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Nutrição oncológica ajuda a preservar força durante o tratamento do câncer

O nutricionista Bruno Morais explica como a alimentação ajuda neste processo

Nutrição oncológica é fundamental durante o tratamento do câncerNutrição oncológica é fundamental durante o tratamento do câncer - canva

O nutricionista Bruno Morais explica como a alimentação ajuda no tratamento do câncer


Receber o diagnóstico de câncer muda a rotina, os hábitos e, muitas vezes, a relação do paciente com a alimentação. Durante o tratamento, náuseas, alterações no paladar, falta de apetite, diarreia, constipação e dificuldade para mastigar ou engolir podem comprometer a ingestão de alimentos. Nesse cenário, a nutrição oncológica passa a ter papel importante na manutenção do estado nutricional, da massa muscular e da capacidade funcional.

Para o nutricionista Bruno Morais, especialista em Nutrição Esportiva e Nutrição Oncológica, o cuidado alimentar deve começar o quanto antes. “A alimentação equilibrada faz parte da prevenção de diferentes doenças e também é importante para o paciente que recebe um diagnóstico de câncer. Uma rotina alimentar adequada, com proteínas, frutas, verduras, legumes, cereais e outros alimentos nutritivos, contribui para a manutenção do estado nutricional e da saúde como um todo”, afirma.


“A quimioterapia, a radioterapia e outros tratamentos podem provocar falta de apetite, náuseas, alterações no paladar e sintomas gastrointestinais. Por isso, o acompanhamento nutricional é importante para identificar precocemente as dificuldades e adaptar a alimentação às necessidades de cada pessoa”, explica Bruno Morais - Foto: Divulgação

Alimentação durante o tratamento
Quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e outros tratamentos podem provocar efeitos que interferem diretamente na alimentação. A intensidade e o tipo desses sintomas variam conforme o tratamento, a localização do tumor e as características de cada paciente.

“A quimioterapia, a radioterapia e outros tratamentos podem provocar falta de apetite, náuseas, alterações no paladar e sintomas gastrointestinais. Por isso, o acompanhamento nutricional é importante para identificar precocemente as dificuldades e adaptar a alimentação às necessidades de cada pessoa”, explica Bruno Morais.

Nesse período, a prioridade é evitar que o paciente deixe de consumir energia e proteínas em quantidade suficiente. Quando há dificuldade para comer, pequenas refeições ao longo do dia e alimentos de maior densidade nutricional podem ser estratégias utilizadas pelo profissional.

“Quando existe falta de apetite, podemos trabalhar com preparações mais leves, refeições menores e alimentos que o paciente tenha maior aceitação. Em algumas situações, suplementos nutricionais podem ser indicados para complementar o consumo de proteínas, energia, vitaminas e minerais”, diz o nutricionista.

Náuseas, diarreia e alteração do paladar
Os sintomas provocados pelo câncer ou pelo tratamento exigem estratégias individualizadas. Alimentos mais secos e de fácil aceitação podem ser úteis para algumas pessoas com náuseas. Em situações de diarreia, a hidratação e a reposição de eletrólitos podem ser necessárias, sempre considerando a avaliação da equipe de saúde.

“A alimentação precisa acompanhar o sintoma apresentado. Para alguns pacientes, alimentos mais secos e em pequenas quantidades podem ser melhor tolerados durante episódios de náusea. Quando há diarreia, é fundamental atenção à hidratação. Já nas alterações do paladar, podemos testar diferentes temperaturas, texturas, temperos e formas de preparo para melhorar a aceitação”, orienta Bruno Morais.

As alterações no paladar também podem fazer com que alimentos antes apreciados passem a apresentar gosto metálico ou desagradável. Nesses casos, a adaptação da apresentação e da preparação dos alimentos pode ajudar.

Perder peso nem sempre é apenas uma consequência
A perda de peso durante o tratamento merece atenção. Dependendo do tipo e da localização do tumor, além dos efeitos da própria doença e do tratamento, o paciente pode apresentar redução importante da ingestão alimentar e perda de massa muscular.

“Durante o tratamento pode ocorrer perda de peso e de massa muscular, mas isso não deve ser encarado simplesmente como algo normal. É necessário acompanhar a evolução do paciente e observar quanto peso está sendo perdido, em quanto tempo e se existe redução de força e de massa muscular”, afirma o nutricionista.

O IMC pode fazer parte da avaliação, mas não deve ser utilizado isoladamente para identificar desnutrição ou sarcopenia. Peso, histórico de perda ponderal, ingestão alimentar, avaliação da massa muscular e capacidade funcional ajudam a formar um quadro mais completo do estado nutricional.

Não existe alimento que cure o câncer
Na internet, promessas de alimentos, sucos, chás e suplementos capazes de “matar” o câncer continuam circulando. Para Bruno Morais, esse tipo de informação pode afastar o paciente do tratamento adequado.

“Não existe uma dieta milagrosa para curar o câncer. Cada paciente precisa ser avaliado individualmente e ter sua alimentação adaptada à condição clínica. Também é preciso cuidado com a ideia de que o açúcar, isoladamente, alimenta o tumor e que sua retirada vai fazer o câncer desaparecer. Essas simplificações não correspondem à complexidade da doença”, alerta.

O nutricionista também chama atenção para os chamados “shots da imunidade” e outras fórmulas divulgadas como tratamento contra o câncer. “A alimentação saudável pode contribuir para a saúde e para a qualidade de vida, mas não substitui exames, diagnóstico, cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia ou qualquer outro tratamento indicado pela equipe médica”, reforça.

Quando comer se torna difícil
A falta de apetite é uma das dificuldades mais comuns na rotina de muitos pacientes. Nesses casos, insistir em grandes refeições pode aumentar o desconforto e reduzir ainda mais a aceitação.

“Precisamos entender o que o paciente consegue comer naquele momento. Diversificar as preparações, respeitar preferências alimentares e utilizar opções com maior densidade nutricional podem ajudar. Quando a alimentação habitual não é suficiente, os suplementos podem ser uma ferramenta importante, desde que indicados e acompanhados por profissional habilitado”, afirma o nutricionista.

A prioridade é evitar que a redução prolongada da ingestão alimentar comprometa a força, a massa muscular e a capacidade de enfrentar o tratamento.

Depois do câncer, o cuidado continua
O fim do tratamento representa uma nova etapa. A alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, o controle do peso e o acompanhamento médico permanecem importantes para a saúde e a qualidade de vida.

“Depois do tratamento, o paciente precisa continuar cuidando da alimentação, praticando atividade física de acordo com sua condição clínica e mantendo o acompanhamento médico. O objetivo é recuperar força, qualidade de vida e autonomia, além de cuidar dos fatores de risco para outras doenças”, conclui Bruno Morais.

| Nutrição no câncer: cinco pontos de atenção


1. Estado nutricional: acompanhar peso, perda de peso, ingestão alimentar e massa muscular.
2. Proteínas: garantir ingestão adequada pode ajudar na manutenção da massa muscular, conforme a necessidade individual.
3. Sintomas: náuseas, diarreia, constipação, falta de apetite e alterações do paladar devem ser comunicados à equipe de saúde.
4. Dieta milagrosa: nenhum alimento, chá ou suplemento substitui o tratamento oncológico.
5. Individualização: a alimentação deve ser adaptada ao tipo de câncer, tratamento, sintomas, estado nutricional e preferências do paciente.

 

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