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Modo Fit

Por que o exercício físico é apontado pela ciência como um “antidepressivo natural"

Treino regular mostra benefícios para a saúde mental comparáveis a terapias tradicionais

Janeiro branco: mês da campanha sobre saúde mentalJaneiro branco: mês da campanha sobre saúde mental - Canva
Estudos científicos internacionais indicam que a prática regular de atividade física impacta profundamente a saúde mental por meio de mudanças neuroquímicas, fortalecimento cognitivo, socialização e sensação de recompensa. Para o profissional de Educação Física Elton Alves, o exercício precisa ser entendido como ferramenta central de cuidado emocional, prevenção e qualidade de vida.

Prof. Elton Alves
Prof. Elton Alves: “O exercício físico não age só no corpo. Ele reorganiza o cérebro, melhora a forma como a pessoa lida com emoções e cria um estado mental mais estável. Quando falamos de saúde mental, não dá mais para separar movimento e cuidado emocional”, afirma o profissional de Educação Física - Foto: Divilgação

Pesquisas publicadas em periódicos como The BMJ e revisões sistemáticas internacionais sugerem que programas regulares de atividade física podem apresentar efeitos semelhantes aos da psicoterapia e, em alguns contextos, resultados comparáveis ao uso isolado de medicamentos em quadros leves e moderados de sofrimento psíquico. Essas evidências reforçam o papel do exercício físico como uma das intervenções não farmacológicas mais consistentes no cuidado com a saúde mental.

A relação entre saúde mental e exercício físico é hoje um dos campos mais sólidos da ciência contemporânea, reunindo evidências da neurociência, da psicologia e da medicina esportiva. Mais do que uma recomendação ligada ao estilo de vida, o movimento corporal regular se consolidou como uma intervenção capaz de modificar estruturas cerebrais, regular neurotransmissores e reduzir sintomas de ansiedade, depressão e estresse.

Segundo o profissional de Educação Física Elton Alves, a ciência apenas confirma o que a prática já demonstra diariamente. “O exercício físico não age só no corpo. Ele reorganiza o cérebro, melhora a forma como a pessoa lida com emoções e cria um estado mental mais estável. Quando falamos de saúde mental, não dá mais para separar movimento e cuidado emocional”, afirma.

Neurociência do exercício e os neurotransmissores do bem-estar
Durante a prática de exercícios físicos, o cérebro entra em um estado de intensa atividade bioquímica. O aumento do fluxo sanguíneo cerebral favorece a oxigenação e a nutrição dos neurônios, ao mesmo tempo em que ocorre a liberação e a regulação de neurotransmissores diretamente ligados às emoções, à motivação e ao prazer.

Exercícios físicos: bem-estar
Exercício físico é qualidade de vida e bem-estar - Foto: Canva

Neurotransmissores e Emoções
•   Endorfina: associada à redução da dor e à sensação de bem-estar
•   Serotonina: regula humor, ansiedade e estabilidade emocional
•   Dopamina: relacionada à motivação, recompensa e prazer
•   Noradrenalina: atua na atenção, foco e resposta ao estresse
•   BDNF: fator neurotrófico essencial para memória, aprendizagem e plasticidade cerebral
•   Cortisol: níveis reduzidos com o exercício ajudam a controlar o estresse crônico

De acordo com Elton Alves, o impacto desses neurotransmissores explica por que o exercício funciona como um regulador emocional natural. “Quando a pessoa treina com regularidade, o cérebro aprende a funcionar em outro padrão. Há uma menor tendência a picos de estresse e maior estabilidade emocional”, afirma.

Por que o exercício físico melhora a saúde mental
O exercício atua em múltiplas frentes simultaneamente. No nível biológico, estimula a neurogênese, especialmente no hipocampo, região ligada à memória e ao humor, além de aumentar a produção de BDNF, fundamental para a saúde cerebral. No nível psicológico, fortalece a percepção de capacidade, autonomia e autoestima. No social, combate o isolamento.

“Elas começam pequenas, como sair para caminhar, e viram grandes conquistas. Cada treino realizado reforça no cérebro a ideia de progresso. Isso é poderoso para quem lida com ansiedade ou desânimo”, destaca Elton Alves.

A conquista de metas simples, como manter uma rotina semanal ou evoluir gradualmente em força e resistência, ativa circuitos de recompensa dopaminérgica. Esse mecanismo ensina o cérebro a associar esforço a sensações positivas, criando um ciclo virtuoso de motivação e constância.

Socialização, pertencimento e saúde emocional
Atividades físicas realizadas em grupo, em academias, parques ou espaços públicos, ampliam ainda mais os benefícios emocionais. A interação social funciona como fator protetivo contra a depressão e o isolamento, fortalecendo vínculos e promovendo sensação de pertencimento.

“O treino em grupo ajuda muita gente a não desistir. A pessoa cria laços, se sente parte de algo maior e isso impacta diretamente o emocional”, afirma o profissional.

Exercícios ao ar livre e luz natural
A prática de exercícios ao ar livre potencializa os efeitos positivos sobre a saúde mental. A exposição à luz natural influencia a síntese de serotonina, contribui para a regulação do ciclo do sono e favorece o equilíbrio do ritmo biológico.

Exercício ao ar livre
A prática de exercícios ao ar livre potencializa os efeitos positivos sobre a saúde mental - Foto: Canva

“Treinar ao ar livre muda o estado mental. A luz natural, o ambiente e o contato com a natureza reduzem o estresse e melhoram o humor de forma perceptível”, observa Elton Alves.
Quais exercícios são mais eficazes para a saúde mental

Pesquisas indicam que diferentes modalidades geram benefícios específicos:
•   Exercícios aeróbicos, como caminhada rápida, corrida, ciclismo, natação e dança, são altamente eficazes na redução da ansiedade e na melhora do humor.
•   Treinamento de força contribui para o aumento da autoestima, da percepção de controle sobre o corpo e da regulação hormonal ligada ao estresse.
•   Exercícios mind-body, como yoga e tai chi, combinam movimento, respiração e atenção plena, auxiliando na redução da ansiedade e na regulação emocional.

“O melhor exercício para a saúde mental é aquele que a pessoa consegue manter. Regularidade é mais importante do que intensidade extrema”, reforça Elton Alves.
Exercício, terapia e medicação

Exercício, terapia e medicação
A ciência é clara ao afirmar que o exercício físico não substitui acompanhamento médico ou psicológico em casos graves. No entanto, ele se apresenta como uma das ferramentas mais acessíveis, eficazes e preventivas para a saúde mental, podendo atuar de forma complementar ou, em alguns casos, de maneira autônoma em quadros leves.

No contexto do Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental, o exercício físico surge não apenas como recomendação, mas como estratégia contínua de cuidado emocional.

A prática regular de atividade física reorganiza o cérebro, fortalece emoções positivas, melhora relações sociais e promove qualidade de vida. Mais do que mover o corpo, exercitar-se é hoje um dos caminhos mais consistentes e cientificamente respaldados para cuidar da mente.
 



Ative o seu modo fit e viva mais leve
A coluna Modo Fit é escrita pelo jornalista Jademilson Silva, que traz, a cada semana, um tema discutido com um especialista diferente. Publicada no portal da Folha de Pernambuco, a coluna é voltada para quem busca bem-estar e qualidade de vida. Os assuntos incluem dicas de treino, nutrição, suplementação, equilíbrio emocional, movimento consciente, terapias integrativas, além de novidades e eventos do universo fitness e wellness. Contato: [email protected] | Instagram: @jademilsonsilva

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