Quando foi que esquecemos que elevador é transporte?
Elevadores também transportam vidas: exigem cuidado, gestão e responsabilidade.
Na quinta-feira da semana passada, acordamos no susto com a notícia de que um elevador tinha despencado do nono andar até o térreo de um empresarial no bairro de Boa Viagem, com sete pessoas, sendo uma grávida de seis meses e outra recém operada.
O acidente teve quatro pessoas feridas. E com certeza todas traumatizadas, já que um dos ocupantes afirmou em reportagem que a queda contou com aceleração progressiva, ou seja, sem sistemas de frenagem operando.
Ouvido o condomínio, o representante jurídico afirmou que o acidente ocorreu por “falta de educação dos usuários”, já que supostamente entraram 12 pessoas no elevador. Versão contestada pelos ocupantes e pela própria foto do momento do resgate. Coisas a serem apuradas mais tarde por quem deve fazer esse trabalho.
Já o meu aqui é trazer a seguinte provocação abaixo.
Quando pego meu carro pra viajar, me preocupo se ele está bem, se está tudo “nos conformes”, se ele não vai me deixar na mão. O mesmo eu faço quando pego um barco (que não é meu, por óbvio), pergunto logo pro dono: “tá tudo direitinho aí?”. Já no caso do voo, não perguntamos, mas pensamos se todos os mecânicos tiveram uma boa noite de sono ou se o fato de terem dormido pouco pode fazer com que esqueçam de apertar aquele parafuso importante. Faço isso porque tudo é transporte. E transporte é perigoso. Risco que sempre advém do básico: se deslocar do ponto A ao ponto B.
Quando falamos de elevador, esse negocinho que nos leva do térreo para o 7º andar, parece que a gente entra na cabine e como mágica estamos na porta de casa, mas não, a gente se deslocou, só que verticalmente, enquanto mexia no celular ou comentava com alguém sobre essas chuvas estranhas que Recife vem recebendo.
A lembrança de que elevador é transporte deve ser algo sempre vivo nos síndicos. É isso que vai fazer com que o gestor proceda com esses cuidados aqui:
1. Guardar todos os projetos, documentos, licenças e manuais dos elevadores;
2. Pesquisar no mercado condominial empresas sérias e capacitadas;
3. Se atentar aos parâmetros da permanência da garantia dos equipamentos;
4. Analisar o contrato a ser assinado, observando se possui previsão das manutenções preventivas, corretivas e emergenciais. Também analisar a viabilidade de inserir as peças já no preço global;
5. Treinar a equipe para o acionamento dos contatos de emergência e,
6. Sempre conscientizar os moradores sobre o uso correto do equipamento, respeitando o peso máximo.
Fora isso, temos a importantíssima obrigação legal da observância da Lei Miguel, que proíbe o trânsito de crianças desacompanhadas nos elevadores e obriga a exposição do aviso em local visível dentro da cabine.
Em resumo, elevador é coisa séria e deve ser tratado como um assunto prioritário no condomínio, partilhando sempre as decisões com o Conselho Fiscal e/ou Consultivo, bem como com a coletividade nas Assembleias, afinal, tudo de mais importante está dentro daquela cabine: a vida.



