Inspiração Saúde: procedimentos urológicos para tratamento de câncer não podem esperar

Entrevistado do livro Inspiração Saúde Dr. Guilherme Maia - Lara Valença

Desde o início da pandemia da Covid-19, anunciada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em março de 2020, muitas pessoas deixaram de ser diagnosticadas e, inclusive, abandonaram o tratamento por medo de contágio. Essa atitude é completamente compreensível, já que pouco se sabia sobre o coronavírus e o seu impacto na saúde. Contudo, mais de um ano depois, novas informações, estudos aprofundados e a tão almejada vacina, o número de pacientes negligenciando o tratamento ainda é grande. É possível constatar no dia a dia o prejuízo dessa falta de um acompanhamento médico, com pacientes chegando ao consultório em estágios avançados de doenças como o câncer de próstata, no qual o diagnóstico precoce é fundamental para a cura.

Situações como essa poderiam ser contornadas. A telemedicina, regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), no ano passado, tornou-se preponderante para manter ativa essa relação médico/paciente. Por mais que o atendimento virtual já tivesse dado os primeiros passos, a pandemia foi sem dúvida um catalisador para consolidá-la como uma ferramenta para o acompanhamento médico. A tendência ganhou destaque diante da necessidade do distanciamento social. Afinal, o atendimento à distância permite que o paciente tenha acesso a um médico sem precisar sair de casa. E assim seguir com o seu tratamento. De acordo com pesquisa de uma importante plataforma de saúde, mais de 15 mil profissionais da área passaram a utilizar a ferramenta no Brasil em cerca de um ano, contabilizando 6,5 milhões de minutos em videoconsultas. Números que chamam atenção, mas que nem de perto acompanham a demanda médica do cotidiano. 

Além da questão das consultas, um impacto bastante sentido no meio cirúrgico foi a redução dos procedimentos eletivos, mesmo aqueles nos quais não houve determinação de suspensão, como os oncológicos. O tratamento de câncer não pode esperar, sobretudo quando há uma estimativa de 65 mil novos casos/ano de câncer de próstata para cada ano do biênio 2021-2022, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O receio de contaminação deve ser validado, mas não pode colocar em risco a saúde do paciente. Atualmente, a maioria dos hospitais possui medidas para reduzir o risco de transmissão, incluindo áreas separadas para atender pacientes com suspeita de Covid-19, lembrando também que toda a equipe hospitalar e médica já está vacinada. Vale ressaltar ainda que a escolha pelo tipo do procedimento cirúrgico é importante para reduzir o tempo de permanência nas unidades, evitando, dessa forma, maior exposição ao vírus. E nesse aspecto, a cirurgia robótica surgiu como um dos principais ganhos tecnológicos na medicina.

O principal benefício da cirurgia robótica é o fato de que os braços mecânicos da máquina reproduzem os movimentos das mãos do cirurgião com corte mais preciso, sem tremor, com visão tridimensional bastante ampliada, possibilitando mais conforto para os profissionais. Algumas operações urológicas duram mais de três horas. Esse tempo gera um cansaço e desgaste natural na equipe médica, que faz da maneira tradicional, em pé e ao lado do paciente. Com o robô, o cirurgião opera sentado. Isso auxilia a técnica e evita possíveis erros ou tremores. Além disso, graças às pequenas incisões no corpo, o tempo de recuperação no pós-operatório é muito menor. O paciente fica menos tempo no hospital. No caso das cirurgias de câncer de próstata, por exemplo, ele recebe alta em até 24h e já pode voltar a sua rotina por volta do sétimo dia após a cirurgia. Sem falar que sangra menos, a recuperação da função erétil é muito superior e a continência urinária retorna mais rapidamente em quase todos os pacientes, quando comparado com as técnicas convencionais. 

Então, é inevitável constatar que a tecnologia aliada à medicina, veio para ficar e, em momentos críticos feito esse atual de pandemia, não se pode deixar de ressaltar mais um papel fundamental da cirurgia robótica. Esse método cirúrgico traz os pacientes de volta para o consultório, eliminando o medo de um procedimento demorado, com muitos dias de internamento e de contrair o coronavírus. O diagnóstico e tratamento precoces ainda podem ser alcançados. 

Guilherme Maia é especialista em cirurgia robótica, formado pela Universidade de Ribeirão Preto - SP e mestre em cirurgia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Diplomado em Cirurgia Minimamente Invasiva Robótica pela Universidade de Strasbourg/ FR; Especialização pela Sociedade Brasileira de Urologia e Laparoscopia – SBU e SOBRACIL; Especialização FELLOWSHIP em Uro-Oncologia e Robótica – Paris/ FR, com a instrução e supervisão do francês Bertrand Guillonneau, urologista que realizou a primeira série de casos de cirurgia laparoscópica de próstata do mundo. Preceptor em UROLOGIA do Hospital IMIP-PE. Urologista da equipe do Hospital Santa Joana Recife. Integra a primeira equipe de cirurgia robótica Recife, desde 2016.

 

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