“Sem restrições, viveremos situação preocupante”, diz Sérgio Rezende

Valter Campanato/Agência Brasil

Um dos coordenadores do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Sérgio Rezende avalia que o mês de março será um dos mais difíceis no enfrentamento à pandemia e que o primeiro semestre deste ano, como um todo, será duro. Desde outubro do ano passado, o comitê científico vem alertando os gestores estaduais sobre o risco de uma segunda onda da doença e do surgimento de novas cerpas do coronavírus.

Desde então, os estudiosos reforçam a necessidade de adotar medidas mais restritivas de isolamento social. O alerta foi enviado nos boletins de outubro, dezembro e no mais recente panorama enviado aos administradores há duas semanas.

“Nosso comitê tem alertado nos últimos boletins sobre a necessidade de tomar medidas mais restritivas. Entendemos as dificuldades dos governadores com empresários e trabalhadores, mas entendemos também que, se tivessem sido tomadas medidas mais restritivas nos últimos dois meses, a situação seria diferente.

O crescimento dos números da doença aceleraram e os casos continuam crescendo. O próprio governador da Bahia, Rui Costa, admitiu que o Brasil poderia ter um caos no mês de março. Então, a previsão neste momento é ruim”, alerta Rezede. Segundo ele, as medidas restritivas adotadas pelos gestores estaduais nesta semana são necessárias, mas que é preciso que elas tenham efeito prático. Ele cita o caso do Governo de São Paulo que restringiu a circulação de pessoas das 23h até 5h.

“Na minha visão, é preciso que essas medidas sejam mais restritivas do que estão sendo. Limitar a circulação quando a maioria das pessoas já está dormindo não ajuda muita coisa”, avalia.

Outro fator essencial, segundo o professor titular emérito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é a conscientização da sociedade para seguir as regras sanitárias impostas. “Esses dois fatores combinados são necessários”, avaliou.

EXEMPLO 
Apesar de admitir as dificuldades dos gestores estaduais e municipais em competir na corrida internacional por vacinas, Sergio Rezende avalia que a atitude de prefeitos como João Campos (PSB) de negociar compra de imunizantes tem um simbolismo. “Eles se tornam um exemplo. Mostram o quanto é importante a vacina”, afirmou. Sergio integra o Comitê Técnico-científico de Vacina da Prefeitura do Recife.

GOVERNADORES > Os gestores estaduais estão em negociações para comprar a vacina russa e intensificaram os contatos com dois laboratórios do país europeu, após decisão do STF que autorizou os entes a comprarem os imunizantes diretamente. 

MAU EXEMPLO > Quem não vem adotando uma postura positiva, na opinião do professor, é o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). “Falta coordenação nacional desde o começo e, quase todo o dia, o presidente dá mau exemplo se posicionando contra o uso de máscaras e provocando aglomerações”, critica.

ALIANÇA > O presidente estadual do PDT, Wolney Queiroz, se mostrou confiante no apoio do PSB a Ciro Gomes (PDT) e considera natural o aliado filiar quadros como os empresários Luiza Trajano e Luciano Huck. “O PSB não tem compromisso expresso com o PDT, mas nossos projetos são próximos e temos uma parceria importante. Entendemos que todos os partidos têm o direito de procurar se fortalecer”, avaliou.

TIRANDO DO PAPEL > Uma das obras que o prefeito do Recife, João Campos (PSB), conseguiu incluir nas emendas da bancada pernambucana é a ponte que liga os bairros de Iputinga e Monteiro. A benfeitoria começou ainda no Governo João da Costa e a expectativa é de que o gestor assine a ordem de serviço ainda neste ano.

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