As atividades econômicas resistirão às práticas virtuais?

As atividades econômicas resistirão às práticas virtuais? - Ilustração: Greg / Editoria de Artes / Folha de Pernambuco

Na coluna da sexta-feira, enumerei alguns aspectos de desdobramentos econômicos, que já começaram a ser extraídos como lições da pandemia. Os três primeiros listados dizem respeito às práticas virtuais, se não inéditas, poderia dizer que iniciantes. Tratarei de comentá-las agora.

Home office, educação a distância e eventos culturais, turísticos e corporativos em plataformas digitais, são agora situações que se impuseram ao cotidiano econômico, entre a certeza do inevitável e a dúvida do sustentável. Essas decisões não representam quaisquer novidades, pois mesmo que em pequena escala, tais ofícios estavam em desenvolvimento. Por força da adversidade, foram atividades ampliadas. Resta-nos saber até que ponto numa retomada, ou mesmo, numa possibilidade de  estabilidade econômica, essas tendências pelos modelos "não presenciais" se consolidam. Ou mesmo, ocupam espaços de modo permanente.

Como se intitula a coluna: nem 8, nem 80. O trabalho em casa pode permitir o mérito da redução de custos numa realidade de crise, mas não elimina daquelas funções mais interpessoais o contato direto. No ensino, embora seja plausível por vários aspectos os avanços que podem ser considerados com a individualização promovida pelo viés virtual, nada substitui o contato direto professor-aluno e os atos decorrentes dessa relação. Por fim, congressos profissionais, feiras, festivais e muitas produções culturais são negócios que dependem de contatos presenciais, do olho no olho. Enfim, pode-se dizer que a pandemia trouxe lições assimiláveis, que exigem sensatez e equilíbrio na tomada de decisão que impacta sobre cada "matriz econômica". Assim sendo, a velha racionalidade que passa pelo crivo econômico de controlar custos e maximizar as receitas, assume nova roupagem ao se avaliar os impactos entre o que pode ser virtual ou presencial.

PACTO GLOBAL > De acordo com informações  da Secretaria-Geral da ONU, tem aumentado o número de empresas que têm aderido ao Pacto Global da entidade, em virtude da pandemia. Criado na gestão Kofi Annan (1999), esse acordo resulta no compromisso das corporações privadas com um modelo de desenvolvimento sustentável, no qual haja preservação ambiental, inclusão de minorias e melhoria na distribuição de renda. A Rede Brasil, que atua a favor deste Pacto, tem notado um substancial aumento do interesse de CEO's das empresas nacionais em contribuírem para esse fim. De fato, de um estoque pré-pandemia de menos de 5 anos (de 1915 a março/20 foram  850 participantes), mais de 100 novas solicitações se deram em 4 meses. Uma tendência mundial que internamente sinaliza para uma realidade empresarial mais consciente do seu papel.

CONTAS PÚBLICAS > Preocupante o cenário das contas públicas para 2021.  As pressões pela revisão do teto de gastos, um avanço econômico da gestão Temer, geram transtornos. Tirar de rota esse compromisso, por preocupações políticas com gastos sociais e investimentos de infraestrutura não planejados, é desconsiderar o aumento do déficit de 76% para 95% do PIB (19/20) e a queda de arrecadação. Assim, não haverá como segurar a taxa Selic, além de uma inevitável desvalorização cambial.