Aprendizados de uma professora alfabetizadora na pandemia

Professora Rebeca Simões - Arquivo Pessoal

Como professora alfabetizadora, a professora Rebeca Simões sempre empreende várias atividades e jogos com o foco em estimular os primeiros passos do processo de letramento. Na pandemia, precisou se reinventar.

“O uso de atividades lúdicas é uma proposta que eu defendo em sala de aula. Com a suspensão das aulas presenciais em março de 2020, minha grande preocupação era como garantir os direitos de aprendizagem das crianças num modelo remoto de interação. Então, sugeri às famílias que incentivassem a interação família e criança através da leitura, musicalização, jogos de tabuleiro e brincadeiras, sempre valorizando o uso de materiais que facilmente encontramos em casa como rolos de papel higiênico, potes vazios e tampas de garrafa”, explicou a professora.

Não foi um trabalho fácil, mas com cuidado e afinco, Rebeca obteve êxitos e lições. “Houve, a princípio, uma rejeição e desconfiança por parte das famílias por elas entenderem que a aprendizagem só seria possível através das “fichas de atividade”. Percebi nesse momento que era preciso fazer um trabalho de acolhimento e esclarecimento pedagógico. Comecei a produzir podcasts onde eu tento explicar, numa linguagem bem simples, de como se dá a aprendizagem na Educação Infantil e a importância das interações com a criança durante o processo de alfabetização’, contou.

Rebeca em sala de aula | Arquivo Pessoal

“Aprendi que a relação família e escola deve ser mais humanizada, o diálogo é fundamental para a aprendizagem das crianças não deve ficar limitado a informes técnicos sobre os avanços das crianças. Como mãe, professora e com um olhar pedagógico voltado para a infância e na dinâmica das relações no ambiente doméstico, entendo que as atividades sugeridas devem estar intimamente ligadas a rotina das famílias. É mais fácil preparar um bolo com a criança explicando o valor pedagógico desse momento do que sugerindo fichas de atividade, que muitas vezes, necessitam de um saber pedagógico e de uma sequência didática para que ela tenha significado para as crianças”, conclui.

Quanto ao tão esperado retorno, Rebeca espera que não ocorra uma corrida para recuperar conteúdos e dias letivos. Ela defende que a prioridade seja o acolhimento de todos que fazem a comunidade escolar e haja um foco no bem-estar e saúde mental. “Primeiro vamos ter que nos adaptar a mais um “novo normal”, depois avaliar onde as crianças estão, quanto a níveis de aprendizagem, em seguida formular estratégias que promovam o avanço, lembrando que esse modelo deverá perpassar todas as etapas da Educação Infantil e Anos Iniciais”, finaliza.

 

Arrebentou, Rebeca!

 

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