O Humanismo Inspirador de Oz e Stiglitz

O primeiro é um israelense ativista da paz. O segundo é um economista americano

Alfredo Bertini, economista e colunista da Folha de Pernambuco - Acácio Pinheiro/MinC

Peço ao leitor surpreso que não se assuste com este título. É que a coluna de hoje traz uma inspiração diferenciada, amparada nas percepções de mundo de dois respeitados pensadores. 

O primeiro é um israelense ativista da paz, que se consagrou como escritor e romancista: Amós Oz. O segundo, Joseph Stiglitz, é um economista americano, ganhador do Nobel, reconhecido como um experimentado acadêmico, que transitou pelos mais influentes departamentos de Economia, vinculados às universidades dos EUA.

A conexão que aqui faço entre ambos vai além das minhas modestas intuições. Essas, como de práxis, apenas movidas pela intenção particular de me informar e também me atualizar. Assim, deparei-me, nesta semana que finda, com a leitura de um clássico de Oz (o livro Como Curar um Fanático) e com uma oportuna entrevista de Stiglitz (Roda Viva / TV Cultura). 

Do extrato de cada um, meu pensamento só pode me guiar, entre outros consensos possíveis entre ambos, para um contexto que me mostra algo muito especial: a importância de "se harmonizar" nas intenções, através do "se humanizar" nas intervenções. Claro que esse foco na abordagem tem tudo a ver com a Economia,  no mundo e aqui no Brasil. Afinal, expectativas e sintomas imediatos mantêm causalidades na conjuntura econômica, da mesma forma com que velhos conceitos e tabus estruturais são também afetados.

Assim, preocupado com os riscos econômicos de extensão dessa nova guerra árabe-israelense, aprofundei-me, inicialmente, no entendimento da razão de tanta longevidade conflituosa. Sem ir a fundo nas velhas razões que se perdem no tempo, quero aqui levar em conta apenas os graves impactos econômicos, que emergiram a partir da criação do Estado de Israel, em 1948.

Faço essa referência pelo peso especial que foi, gradualmente, sentido na economia, devido aos efeitos desses embates, em particular sobre os preços do petróleo. Dito isso e diante do caos socioeconômico ditado por situações de inflação, desemprego e os problemas vinculados, a crise ganhou notoriedade. Mas meu incômodo em todo esse contexto é não entender o porquê das lideranças políticas representativas insistirem tanto nas saídas confrontacionistas.

O sentimento de Oz está justamente no mérito de apontar para a exacerbação do ódio extremo como motivo maior de reações tão agressivas. Para isso, todos os meios se justificam para se impor uma ideias. Não há compromisso algum em focar no equilíbrio, típico de um ativismo pacifista. Isso se chama fanatismo, para o qual a decisão pela cura representa o desafio (mesmo que utópico) de encontrar, nos extremos antagônicos, quem são os agentes racionais que ainda apostam no entendimento. Afinal, qualquer má iniciativa só se derrota com o argumento de outra iniciativa que seja melhor. Por não crer na infinitude das distopias, junto-me a Oz nas apostas que faz em algum grau de racionalidade tangível dentro dos extremos.

Por sua vez, a entrevista de Stiglitz reforçou suas teorias que, na essência, revelam algumas preocupações estruturais, sobretudo no campo das desigualdades. O título de um dos seus livros mais consagrados é justamente "O Preço da Desigualdade". Penso que muito do que está por detrás de tantos conflitos é o tratamento desigual. E, hoje, na escalada de uma polarização rancorosa, com exacerbação do ódio, não há como negar o preço - alto - que se tem a pagar.

Que minha reflexão sobres esses autores também ajudem ao leitor a tentar o mesmo. Acho oportuno.

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