Por que da insistência com a incerteza?
Riscos fazem parte da cena econômica, mas podem ser controlados
Neste espaço no qual exercito algumas crônicas econômicas, encerrei 2025, com a velha insistência de não perder de vista um outro modo que exprime o real senso patriótico. Um ofício que apela para um olhar diferente, de um Brasil compronetido com seus melhores valores. Os que podem garantir um inovador e renovado padrão de desenvolvimento. Com isso, voltei a bater na tecla da maior de todas as causas: pensar num outro país, que encontre seu próprio rumo. Algo conquistado a partir da sua identidade, da qualidade na formação dos seus cidadãos e no seu ativo ambiental. Isso é um bom começo.
O danado é que a maior parte dos nossos agentes econômicos segue na velha miopia, que por não ser tratada, continua incapaz de enxergar além da ponta do nariz. Sai ano e entra ano e o "mundinho econômico" parece depender apenas das decisões "da Faria Lima", sobejamente, atenta ao que dita o COPOM, nos gabinetes do Banco Central. Enquanto tanta entropia é desperdiçada com essa estratégia, perde-se o jato da real transformação e o país segue levado pela lerdeza do velho bonde. Do nada, para lugar algum.
Nessa batida, mais uma vez, sinto-me integrado ao modesto time dos velhos sonhadores, mesmo que tente operar essa minha utopia de um jeito mais realista. Mas, não há como não confessar minha desconfiança, quando vejo o cronômetro atuar em favor de um novo ano, sem que sinais de mudança sejam postos em evidência. A operação de sempre vem à tona. E tome expectativas com ensaios de pessimismo, embates infrutíferos sobre o descontrole fiscal e perspectivas de manutenção de um quadro monetário resistente à baixa dos juros. Não obstante essa ladainha desse velho tecnicismo, de não mudar o olhar sobre a economia, segue-se com o velho tempero de um processo político que não colabora com a mudança. Isso numa linha que vai das barganhas eleitoreiras surreais até os exageros de ideologias extremas. E num ano de eleições que já apontam para quadros conflituosos em vários níveis, nada a esperar. Nem mesmo de um debate político, do qual se permitisse extrair essa "virada técnica", justo no modo do repensar o Brasil.
Nesse contexto o que propera, sobretudo, em cada virada de ano, é a dose de incerteza quanto ao desempenho da economia. Não adianta aqui trazer números que revelem, na realidade atual, resultados além do esperado, dada a estrutura econômica atual. Também, parece não ser exequível, nessa repetição de cenário e com tanto acirramento politico, falar de algo novo, enquanto estratégia e modelo para rever o nivel de desenvolvimento desejado. Enfim, parece improdutivo dizer que a incerteza poderia ser melhor controlada e que repensar o país é imprescindível.
Não há problema de ser poético num ambiente técnico. Meu lapso de esperança é por projetar um desenvolvimento que se reflita no bem-estar e na felicidade de uma nação. Como diria Mário Quintana: "se for para ser feliz, que se busque o tempo todo".



