Cães e gatos braquicefálicos exigem cuidados diferenciados

Buldogue Francês é uma das raças mais populares entre os caninos com essa característica - Pixabay

Eles são famosos pelo focinho achatado, olhos grandes e, por vezes, arregalados, além de poderem apresentar um “ronquinho” bem característico. Nos últimos anos, os cães braquicefálicos viraram verdadeira coqueluche entre os brasileiros. Algumas raças que fazem parte desse grupo são Pug, Buldogue Inglês, Buldogue Francês, Boston Terrier, Pequinês, Dogue de Bordeaux, Shih Tzu e Boxer, entre tantas outras. Embora o termo braquicefálico tenha se popularizado através dos caninos, essa é uma característica também vista em algumas raças de gatos, sendo a mais simbólica delas a Persa. 

Esses pets costumam desfilar fofura e carisma. Mas essas carinhas de amolecer qualquer coração escondem peculiaridades que exigem atenção redobrada. Os cães e gatos com focinhos achatados são oriundos de mutações genéticas ocasionadas pela interferência do homem na reprodução seletiva. As teorias mais fortes dão conta que os objetivos primários eram desenvolver um animal com o focinho e o maxilar com proporções mais alinhadas ao corpo. Para tal, a mandíbula seria mantida no mesmo tamanho, enquanto a maxila seria encurtada.

O resultado, porém, mexeu não só com a estética. Os processos geraram alterações importantes na anatomia desses animais, que são objetos constantes de pesquisas ao redor do mundo em busca de detalhamentos acerca das suas origens. A principal consequência dessas mudanças é a síndrome braquicefálica, condição na qual o crânio apresenta largura desproporcional ao comprimento e que pode desencadear uma série de problemas. 

Gato PersaGato Persa. Foto: Delia Bertola/Pixabay  

Problemas respiratórios
Entre as alterações anatômicas ligadas à braquicefalia, estão a estenose das narinas (narinas mais estreitas) e o palato mole (“céu da boca”) prolongado - quando o tecido que separa a cavidade oral da nasal é mais alongado e fica pendurado na garganta. Isso pode acontecer porque a redução da estrutura óssea craniana não foi acompanhada pela parte tecidual, causando uma sobra de pele. As feições mais enrugadas de alguns deles são um exemplo mais perceptível disso visualmente. 

O palato mole prolongado é a origem dos famosos “roncos” ou “assobios” de alguns desses pets e pode causar complicações respiratórias. Outra condição que pode acompanhar esses animais é a hipoplasia traqueal (estreitamento na traqueia), fator também relacionado a uma condição respiratória mais delicada. Por conta desses quadros, não é rara a sensação de que os braquicefálicos estão constantemente ofegantes. 

Cães braquicefálicosBoxer, Pug e Dogue de Bordeaux. Fotos: Pixabay 

Intolerância ao calor
A respiração é fundamental para que os pets façam a troca de calor adequada e controlem a temperatura corporal. Como os braquicefálicos têm uma dificuldade na respiração, esse processo nem sempre é feito satisfatoriamente. Por isso, eles não são suportam exposição prolongada ao sol e nem a ambientes abafados, com pouca ventilação.

O perigo de não conseguirem realizar a termorregulação é sofrerem um quadro de hipertermia - um superaquecimento do organismo que pode levar ao óbito. Então, em locais mais quentes e secos, o consumo de água deve ser estimulado constantemente, além de outras alternativas que ajudem na hidratação. O frio extremo também não é aconselhado, assim como passeios e brincadeiras extenuantes. 

Olhos mais vulneráveis 
Com o encurtamento do focinho, o osso que acomoda a órbita ocular é mais raso e, por isso, a sensação de os olhos serem saltados. Cães das raças Pug e Shih Tzu e os gatos Persa e Exótico são os que mais chamam atenção nesse aspecto. Essa formação genética aumenta o risco de deslocamento ocular. Fora isso, as pálpebras nem sempre os envolvem corretamente, gerando maior predisposição a ressecamento e ulcerações.

O encurtamento da glândula lacrimal, por sua vez, dificulta o escoamento adequado. Um sinal disso são as manchas de coloração marrom que podem aparecer. Uma dica é sempre lavar os olhos desses animais com soro fisiológico e, dependendo do quadro, o veterinário pode indicar lubrificantes oculares apropriados. 

Gato Exótico, também conhecido como ShorthairO gato Exótico, também conhecido como Shorthair, tem características semelhantes ao Persa, porém a pelagem é mais curta. Foto: Robyn Randell/Pixabay

Dentes apinhados
Os braquicefálicos possuem a mesma quantidade de dentes dos outros cães e gatos. No entanto o encurtamento do focinho deles diminui o espaço para a distribuição dos dentes, que se acomodam desordenadamente. O apinhamento favorece o acúmulo de tártaro, fazendo que eles manifestem problemas periodontais de forma precoce. 

Pet da raça Shih Tzu Shih Tzu é uma das raças que mais apresenta dentes apinhados. Foto: Cesar_Abud/Pixabay 

Cuidado com avião
Em geral, viagens aéreas não são os passeios preferidos dos pets. E, para os cães e gatos de focinho achatado, esses deslocamentos podem significar riscos. Ao serem expostos ao estresse, eles passam a respirar mais pela boca e acabam não fazendo a filtragem adequada do ar. É que, quando inspirado pelo nariz, o ar passa por uma filtragem antes de invadir o organismo. Sem esse processo, no ambiente frio e seco de uma aeronave, eles podem ter problemas como cianoses, desmaios e paradas cardíacas e respiratórias.

Por causa dos riscos mais elevados, algumas companhias aéreas têm regras diferenciadas no transporte dos braquicefálicos. Antes de fazer as malas do seu pet, portanto, o mais indicado é submetê-lo a uma avaliação clínica. 

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Anestesia

Exames e consultas pré-operatórias são fundamentais para qualquer animal, mas, para eles, é ainda mais necessária uma análise detalhada do trato respiratório, sobretudo se houver estreitamento na traqueia. Essa checagem vai determinar, por exemplo, se será preciso fazer reforço no oxigênio até mesmo antes do procedimento, para garantir maior segurança.

Além disso, o mais indicado é que os braquicefálicos sejam submetidos sempre a anestesias inalatórias, já que a reversão é mais rápida caso surja alguma eventualidade. Mas não precisa ter pânico. Basta procurar um anestesista veterinário para fazer o acompanhamento correto.  

Cães braquicefálicosBuldogue Francês, Boston Terrier, Buldogue e Pequinês. Fotos: Pixabay 

Check ups obrigatórios
Em alguns casos, essas questões congênitas que se tornaram características marcantes dos “pets da cara amassada" são tão delicadas que exigem cirurgias corretivas para melhorar a qualidade de vida deles. Feito esse raio-x, a moral da história é: se você se tem um pet braquicefálico, não deixe de fazer visitas regulares ao veterinário para acompanhar a saúde dele. 

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