina, mas gigante nessas horas", arremata, emocionado, Eduardo de Queiroz Monteiro.

 

Temperamento do ex-governador
Agamenon Magalhães não teve um sucessor e quem acompanha de perto a família assegura que Maria do Carmo Magalhães de Queiroz Monteiro era quem mais se parecia com ele no sentido de sentar à mesa e dizer o que pensa. Domingos Azevedo reforça a tese: "Ela tinha o temperamento do pai, muito alegre, de família, deixa um legado, uma história e conhecimento no ramo da política".

Alicerce > O vereador Jayme Asfora avalia que Dona do Carmo Monteiro "fica para a história política de Pernambuco por sua vida sempre marcada pela sua força pessoal, liderança na família e companheirismo". Jayme a define como "um grande alicerce na trajetória política do seu marido Armando Monteiro Filho".

Pé atrás> Dos sete delegados do diretório municipal do PSOL, quatro votaram a favor da aliança com Marília Arraes na corrida pela Prefeitura do Recife. Mas o ex-deputado Paulo Rubem Santiago ainda trabalha para sensibilizar o partido em favor da candidatura própria.  Há, na sigla, quem aposte que o PSOL pode ainda precisar vir a ser a alternativa desse campo, caso o PT volte atrás.