Siqueira: "Não vamos coligar com o PT em nenhuma capital"

Carlos Siqueira

Não é de hoje que o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, tece críticas ao PT. Em dezembro do ano passado, em entrevista ao jornal O Globo, o dirigente nacional dos socialistas alfinetara: "Entre o PT e o Brasil, o PT escolhe a si mesmo". Fez a colocação em referência às declarações do ex-presidente Lula, feitas assim que o petista deixou a prisão. À época, Siqueira não foi o único e, dentro do próprio PT, correligionários caíram em campo para que o líder-mor da legenda baixasse o tom. Anteontem, Siqueira resgatou a fala e a reproduziu à coluna do Estadão, publicada ontem. Desta vez, ficou assim: "Entre o PT e o Brasil, o PT sempre ficou consigo mesmo, é o vetor da divisão na esquerda. Não estaremos com eles em lugar nenhum nestas eleições". Agora, a fala de Siqueira tem novo peso, porque ela se deu no mesmo dia em que o tema das alianças do PSB com o PT foi levado à mesa em reunião reservada e estratégica, realizada em Brasília, entre o presidente nacional, o governador Paulo Câmara e o prefeiturável João Campos, como a coluna antecipou. Bem antes disso, no último dia 3, Siqueira, em reunião com a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, como a coluna cantara a pedra, avisou que, sem aliança no Recife, o PSB não apoiaria os petistas em outras capitais. A Capital pernambucana é a peça mais importante no xadrez eleitoral do PSB. Ao registrar ao Estadão que não estaria junto com o PT nas eleições deste ano, Carlos Siqueira deixa claro que não fez o alerta a Gleisi, no início do mês, da boca para fora. A mensagem foi passada por ele ainda na esteira da decisão do PT de bancar a candidatura de Marília Arraes à Prefeitura do Recife. A postura de Siqueira de evitar coligação com o PT tem a ver com manter a palavra, mas também com um resgate histórico da postura dos petistas em relação a episódios decisivos do País. À coluna, Siqueira argumenta que sua fala precisa ser fundamentada: "Em 1985, quando restou ao povo apenas o Colégio Eleitoral para sair da ditadura, o PT se negou a votar. Na Constituinte, o PT defendeu que não assinasse a Constituinte mais progressista da República. Veio o Plano Real, decisivo para superar a inflação, e o PT foi contra. Sempre que PT faz opção entre o Brasil e suas conveniências, pende para si próprio". Siqueira cita esses exemplos emblemáticos e ratifica: "O PT está novamente na contramão da história". E emenda: "Em função dessa posição equivocada, não vamos coligar com eles em nenhuma Capital". 

 

Última palavra da nacional
Um detalhe que pesa nessa programação do PSB, como a coluna antecipara, é o seguinte: em cidades onde há 2º turno, é a executiva nacional que homologa coligações e nenhuma foi homologada. Carlos Siqueira, à coluna, sublinha: "Onde depender da executiva nacional, não terá aliança com o PT em função desse equívoco que eles estão promovendo num momento tão difícil da vida nacional".
Segundo Siqueira, o PT pediu apoio "em várias cidades".

Recordar...> Diante da fala de Siqueira, Gleisi Hoffmann reagiu, em seu twitter: "Foi pensando no Brasil que o PT abriu mão de lançar Marília Arraes e apoiou o PSB ao Governo de Pernambuco em 2018. Mas parece que para o PSB a esquerda só pode se unir se apoiar o candidato deles à prefeitura do Recife". O perfil do ex-presidente Lula curtiu o comentário da dirigente.

...é viver > À coluna, Siqueira rebate: "Não estou falando de Recife, estou falando do Brasil inteiro, da esquerda dividida. Você viu a declaração do Lula, quando saiu, que eles iam ter candidaturas nas principais capitais. Com esse discurso, ele promoveu a divisão das esquerdas. Estou falando de geral. O País está vivendo imensas dificuldades. Inclusive, de ameaça à democracia"