Dr. Justiniano Luna fala sobre prevenção do câncer colorretal

Dr. Justiniano Luna - Editora Inspiração

O câncer de cólon e reto abrange tumores no intestino grosso( cólons, reto e ânus). É o terceiro câncer mais frequente entre os homens, logo após o de próstata e do pulmão. O câncer colorretal constitui a neoplasia maligna mais comum do trato gastrointestinal e a terceira causa do câncer associada à morte no mundo, atrás somente do de pulmão e mama.

No Brasil, é o segundo mais incidente entre as mulheres, após o câncer de mama. Reconhece-se, então, que o risco de câncer de colorretal ao longo da vida seja de 5 %, aumentando com a idade, e mais de 90% dos casos acomete pessoas acima dos 50 anos de idade.

Dados do instituto nacional do câncer tem evidenciado um aumento dos casos entre adultos jovens, devido ao rastreio inadequado e ,também, a fatores de risco da doença, como obesidade e alimentação inadequada. No entanto, depois de atingir os 50 anos, estima-se que cerca de uma a cada 2000 pessoas irá desenvolver o câncer colorretal por ano. Depois dos 65 anos de idade essa taxa aumenta para quase três em 1000. Entre os jovens, estima-se uma incidência de 10 casos por um milhão na idade de 20 anos, e de 100 casos por milhão com a partir dos 45 anos.

Apesar de ser um dos tumores mais letais, a doença é tratável e frequentemente curável, dependendo do estágio no momento do diagnóstico, reforçando, então, a necessidade da prevenção precoce.

A doença é associada a fatores genéticos, ambientais e do estilo de vida. Os fatores de risco incluem o consumo de bebidas alcoólicas, a baixa ingestão de frutas e verduras, o alto consumo de carnes vermelhas e de alimentos processados, como salsichas, enlatados, presuntos, mortadelas e defumados;a obesidade, o tabagismo e o sedentarismo. Outro fator de risco refere-se a algumas condições hereditárias, como a síndrome de Lynch, a polipose adenomatose familiar, o câncer colorretal hereditário sem polipose; doenças inflamatórias intestinais, como a retocolite ulcerativa crônica e a doença de Crohn, bem como no baixo consumo de alimentos ricos em fibra e cálcio, também compõe grupo de risco os pacientes com exposição ocupacional à radiação ionizante, como os raios x e gama.

A prevenção da doença começa com a diminuição da exposição dos fatores de risco, ou seja , realizando uma nutrição balanceada, associada ao uso de alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, cereais integrais feijões, grãos e alimentos ricos em fibra.Importante, também, realizar atividade física regular com o controledo peso, como também evitando o consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo.

Os sintomas abrangem alterações do ritmo intestinal, como diarréia alternada com constipação, dores abdominais, presença de sangue nas fezes, dor na evacuação, mudança no formato das fezes, como fezes em fita ou finas que podem apresentar sangue ou muco, distensão abdominal, gases, fadiga associada a anemia e perda rápida de peso e tumorações abdominais palpáveis, estão na lista dos sintomas. O rastreamento do câncer colorretal incluem os métodos indiretos, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a dosagem sérica do antígeno carcinoembrionário (CEA), e o direto, que é feito pela colonoscopia.

A colonoscopia é o exame padrão, que permite a visualização da mucosa intestinal, possibilitando a realização de biópsias e ressecções endoscópicas de tumores precoces e identificação, além da retirada de lesões precursoras, os pólipos, interrompendo a sequência adenoma- adenocarcinoma. Sendo a retirada dos pólipos pela polipectomia endoscópica, o melhor método de prevenção do câncer colorretal.

A recomendação é que a colonoscopia seja realizada aos 50 anos de idade para ambos os sexos. Os indivíduos com histórico familiar de câncer colorretal, bem como os portadores de pólipos colônicos, são considerados de alto risco para o desenvolvimento deste câncer, sendo nestes casos o rastreamento iniciando aos 45 anos de idade, como recomenda a sociedade americana de cirurgia e a sociedade brasileira de cancerologia. O tratamento pode ser curativo nas ressecções endoscópicas das lesões colônicas precoces, e da realização das polipectomias endoscópicas dos pólipos colônicos.

Nos tumores avançados, a cirurgia é o tratamento inicial, retirando parte do intestino afetado, associado a retirada dos gânglios linfáticos periféricos, podendo-se complementar o tratamento com radioterapia e quimioterapia, com o objetivo de diminuir a recidiva do tumor.

Quando a doença apresenta metástases para o fígado, pulmão ou outros órgãos, as chances de cura ficam reduzidas. Após o tratamento, é importante realizar o acompanhamento médico para a monitorização de recidivas da doença, bem como orientação nutricional e mudança dos hábitos de vida destes pacientes.

O câncer colorretal é tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente através da prevenção.