Tesoureiro do PT, Oscar entrega cargo sob rumores de destituição

Oscar Barreto

Ainda que a direção nacional não tenha pautado o assunto no momento de forma mais assertiva, a ala do partido que defende a candidatura de Marília Arraes à Prefeitura do Recife estava atenta a um fato em especial: Oscar Barreto é o tesoureiro do PT estadual. Há um volume de recursos elevado sendo destinado ao diretório pernambucano em função da campanha eleitoral no Recife e, para os próximos dias, há um montante de R$ 3,9 milhões no radar, segundo fontes petistas relatam em reserva. Em outras palavras, a possibilidade de Oscar, que, até ontem, comandava a secretaria de Saneamento do Recife, declarar apoio ao prefeiturável João Campos, acendeu o sinal amarelo na campanha da petista na Capital. Em outras palavras, mesmo que a direção nacional do PT não tenha aberto debate sobre isso, entre aliados de Marília, uma  retaliação passou a ser considerada como alternativa a ser cavada, caso Oscar consolidasse o movimento. Leia-se: uma destituição da tesouraria.

Como antecipamos, Oscar chegou a declarar, na última segunda-feira, o seguinte: "Não dá para fazer omelete sem quebrar os ovos!". Fazia referência à intenção de abrir dissidência no partido e declarar apoio a João Campos. Oscar fez o aceno após o senador Humberto Costa fazer a primeira participação presencial em campanha eleitoral ao lado de Marília Arraes, durante carreata na Zona Norte no último sábado. Antes disso, Humberto já havia defendido a entrega de cargos do PT na Prefeitura do Recife. Na ocasião, Oscar observara: "Isso não está na pauta da campanha, não está na pauta do PT, não está na pauta do PSB, não está sendo pautado nem por Marília. E nenhum dos dois diretórios está pautando isso. Pelo contrário, existe maioria clara de que não deveria entregar". De lá para cá, a temperatura parece ter mudado e, ontem, Oscar divulgou nota, como a coluna cantara a pedra, na qual entrega o cargo na gestão Geraldo Julio, mas já demarca posição contra Marília Arraes num sinal de que pode estar vencendo etapas até dar um próximo passo.

 

Sinal amarelo
Houve reunião, na última quarta-feira, com a direção nacional do PT. De Pernambuco, além do senador Humberto Costa, estavam a Marília Arraes e Teresa Leitão. A direção nacional não pautou a questão de Oscar Barreto no Recife, mas o tema acabou indo ao debate. Já circulava que ele poderia declarar apoio a João Campos.

Argumento > Sobre a decisão de entregar o cargo agora, Oscar explica que ela se deu porque, nesse momento, "a campanha ganha um tom diferenciado". Pontua que faltam "quatro semanas para terminar". Observa que estava "preso em uma situação que, de certa forma, estava se expondo" e decidiu "colocar um ponto nisso". E emenda: "Agora, eu posso falar sem dizerem que eu sou do governo".

Para cima > Oscar assinala: "Eu respeito a decisão partidária". Mas avisa que, agora, "vai para cima dessas questões colocadas no texto". Na nota, Oscar comunica a entrega do cargo de secretário deSaneamento do Recife. E, na esteira, já dirige cobranças a Marília.

Confronto > "É preciso que um posicionamento claro seja adotado, sem negligenciar nossas bandeiras, sem relativizações do processo de desmonte promovido pelo Governo Federal. Não se pode ser complacente com esta atitude”, diz Oscar na nota

Anfitrião > Foi sem pressa e em sua casa que João Campos recebeu o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, em jantar anteontem. Entre os presentes, Isabella de Roldão, que mora no mesmo prédio, e o marido dela, Fábio Fiorenzano, além de Wolney Queiroz e sua esposa, Thania, Geraldo Julio e Antonio Figueira.