A importância do valor da humanização nas atividades econômicas (III)

O retrocesso educacional diante da obsessão de executar a maior das prioridades

Pixabay

Em certas situações, pior do que profanar o segredo é insistir no erro de sacralizar o profano. Para servir de norte para o bom entendedor, vou direto ao assunto: nada mais cruel do que por a Educação sob fogo cerrado, no intuito de condicioná-la a rígidos valores ideológicos, entre os quais, algum nível de supremacismo teocrático. Pois é, justo no momento em que precisamos da urgência numa formação mais comprometida com a humanização, em todas as áreas do conhecimento científico, a política educacional de hoje se apega a preceitos que faziam sucesso séculos atrás.

Quando, no primeiro texto desta série, propus-me a falar da recuperação de um processo de desenvolvimento, capaz de impregnar o mais basilar dos compromissos civilizatórios, precisava consolidar minha tese mais emergente para enfrentar o auge do "estado de idiotismo", conforme fez referência Nelson Rodrigues. De fato, quis enfatizar que a humanização que se faz tão necessária nesses tempos de violência e morticínio gratuitos, representa algo fortemente correlacionado com a educação. É lógico que esse nível de compromisso exige dos educadores ética e respeito. Atributos absolutamente necessários, na intenção de que sejam transmitidos para os seus discípulos as razões e consequências das tantas diversidades que explicam o Brasil. Impor a supremacia de distintas ideologias não condiz com o sentimento democrático que está claramente evidenciado na nossa carta magna.

Parece-me, francamente, que os brasileiros mais racionais estão  diante de um impasse que só dá audiência para uma polarização indigesta. Uma questão prioritária e vital como a educação, se já não era antes tratada com sua devida importância, passou a ser encarada por uma ética tendenciosa, que se pauta pela aplicação de ideologias e religiões, sem qualquer consideração aos valores democráticos. Não são mais respeitadas as distintas linhas de pensamento. Nem muito menos o compromisso com um Estado laico. Mais uma violação da Constituição tão jurada de amores nas posses políticas. E que atinge em cheio as políticas educacionais.

Assim, enquanto tudo isso acontece a olhos vistos, seguem firmes o emburrecido e a negligência. A primeira condição, pela incapacidade de se reconhecer tantas experiências de sensatez e equilíbrio, quando o assunto é entender que a divergência de ideias é causa natural da democracia. E não poderia ser diferente na formação educacional. A segunda condição, por conta da capacidade de se conquistar perdas sistemáticas de oportunidades, justo nos momentos de tantos desequilíbrios. Em síntese, os ideais supremacistas empurram a educação para uma piora na onda da mesmice, em vez de trazer à tona o papel fundamental da educação de hoje: humanizar.

Há tempo estou convencido de que para tratar do desenvolvimento econômico e melhorar a distribuição de renda é preciso ter a educação como a fortaleza. E como pilares naturais para a sustentação desse processo os valores ambientais e culturais.

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