PSB preserva hegemonia nacional. Do PT, Guimarães diz: Imperdoável

A vitória de João Campos reafirma protagonismo do PSB no campo nacional - Ed Machado

A estratégia do antipetismo foi de improviso, mas deu resultado além do que os próprios socialistas aguardavam. A diferença de votos de João Campos para Marília Arraes surpreendeu mesmo os integrantes da Frente Popular: 99.787 mil votos de margem. Ele teve 56,27% (447.913 votos) e ela, 43,73% (348.126 votos). Esse saldo eleitoral tem significado que vai além das fronteiras do Recife e de Pernambuco. É esse capital em votos que ancora a hegemonia do Estado no comando nacional do partido. E, em função disso, o PSB apostou todas as fichas na capital pernambucana, fazendo concessões em tantos locais, que os próprios socialistas chamavam a atenção, nas coxias, para o alto risco que isso implicaria. O cabo de guerra pela hegemonia nacional do partido é latente, embora silencioso, e ele se dá exatamente com São Paulo, onde Márcio França, candidato do partido à prefeitura daquela Capital não chegou nem no 2º turno. Pernambuco detém a maior bancada da sigla na Câmara Federal, outra variável que pesa nessa conta.

A vitória de João Campos, então, reafirma o protagonismo do PSB no campo nacional. Socialistas levam em conta a balança que coloca, de um lado, Rede, PDT, PCdoB e PSB e, de outro PT e PSOL. Um deles, em reserva, traduz assim: "Foi a vitória da unidade sobre o hegemonismo". Atribuem o hegemonismo ao PT. Não engolem o fato de o partido ter bancado Marília Arraes na Capital mais importante do xadrez eleitoral do PSB. No PT, também não resta boa vontade, após a campanha de desconstrução colocada em prática no Recife, pautada, exatamente, no antipetismo, traçada pelo PSB só após se deparar com o resultado apertado das urnas no 1º turno, o que não estava nos cálculos. Vice-presidente nacional do PT, José Guimarães, que encontrava-se no Recife ontem, dirigindo-se à coordenadora da campanha de Marília, Teresa Leitão, abordou o assunto. Teresa diz ter ouvido dele o seguinte: "Independente do resultado dessa eleição, não há clima para um convívio político com o PSB mais". Teresa, à coluna, relata outro trecho da fala do correligionário: "O que o PSB fez, o que o candidato declarou sobre o PT é imperdoável". Teresa almoçou, ontem, com Guimarães. Corta, agora, para 2022.

Dança das cadeiras no Palácio
Integrantes da Frente Popular já cobravam rearrumação no Governo do Estado, onde o PT segue alojado. Na coxias, há consenso de que não resta clima para permanência. Os partidos aliados que estão no radar para serem contemplados são: PP, PSD, Republicanos e MDB.

Não foi um passeio > Paulo Câmara reconheceu que a disputa foi “muito dura”. Defende “reflexões” e avisa: “A gente vai fazer", em sinal de que o PSB também precisa rever algumas posições.

Outra pessoa> Marília Arraes fez questão de realçar, em sua coletiva, a campanha de desconstrução da qual foi alvo. Para ela, há de se considerar a diferença sensível de postura de João Campos entre 1º turno e o 2º turno. Ele, diz ela, “iniciou o 2º turno parecendo que era outro candidato, outra pessoa, com campanha baseada em agressões, em fake news em argumentos fundamentalistas".

Deu trabalho! > Marília Arraes sai maior do que o PT. Mesmo socialistas, que iniciaram dizendo que iam "bater ela nas urnas", admitem que não contavam com tal dimensão. 

Suplente > Quem assume a cadeira na Câmara Federal, com João eleito, é Milton Coelho, chefe de Gabinete de Paulo Câmara, que, ontem, pela manhã, já havia comemorado, em sua rede social, resultado do tracking com agradecimento a Eduardo Campos.

 

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