Paulo Câmara retoma pauta da reforma administrativa

Governador Paulo Câmara se debruça sobre conversas com aliados - Sérgio Bernardo/SEI

A insatisfação latente, embora silenciosa, se arrasta desde o final do ano passado entre partidos da base aliada. Após o prefeito do Recife, João Campos, concluir a composição de seu secretariado, uma bolsa de apostas se formou entre lideranças da Frente Popular sobre os espaços que caberiam a cada legenda na gestão Paulo Câmara, onde algumas acomodações iniciais foram realizadas sem que o processo de reforma administrativa fosse concluído. Alguns incômodos restaram da construção feita por João Campos e aliados esperam compensação na administração estadual. Uma variável que aumenta a ansiedade na base é o fato de a arrumação, no Estado, ter sido interrompida após o PP ser contemplado com a Secretaria de Agricultura, de tamanho significativo e que, inclusive, estava na mira, até então, do PDT. Além dos pedetistas, o Republicanos, presidido em Pernambuco pelo deputado federal Silvio Costa Filho e recém-chegado à aliança, também está na fila para comandar uma pasta. Seguem ansiosos à espera também, o MDB, comandado por Raul Henry, o Avante, presidido por Waldemar Oliveira, irmão do deputado federal Sebastião Oliveira, e o PSD, de André de Paula.

A expectativa tem gerado um monitoramento intenso das movimentações no Palácio das Princesas e no Diário Oficial. Nos bastidores, auxiliares do governador admitem que, agora, "finalmente" a reforma deve ser concluída. Ontem, André de Paula foi à mesa com o governador, em agenda administrativa, acompanhado de prefeitos, o que acendeu o sinal amarelo na base. Há nova reunião com o dirigente do PSD no radar. Outro movimento do Governo do Estado que denota ação no sentido de contemplar os aliados diz respeito à transferência do Programa de Parcerias Estratégicas de Pernambuco para a Secretaria de Planejamento. Em outras palavras, o tema é do domínio de Marcelo Bruto, que deve deixar a pasta de Desenvolvimento Urbano para assumir uma secretaria executiva de Planejamento. Um espaço, dessa forma, deve ser aberto para que outras siglas sejam atendidas. As conversas estão em curso e, mesmo o PP ainda aposta em definição relativa à secretaria de Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas. Esse xadrez deve ter reflexos na equação de 2022.

Consequência Tributária
Pernambuco volta a pagar o 13º do Bolsa Família hoje. No intervalo de pouco mais de um ano, cerca de R$ 308 milhões foram repassados à população em vulnerabilidade. Em paralelo, o Estado faz a seguinte conta: o público-alvo do benefício passou a exigir a nota fiscal nas suas compras, num movimento lido na gestão como educação tributária. Somente no último ciclo do programa, realça o secretário de Desenvolvimento Social do Estado, Sileno Guedes, os beneficiários somaram R$ 545 milhões em produtos adquiridos formalmente, mais que o dobro do primeiro ano. 

Estímulo > Para efeito de comparação, em 2020, o Estado contabilizou R$ 258.585.990,20 em notas fiscais eletrônicas, registradas pelos participantes do programa. O acréscimo significativo nesse volume realçado por Sileno Guedes, tem a ver com a possibilidade, prevista no programa, de ampliação do benefício - para quem ganha menos de R$ 150 - desde que o CPF seja inserido nas notas no momento da compra. 

Tecnologia > A Secretaria da Controladoria-Geral do Estado será o primeiro orgão a experimentar o Laboratório de Inovação do Setor Público (LISP) do Governo de Pernambuco. O LISP é um projeto da Usina Pernambucana de Inovação em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia, que visa a desburocratizar, via tecnologia da informação, as demandas da administração.

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