Minimalismo e nós

Minimalismo na rotina - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Comecei a ler sobre o minimalismo e acho que minha educação foi, em boa parte, pautada nisso, embora nem se cogitasse falar do termo por aqui, até há pouco tempo. Quer dizer, pela origem dos meus pais, advindos de famílias de classe média instruída, porém com recursos materiais restritos, a coisa foi mais no sentido da austeridade financeira, mesmo. Sendo assim, transferiram para nós o sentido da economia nos gastos, sempre pautados pelos critérios da funcionalidade, do não desperdício e da necessidade real. Até hoje, quando idealizo presentear alguém, penso primeiro na utilidade que pode ter aquele bem na vida do amigo, parente, etc. 

O conceito de minimalismo sugere uma filosofia que inspira muito o estilo de vida, mas não cabe aqui estender esta compreensão. Podemos nos contentar com a definição de Gustavo Cerbasi, orientador financeiro, que assim expressou: “Em linhas gerais, o minimalismo envolve práticas de consumo mais enxutas, eficientes e sustentáveis. Quem adota essa linha de consumo evita as compras excessivas e, consequentemente, preserva seu patrimônio”.
Pensando em aplicar algumas orientações às coisas do dia a dia quanto à cozinha, ao comer, ao comprar e armazenar alimentos, podemos começar pela objetividade na elaboração de uma lista de compras com os alimentos que façam parte dos cardápios habituais da família, evitando itens supérfluos que mais atrapalham do que beneficiam, quer seja do ponto de vista da saúde, quer seja na operacionalização de receitas. Quanto aos utensílios, é preciso separar os que têm real utilidade e mantê-los em quantidade que permita o uso racional. Organizar as tampas dos recipientes por tamanho e tipo facilita o uso e evita o “desaparecimento”, tão comum em muitas casas. Desapegar-se de embalagens como potinhos e vidros ajuda a manter o espaço livre de “tralhas”.


A industrialização trouxe um conforto inquestionável, e os equipamentos de cozinha falam disso. Outro dia ouvi uma amiga descrever um negócio que facilita a colocação da goma de tapioca na frigideira, como se fosse a última maravilha do mundo. Esse “bem” custa de 70 a 100 reais e faz apenas isso. Aquelas maquininhas multifuncionais para ralar, picar, moer, etc., têm uma utilidade medonha; porém, em casa com pouca gente, termina sendo mais prático fazer isso manualmente...

Na pandemia tenho sido a faz-tudo da casa. É puxado, mas tem sido bom para “visitar” armários e outros espaços e organizar melhor os objetos com vistas a facilitar a limpeza. Nessa pegada minimalista, encontrei coisas que nem lembrava que possuía - como um jogo novo de chapas de sanduicheira, marmitas “tupperware” de vários tamanhos, capas de botijão de água de 20 litros -quando já troquei para botijões menores há mais de uma década - etc.
Para um “comer minimalista”, a recomendação é elaborar refeições saudáveis, saborosas e simples usando alimentos cultivados de forma consciente e socialmente responsável. Um bom exemplo são os orgânicos, comprados a trabalhadores com formação em agroecologia. E na hora de descartar os resíduos sólidos, priorizar a coleta seletiva por meio de cooperativas que os direcionem à reciclagem.

Sabemos que a qualidade de vida depende muito dos hábitos de consumo, os quais, por sua vez, são fortemente norteados por incentivos da mídia e “equilibrados” por quanto nos conhecemos, em essência. Daí, quanto mais soubermos o que, de fato, nos move, o que importa de verdade para nossas necessidades reais, melhores escolhas faremos. Adotar o minimalismo permite valorizar o que realmente importa, trabalhar a seletividade, evitar a “fadiga de decisão”, disponibilizar mais tempo livre para coisas prazerosas, e por acréscimo, despertar o espírito de doação de objetos a outros, tão mais necessitados do que nós...

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