Volatilidade ou solidez?
Quando os embates econômicos assumem seus limites extremos
Na essência científica dada pela Química, o volátil é tudo aquilo que evapora com rapidez. Na Economia, diz-se de algo que altera estado e valor, também de modo rápido. Para meu alcance conceitual por aqui, permita-me o leitor que não me cabe nem um e nem outro. Ou, para manter o espírito da coluna: nem 8, nem 80. Irei explicar essa minha ansiedade, por também querer entender un certo padrão lógico.
Alheio às questões semânticas, penso agora na velha discussão do que trata a teoria macroeconômica sobre essas tais "expectativas dos mercados". Geralmente, mais afeitas à volatilidade, do que qualquer prenúncio de solidez. E não só os ativos econômicos se submetem a tamanho rigor e pragmatismo. O danado mesmo é que as ideias precípuas ou meras opiniões, seguem tão fluidas quanto. Ou seja, em dadas situações, por mais que a realidade da conjuntura econômica emita sinais sólidos, há quem só dê vozes e ouvidos para o contrário. Daí se extrai o esplendor de uma tal especulação, que mais parece uma "realeza absolutista". Senhora do destino.
Onde quero chegar? Bem, reitero o que já disse inúmeras vezes nesta coluna: não há motivos palpáveis, que façam da economia brasileira hoje, um objeto de desconfiança ou descrédito. A lamentar que a cena política atual não compactue com a sensatez e o quilibrio analíticos. Por mais respeito que possa dar às teses contrárias, julgo que, com base nos resultados alcançados, fosse qualquer outro o governo, tanto os mercados ou uma boa parte da elite econômica, estariam por comemorar.
Qualquer olhar criterioso, dado pelos rigores teóricos e práticos, não dispensa as evidências estatísticas que expressam o grau de equilíbrio macroeconômico e o quadro satisfatório das politicas sociais. Do controle inflacionário, mantido dentro da meta, até os resultados colhidos no mercado de trabalho (geração de empregos e redução do desemprego, por exemplo), os indicadores estão dentro de um parâmetro de satisfação. Setor externo? Não há sobressaltos cambiais, nem mesmo um comprometimento das exportações, mesmo depois do choque tarifário insano de Trump. A própria sustentação da taxa de juros no nível de 15%, apesar de merecedora de uma discreta revisão para baixo, também expressa uma preocupação com o controle monetário. Mas, provocariam os críticos: cadê o rigor da política fiscal diante da fragilidade das contas públicas? Bem, uma questão de cunho estrutural como essa, sequer foi enfrentada com a voracidade que querem os críticos de hoje, porque nas circunstâncias das políticas econômicas de outros governos, os avanços agora exaltados não tiveram o devido fôlego, tal e qual a cobrança atual.
Noutras palavras, quando a economia está anestesiada por embates econômicos extremos, o volátil assume o sentido de "alçar voo". E, por mais discutível que seja certa tese marxista, "o sólido se desmanha no ar". No acirramento da disputa política, a mínima realidade que a economia conquista, só confirma que a volatilidade que deriva de especulações, sempre se impõe diante da mais evidente solidez.



