Travessia de Dino é vista como sinal contra a Federação

Flávio Dino se filia na próxima terça-feira - Divulgação PCdoB

Há uma semana, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, à coluna, já havia confirmado o ingresso do governador Flávio Dino no PSB. Fez a sinalização junto com a confirmação de que o deputado federal Marcelo Freixo se filiaria também ao partido. Ali, Siqueira já havia também descartado que a travessia de Dino tivesse como condicionante a aprovação do mecanismo Federação, pelo qual o PCdoB trabalha arduamente "A vinda dele para o PSB não tem a ver com federação. Ela já está acertada", adiantara o dirigente nacional do PSB. E acrescentara: "Federação é uma etapa que ninguém sabe se vai passar ou não". A aprovação do regime de urgência do mecanismo ao qual Siqueira se refere, contido no Projeto de Lei 2.522/2015, teve um placar de 429 "sim" contra 18 votos "não". Isso deu uma injeção de ânimo no PCdoB. Para a legenda, a proposta vingar é uma questão de sobrevivência. O fato de a matéria ter saído da condição de algo sem nenhuma chance e ter virado a única pronta na mesa do presidente da Casa, Arthur Lira, deu uma injeção de ânimo no PCdoB.

Da semana passada para cá, no entanto, vem crescendo na Câmara Federal a defesa do distritão. Parlamentares dizem que Arthur Lira já teria sinalizado inclinação a isso. E a urgência do emendão, uma espécie de emenda guarda-chuva, ou Arca de Noé, onde cabem variadas propostas de instrumentos a serem adotados na eleição de 2022, entre elas, o distritão e a federação. A superemenda foi protocolada à Proposta de Emenda à Constituição da reforma política pela relatora Renata Abreu e deputados, nos bastidores, já aguardam a votação da PEC na semana posterior a do São João. A despeito do placar da urgência da federação, parlamentares já observam que, no mérito, não há grandes expectativas mais de que ela vingue. No bojo dessas articulações, o anúncio da filiação de Flávio Dino ao PSB soou, a lideranças da esquerda, como um sinal de que a federação não teria mais chance de passar. 


Injeção de esquerda
O ingresso de Flávio Dino e do deputado Marcelo Freixo no PSB é visto uma "injeção de esquerda" no partido. Lideranças da Oposição, em reserva, lembram que a legenda votou em Aécio Neves no 2º turno de 2014 e que, recentemente, na eleição da presidência da Câmara, teve parte da bancada pró-Arthur Lira, então apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Descrença 1 - No PCdoB, se fazia uma leitura, até a semana passada, de que só o PSB alardeava a filiação de Flávio Dino sem que o próprio verbalizasse. Análise similar se fez também nas hostes socialistas, onde, a despeito de Siqueira já vir sinalizando, até a última quinta-feira, ainda restava uma descrença. 

Descrença 2 - Em reserva, uma socialista, à coluna, na véspera de Dino anunciar desfiliação do PCdoB, advertira: "A gente precisa ouvir dele. Ele anunciou que ia sair, mas não que ia entrar no PSB". A mesma fonte sublinhou que o governador tinha filiado deputado federal ligado a ele ao PT, o acendera o sinal amarelo.

Da boca dele - Em entrevista ao Jornal O Globo, Flávio Dino admitiu que fatores relativos à legislação eleitoral foram determinantes para sua saída do PCdoB. Citou a cláusula de barreira e a possibilidade incerta de aprovação da federação, realçando que isso ainda depende de aprovação no Congresso. 

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