O Pentágono das Transformações Necessárias (Parte II)

As Transições Econômica, Social, Ambiental, Demográfica e Digital Pedem Passagem

Alfredo Bertini - Arthur de Souza/Arquivo Folha

Na coluna passada, fiz a defesa geral do que tratei como a urgência de se avançar na solução do "pentágono das transformações" . Pelo fato do País viver sob o domínio de cinco transições, todo esforço por encaminhamentos e definições tem sua utilidade.

A primeira grande transformação tem na expressão da transição econômica um enorme significado. Saber usar a dose certa está por trás do sucesso de uma transição econômica, onde no bojo dela se entenda que uma política social bem definida representa gasto aceitável. O que não se pode tolerar é o desperdício de gastos governamentais que não são estratégicos, justo por não trazerem benefícios sociais e identitários. O que se espera é a certeza de um conceito e de uma prática, nos quais se opere com um Estado organizado e efetivo. Essa é a real roupagem para os que tratam o papel do Estado como relevante e indutor. Justo para o padrão de desenvolvimento que se pretende como sustentável. 

A transição social parece ser um desafio maior,  tamanho é o espectro das desigualdades que guiam esse histórico de "apartheid", com cara e jeito de Brasil. Encarar o desafio de inserir o respeito à diversidade no modelo, passou a ser uma regra basilar, quando  a meta é avançar. Não há ambiente para os preconceitos estruturais de cor, raça, gênero e escolha sexual. O humanismo, a empatia e demais valores que estejam nessa sintonia, contribuem para brecar toda insistência por atitudes dissimuladas de parte da sociedade brasileira. Afinal, quando não agem de modo direto contra a inclusão social, atuam por meio de subterfúgios ou disfarces, para que esse lado da transição não alcance a transformação.

Um terceiro aspecto trata do compromisso com o sustentável, pela ótica da preservação ambiental. É inacreditável e injustificável que ainda se tenha ruídos na sociedade de que a causa ambiental seja uma tolice. Não constatar a evidência dos últimos estresses climáticos e daí não se perceber num ambiente onde algo de errado está no ar (além do espectro cinza das queimadas), só pode parecer posturas de ideologias estúpidas, amorfas e sectárias. Ainda bem que indivíduos e empresas antes céticas, já começaram a notar que o rigor da sustentabilidade passa por iniciativas respeitosas quanto à preservação ambiental. Afinal, essa percepção tem muitos dos desdobramentos econômicos de um futuro, que já se antecipou na forma de tomadas de decisões para hoje.

Outro lado a considerar está no plano demográfico, cujo exercício da sua mais relevante transição está nos efeitos econômicos gerados pela passagem de uma sociedade para o estágio da maturidade etária. É preciso assimilar o desafio de que um novo perfil de População Economicamente Ativa (PEA), faz-se presente para sustentar uma faixa etária mais envelhecida. Exemplo? O peso do impacto previdenciário é fato, tanto quanto uma menor sobrecarga sobre a educação básica, o que parece bom para o repensar da educação. 

Por fim, vale dar destaque à transição de um movimento muito rápido de transformação,  que se dá entre os universos analógicos e digitais. Se há o desafio da própria velocidade, com a qual se processa as mudanças generalizadas, a preocupação deriva agora da qualificação técnica dos recursos humanos para efeito de saberem exercer suas competências. Com conhecimento,  informação, ética e expressividade.

O Pentágono está aí alinhado. Como disse no texto anterior, a senha de acesso às transformações tem um termo único: educação.

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