Hipertensão Arterial Sistêmica: doença que atinge mais de 30% dos brasileiros

Hermilo Borba Griz – cardiologista do Hospital Santa Joana Recife - Livro Inspiração Saúde

Popularmente conhecida como pressão alta, a Hipertensão Arterial Sistêmica é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, como Infarto Agudo do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC). O sangue bombeado pelo coração exerce uma força intensa contra as paredes internas dos vasos, que oferecem resistência para essa passagem. A doença é crônica e degenerativa.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 30% da população brasileira sofre da enfermidade, porém uma quantidade alta não tem conhecimento disso. As principais causas são fatores genéticos, o excesso de peso, sedentarismo, uso de determinados medicamentos, o exagero de sal na dieta, algumas alterações hormonais, histórico familiar, estresse. Ou seja, podemos afirmar que é algo multifatorial. Quando se fala de sintomas, podemos destacar tontura, falta de ar, palpitações e dor de cabeça frequente, entretanto, a hipertensão geralmente é silenciosa e assintomática, por isso é tão importante estar atento ao corpo e procurar fazer exames de rotina.

O tratamento é dividido em duas formas, o não medicamentoso e o medicamentoso. No primeiro, o médico tenta estimular a mudança no estilo de vida do paciente, incluindo atividades físicas, controle de peso, dieta balanceada e abandono do tabagismo, por exemplo. Já o segundo, pede medidas farmacológicas, com uso de medicamentos hipotensores. 

Além do Infarto Agudo do Miocárdio e AVC, outras complicações que podem ser trazidas pela hipertensão são Insuficiência Cardíaca,  já que com o tempo essa pressão não controlada vai forçando o coração, podendo dilatá-lo, e alterações renais, com perda da função renal. Com essa progressão, às vezes, é necessário recorrer à hemodiálise.

As doenças cardiovasculares merecem grande atenção, já que são a principal causa de mortalidade no Brasil. Durante a pandemia, uma pesquisa feita pelas universidades federais do Rio de Janeiro (UFRJ) e Minas Gerais (UFMG), pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pelo Hospital Alberto Urquiza Wanderley, na Paraíba, revelou que o número de óbitos por infarto e AVC cresceu. Isso porque houve redução nos atendimentos hospitalares. As pessoas pararam de procurar atendimento médico por medo de contrair Covid-19 no hospital ou até no trajeto. Com isso houve aumento de óbitos devido as complicações cardiovasculares, principalmente relacionadas ao coração e cérebro. 

A prevenção é sempre em relação ao controle do peso, do sedentarismo, o abandono do tabagismo, controle do estresse e o hábito de uma vida saudável. Sabemos que, com o envelhecimento do ser humano, os vasos sanguíneos podem ser tornar mais rígidos e elevar a pressão, mas é possível retardar isso com as medidas preventivas citadas. 

*Nascido no Rio de Janeiro, Hermilo Borba Griz sempre teve o sonho de ser médico e se interessou pelos assuntos relacionados ao corpo humano. Aos 13 anos, atendeu ao convite de um primo, anestesista, para assistir a cirurgias. A partir daí, a vontade aumentou. O garoto começou a fazer “cirurgia” em sapos. Utilizava éter para anestesia, via órgãos e suturava. O jovem ingressou na faculdade de medicina em 1986. Na época, queria ser cirurgião cardíaco. Bastante apegado a avó, Débora, acompanhava de perto as cirurgias cardíacas a que era submetida. Observava o tratamento dado pelo médico Rostand Paraíso, regado a cuidado e carinho. Foi apresentado ao Dr. Escobar, cirurgião cardíaco do Hospital Português, dando início a um estágio em sua equipe. Após a formatura, em 1991, fez residência em clínica médica no Hospital Oswaldo Cruz e depois em cardiologia, no mesmo local. Nesse período, iniciou atividades na urgência e na UTI do Hospital Santa Joana. Em 2001, começou no serviço de cardiologia onde permanece até hoje. No Hospital Agamenon Magalhães, é preceptor da residência em cardiologia. 

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