Como a Covid afetou o tratamento do câncer

Dr. José Iran Costa Júnior - Livro Inspiração Saúde

Norman Shanpless Diretor do National Câncer Institute, Orgão do Ministério da Saúde dos Estados Unidos da Ámerica (EUA), alertou através de um editorial publicado na Revista Science sobre o impacto que a pandemia terá na mortalidade por câncer nos próximos 10 anos. 

Dr. Norman analisou o impacto da Pandemia na mortalidade dos paciente com câncer de mama e de cólon (intestino) e conclui que nos EUA, acontecerão em torno de 10.000 mortes a mais, ou seja, em torno de 10.000 pessoas perderão a vida para o câncer de mama e cólon, que poderiam ser evitados. 


E quando vamos analisar este editorial não há motivo biológico para esta ocorrência, existe portanto uma grave diminuição do número de exames preventivos realizados e de tratamento Oncológico adiados, assim, o resultado desta combinação são pacientes diagnosticados em fases mais avançadas da doença e com mais risco de complicação, envolvimento de doença metastática e morte.

Infelizmente, este é um fenômeno mundial. A Holanda observou uma queda de 40% no diagnóstico de câncer, enquanto no Reino Unido houve uma redução de 75% de diagnóstico de câncer dentro de seis meses da pandemia. (Azevedo, agosto 2020). No Brasil estes dados também são alarmantes. O Ministério da Saúde informa que em torno de 250 mil Cirurgias deixaram de ser realizadas por mês durante a pandemia. Enquanto a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) publicou dados que mostram que 70 mil Brasileiros deixaram de receber diagnóstico de câncer nos 4 primeiros meses da pandemia, e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) atesta que aconteça uma diminuição em torno de 70% de Cirurgia Oncológica neste mesmo período. 

E mesmo antes da COVID-19 já sabíamos que será nos países de baixo e médio desenvolvimento onde se concentrarão nos próximos anos a maioria dos casos novos e das mortes por câncer.

A OMS estima que número de novos casos de câncer (incidência) irá aumentar em torno de 50% em todo mundo nas próximas duas décadas e que este aumento acontecerá principalmente nos para países em desenvolvimento, passando a ser a maior causa de morte em todo mundo, inclusive no nosso país. Baseados nos dados acima é PREMENTE que valorizemos as campanhas que instituições de saúde vem promovendo, que estimulam a volta das atividades de saúde. Logicamente, desde que os pacientes, profissionais de saúde e as instituições de Saúde tenham uma segurança sanitária necessária para esta retomada tão necessária. 

O Diagnóstico precoce é atualmente a forma mais eficiente de diminuir a mortalidade e o sofrimento proporcionado pelo Diagnóstico do Câncer. Prevenção e tratamento do Câncer também importam. Se continuarmos a não realizar os procedimentos preventivos e terapêuticas já historicamente consagrados, iremos trocar a crise sanitária da COVID-19 pela crise Sanitária da Oncologia.

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