Energia Solar em condomínios: Solução em economia ou dor de cabeça?
Uma decisão estratégica com impacto contínuo
A título de curiosidade, diferentemente de outras coisas, ninguém inventou a Eletricidade, já que ela é um evento natural. Mas teve gente lá trás que conseguiu observar a sua existência. O primeiro foi Tales de Mileto, na Grécia Antiga, quando esfregou um âmbar e ele atraiu pequeninos objetos. Inclusive, Elektron (que mais tarde se transforma no latim Electricus), é âmbar em Grego.
A gente enquanto humano sempre tentou controlar as coisas naturais e canalizá-las em nosso benefício. E foi assim também com a eletricidade, não sendo diferente também nos condomínios.
Ora, se eu tenho uma boa área de cobertura, com grande incidência solar, por que não aproveitar isso e gerar energia limpa, barata e renovável? É a pergunta que não admite resposta negativa. Pelo menos para os bons gestores.
Mas, antes de adentrar na coisa em si, temos que entender que hoje os condomínios concentram até milhares de pessoas em suas áreas, consumindo vários quilowatts nos espaços comuns, sendo esse gasto um grande custo na taxa condominial. Com o problema vem a solução. O mercado de energia desenhou três negócios mais conhecidos para vender a ideia da energia solar pros condomínios.
O primeiro e mais tradicional, é aquele em que o prédio compra as placas e instala nas suas coberturas, após um minucioso estudo sobre incidência do sol, capacidade de suportar peso na estrutura, entre outros. Neste caso, a energia gerada vira crédito na Concessionária, quase zerando a conta, já que ainda deve ser paga uma taxa simbólica por medidor e também a contribuição de iluminação pública. Em suma, a redução é de mais de 95%.
O outro formato é o de aluguel de fazenda de energia. Em outras palavras, o condomínio aluga um terreno, instala as placas e a dinâmica segue a mesma do método mais tradicional: gero créditos e uso. Lembrando que nas duas o crédito se acumula. É que nem a gente, juntamos dinheiro em épocas mais abastadas para gastar em épocas mais magras. É acumular no verão e gastar no inverno.
O terceiro modo representa uma economia bem menor, cerca de 20% da conta, mas também não tem nenhum investimento. Consiste na contratação de uma empresa que vende energia direta e ela faz a intermediação com a Concessionária, te cobrando depois um valor parcial. Essa diferença é a sua economia. É acessível, mas só vive o extraordinário quem se arrisca, por isso a economia é muito menor.
Agora, como essa coluna não é só de bate-papo, mas também informativa, vamos verticalizar e aprofundar na opção mais utilizada: a instalação das placas na cobertura.
A primeira pergunta que sempre ouço é se o prédio aguenta o peso. É lógico que tudo isso é alvo de estudos, mas a estrutura das placas é muito leve quando comparada com a robustez da alvenaria do prédio. Não há, inclusive, registros de estruturas de prédios colapsadas nesse sentido.
A outra questão é se a manutenção é cara. E não, não é. Cerca de dois salários mínimos por ano é o suficiente para solucionar esse ponto. Quando divide por todos, fica bem acessível.
E quanto tempo dura? A eficiência das placas vai caindo com o tempo, mas muitos sistemas registram boas gerações mesmo com 25 anos de uso. Então é sim algo duradouro!
Agora, atenção! Ainda existe uma formalidade para a instalação: é preciso sempre aprovar a compra e o serviço em assembleia devidamente convocada. Ou seja, o síndico, independentemente da modalidade da energia solar, não pode decidir sozinho sobre o assunto.
E, por fim, o mais importante. Isso de energia solar em condomínios é que nem começar a fazer exercício ou se alimentar melhor, quando passa o tempo e o resultado aparece, você se pergunta: por que não comecei antes?



