O carro do ovo e a nutrição

O ovo e seus benefícios nutricionais - Diego Nigro/Arquivo Folha

Se tem uma coisa que, pela sua presença no cotidiano das Cidades já deve ser considerada instituição nacional, é o carro do ovo. Fiz uma busca rápida na internet, mas não consegui informações seguras sobre quando e como teve origem este negócio; já era comum em bairros periféricos de metrópoles a oferta circulante de kombis para a venda de frutas, verduras e ovos. Lembro deste tempo. Em algum momento, a escolha pelo mononegócio dos ovos tornou-se menos trabalhosa e mais lucrativa e, para isso deve ter contribuído significativamente, o aumento do consumo deste alimento por parte dos atletas e praticantes de atividade física. 

Mas o carro do ovo, com toda a sua dinâmica, afeta o humor de muitas pessoas com aquela mensagem repetitiva, emitindo decibéis além do razoável, dando voltas e voltas no quarteirão em horários inconvenientes... A propósito, ouvi esta semana de uma vizinha com filho pequeno que toda vez que ela põe a criança pra dormir, o carro do ovo aparece. Por outro lado, tem gente que se vicia no carro do ovo. Vai saber, o que cabe nesta larga faixa de amplitude dos sentimentos humanos...
Uma coisa temos que reconhecer: o carro do ovo é democrático. Ele serve a gregos e troianos. É o sonho de consumo do pessoal aficionado por comer 20 ovos por dia, e parece vantajoso, também, em termos de custo, comparado às quitandas e supermercados. Tem gente que sai de casa e já deixa seus 10 reais com o porteiro do prédio, caso o carro do ovo passe. Tem gente que se programa para assistir às lives da vez, no horário intermediário à passagem de dois carros dos ovos.

Brincadeiras à parte, o carro do ovo provê o sustento de famílias - sobretudo na pandemia, quando aumentou o desemprego. Para muitas pessoas, a oferta em domicílio otimiza a compra, ainda mais quando virou moda comer vários ovos por dia. Isto se deu quando se reduziu a demonização do consumo frequente de ovos, sob a alegação do aumento no risco para a doença obstrutiva coronariana relacionada ao colesterol.

Do ponto de vista nutricional, é justa a valorização do consumo de ovo. Na clara se encontra a albumina, considerada proteína de excelente valor biológico; na gema, encontram-se outras proteínas, gordura (colesterol), vitaminas A, D e E, ferro, cálcio, etc. É utilizado na culinária numa vastidão de receitas que vão do simplório ovo frito a sofisticadas preparações. O ovo é, proporcionalmente, a mais barata fonte de proteína animal, se comparado às carnes e laticínios. Criativamente denominado “bife do olhão”, o ovo frito foi quem salvou milhares de famílias nas crises econômicas em que as carnes surgiram do mercado. Até hoje, os ovos entram no enriquecimento nutritivo das dietas hospitalares, sobretudo na recuperação de pessoas com desnutrição, queimaduras extensas, etc.

Para quem escolhe comprar no carro do ovo, devem ser redobrados os cuidados com a conservação, em virtude da sua manutenção em ambiente sem refrigeração, num clima quente, às vezes abafado. Em 2019 houve novidades em Pernambuco, quanto à comercialização de ovos provenientes da produção industrial, devendo ser carimbados um a um, com a origem, a data da produção e a validade. Quanto à fiscalização sanitária de tais produtos, sendo comércio ambulante, deveria estar a cargo da Vigilância Sanitária Municipal ou da SECON – Secretaria Municipal de Controle Urbano, mas há controvérsias...