Sem Recife, PSB avisa ao PT que não fará outros acordos

Paullo Allmeida / Alfeu Tavares

Os termos da conversa que se deu entre as cúpulas do PT e do PSB, na última segunda-feira, foram duros. Quem acompanha as articulações de perto diz que o clima não foi bom. O PSB passou o seguinte recado: sem aliança no Recife, não apoiará o PT em outras capitais. Socialistas dizem que o diálogo foi rápido. Petistas afirmam que "a insistência do PSB está irritando o PT nacional". E realçam ainda que a chance maior de vitória do PT, hoje, encontra-se na Capital pernambucana. Argumentam, assim, que não justificaria trocar, por exemplo, uma candidatura própria no Recife por um apoio em Petrolina, no Sertão, onde o prefeito Miguel Coelho é favorito. Na análise de petistas, não há cidade ou Capital que compense uma permuta. Pesam nessa conta, os índices de intenção de voto de candidatos da sigla em outras capitais: a maioria alcançaria, no máximo, 10%. Manaus seria outro local de relevância para os petistas, mas não como Recife. O imbróglio está aí: ainda que o PSB dispute a Prefeitura de São Paulo, com Márcio França, o Recife consta como primeiro lugar nos planos da direção nacional. Historicamente, inclusive, a legenda acaba sempre esbarrando num cabo de guerra, por vezes velado, entre São Paulo e Pernambuco, dois polos que, outrora, já geraram disputa de poder interna mais intensa. O Estado, governado por Paulo Câmara, no entanto, contabiliza, hoje, a maior bancada do partido na Câmara Federal, assim como está à frente, desde 1990, do comando nacional da sigla. Essa hegemonia também está no pano de fundo dessa articulação. Dessa vez, no entanto, não haveria moeda de troca que interesse ao PT a ponto de o partido abrir mão do Recife, como abriu da candidatura própria, em 2018, quando o PSB adotou neutralidade no 1º turno da corrida presidencial, deixando de apoiar Ciro Gomes, e retirou a postulação de Márcio Lacerda em Minas Gerais. Como socialistas já tinham definido à coluna, entre Carlos Siqueira e Gleisi Hoffmann, a conversa não avançou.

 

Hegemonia em jogo
Há, no PSB, quem já tenha ouvido, em reuniões internas, Márcio França atribuir a derrota na corrida pelo Governo de São Paulo, em 2018, à aliança nacional entre PSB e PT. Márcio teve 48% dos votos válidos e o atual governador João Doria, que apoiou-se no voto "Bolsodoria" venceu com 51% dos votos do eleitorado paulista.

Vou... > A deputada estadual Gleide Ângelo fez visita, há cerca de 10 dias, ao Palácio das Princesas, mas, tanto palacianos como ela própria, descartam que tenha havido qualquer entendimento sobre corrida majoritária. Houve zum zum zum nos últimos dias.

...não! > Gleide, então, gravou vídeo para deixar bem claro: "Isso não procede. O que procede é que eu já dei entrada em 40 projetos na Assembleia Legislativa, vou cumprir meu mandato, porque a gente ainda tem muita coisa para fazer na Alepe para todos vocês".

Com ou sem moro > Ao lançar sua pré-candidatura, ontem, à Prefeitura do Recife, a delegada Patrícia Domingos assegurou que seu projeto é "irrevogável". Sobre eventual participação do ex-ministro Sérgio Moro no projeto, ela observou: "Ele não é filiado a partido algum, não tem vinculação com meu partido, não teria motivo para convidá-lo (para campanha)".

Levou falta > Presidente estadual do Podemos, Ricardo Teobaldo, à coluna, informou que precisou ir a Brasília para uma reunião no Palácio do Planalto, motivo pelo qual não participou da live de Patrícia. Mas diz que falou com ela ao telefone e que, "agora, é organizar as coisas para convenção".