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Saúde e bem-estar

Dia Mundial da Obesidade: uma doença que exige tratamento médico

No dia 04 de março é lembrado o Dia Mundial da Obesidade

Um em quatro adultos no Brasil está acima do pesoUm em quatro adultos no Brasil está acima do peso - Gerado por IA

No dia 04 de março é lembrado o Dia Mundial da Obesidade, uma data que vai além da conscientização e representa um chamado à ação. A obesidade deixou de ser um problema pontual para se tornar uma das maiores crises de saúde pública da atualidade, e os números mais recentes acendem um alerta importante. De acordo com dados do Ministério da Saúde e do IBGE, mais da metade da população adulta no Brasil apresenta excesso de peso, e cerca de um em cada quatro brasileiros vive com obesidade. A tendência é de crescimento contínuo em todas as faixas etárias. A Organização Mundial da Saúde já classifica a obesidade como uma epidemia global.

A obesidade infantil
O avanço da obesidade entre crianças é um dos pontos mais alarmantes. Maus hábitos alimentares, consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, sedentarismo e tempo elevado de exposição a telas contribuem para um cenário preocupante. Atualmente, observamos crianças com alterações metabólicas que antes eram restritas à vida adulta. Hipertensão arterial, resistência à insulina e dislipidemia já fazem parte da realidade clínica. Isso significa que estamos diante de uma geração que pode desenvolver doenças crônicas cada vez mais cedo.

Comorbidades 
Outro fenômeno que chama atenção é o surgimento precoce de comorbidades associadas à obesidade. Entre as principais estão:

Há alguns anos, era raro diagnosticar diabetes tipo 2 em adolescentes. Hoje, essa realidade já faz parte da prática clínica. A obesidade acelera processos inflamatórios e metabólicos que comprometem a saúde de forma progressiva e silenciosa.

Obesidade é doença 
É fundamental reforçar que obesidade não é falta de força de vontade, não é descuido e não é apenas uma questão estética. A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e complexa, com influência genética, hormonal, ambiental e comportamental. Exige diagnóstico adequado, avaliação clínica criteriosa e tratamento individualizado. A ideia de que basta reduzir a quantidade de comida é simplista e prejudicial. Essa visão aumenta o estigma e afasta pacientes do cuidado médico. O tratamento pode envolver reeducação alimentar, prática regular de atividade física orientada, acompanhamento psicológico, uso de medicações específicas e, em alguns casos, cirurgia bariátrica. O acompanhamento com médico é essencial para investigar causas associadas, avaliar riscos cardiovasculares e metabólicos e definir a melhor estratégia terapêutica. Cada paciente possui características metabólicas e necessidades próprias. Quanto mais cedo houver diagnóstico e intervenção, maiores são as chances de evitar complicações futuras. Tratar a obesidade é prevenir infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência renal e diversas outras condições que impactam qualidade e expectativa de vida. A obesidade tem tratamento. Tem acompanhamento. Exige responsabilidade, ciência e acolhimento.

Alerta

Medicamentos e canetas emagrecedoras indicados para o tratamento da obesidade ou do sobrepeso com comorbidades são terapias farmacológicas que exigem prescrição e acompanhamento médico contínuo. Seu uso deve ser individualizado, com avaliação clínica, análise de contraindicações, monitoramento de efeitos adversos e ajuste de dose quando necessário. A automedicação ou o uso sem supervisão profissional pode trazer riscos à saúde e comprometer os resultados do tratamento.

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Acontece

Zumbido - Duas pesquisas em Pernambuco sobre zumbido serão apresentados em congressos internacionais. Os dois projetos ampliam o debate científico ao considerar, além do aspecto da audição, os impactos emocionais, cognitivos e comportamentais da condição na qualidade de vida dos pacientes. Ambas foram desenvolvidas por alunos do Mestrado Interinstitucional (Minter) em Saúde e Ambiente do Centro Universitário Tiradentes – UNIT, na Imbiribeira. Os trabalhos que relacionam intervenções psicoterapêuticas em relação ao zumbido serão apresentados no 37th World Congress of Audiology, que será realizado em maio de 2026, em Seul, na Coreia do Sul. Uma das pesquisas também foi classificada para o XXIII Congresso Mundial de Otorrinolaringologia, que acontecerá em setembro, em Istambul, na Turquia. Os estudos contam com a coautoria da otoneurologista Lívia Noleto e orientação de Edna Aragão, com resultados clínicos baseados em intervenções psicoterapêuticas aplicadas no Brasil. A análise envolve, por exemplo, como as consequências do zumbido na saúde, atingindo cerca de 20% da população mundial, sem cura.


Menstrual - O Instituto Natura, em parceria com a Pantys, lança uma collab inédita de calcinha menstrual reutilizável que une inovação, sustentabilidade e impacto social. Clinicamente testado, o produto pode ser usado por até 12 horas e chega ao mercado com parte do lucro integralmente destinada a ações de enfrentamento à violência contra mulheres e cuidado com a saúde das mamas. A iniciativa amplia o debate sobre dignidade menstrual e sustentabilidade, oferecendo uma alternativa ecológica aos absorventes descartáveis e, pela primeira vez, com distribuição também pela rede de Consultoras de Beleza Natura e Avon, ampliando o alcance do tema em todo o país.


Simpósio Internacional de Avaliação na Formação das Profissões da Saúde (SIAPS) arrecada doações para a ONG Omô Nilê Ogunjá

A Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS) e a Universidade Christus (Fortaleza) realizam um evento que mistura educação e solidariedade. No dia 03 de março, acontece o Simpósio Internacional de Avaliação na Formação das Profissões da Saúde (SIAPS), no Centro de Eventos Recife. Todo valor arrecadado com as inscrições será doado para a ONG Omô Nilê Ogunjá. O encontro, que chega à terceira edição, propõe um espaço qualificado de diálogo sobre os desafios contemporâneos da avaliação na formação dos futuros profissionais que atuarão em nosso sistema de saúde, fundamentado em evidências atuais e nas melhores práticas educacionais. Têm presenças confirmadas os professores Juliana Sá (Universidade Aveiro – Portugal), Carlos Collares (Faculdade Pequeno Príncipe - Curitiba/ Universidade do Minho – Portugal), Gustavo Salata (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de Ribeirão Preto) e Álvaro Farias Pinheiro (UPE). A programação contemplará temas centrais para a educação em saúde, como: avaliação no paradigma das Atividades Profissionais Confiáveis (EPAs), neurociência e avaliação, avaliação programática, simulação, identidade profissional e inteligência artificial aplicada à avaliação. O simpósio é voltado a docentes, pesquisadores, profissionais e estudantes da área da saúde, bem como a gestores e profissionais do SUS envolvidos no planejamento, acompanhamento da formação e integração ensino–serviço. Também se destina a profissionais de áreas afins que desejem participar de um importante espaço de atualização e reflexão em educação em saúde.

Inscrições solidárias
As inscrições podem ser realizadas em fps.edu.br/siaps-2026, e os preços variam para estudantes, docentes e público externo. Todo valor arrecadado com inscrições será doado para a ONG Omô Nilê Ogunjá, localizada no Ibura, Recife. O coletivo tem como missão fomentar ações que valorizem a cultura afro-brasileira, promovendo políticas afirmativas e fortalecendo a identidade étnico-racial por meio da arte do afoxé no âmbito nacional e internacional.


Em pauta

Calor intenso no verão acende alerta para riscos à saúde da pele, aponta especialista

| Segundo o médico Octávio Guarçoni, a exposição prolongada ao sol pode provocar queimaduras, fotoenvelhecimento, manchas irregulares e risco de câncer cutâneo

Filtro de proteção solar deve ser usado em todos os momentosCalor intenso atinge todas as regiões - Foto: Canva

O verão no Hemisfério Sul vem redesenhando a rotina dos brasileiros de Norte a Sul do país. Com dias mais longos e altas temperaturas, o calor intenso toma conta de capitais litorâneas como Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Natal, embalando a temporada turística de praias ‘lotadas’ e calçadões tomados por banhistas. No entanto, a exposição prolongada ao sol e as ‘ondas de calor’ formadas em vários estados do Brasil acendeu um alerta na comunidade médica. Quem for curtir com a família a ‘alta estação’, deve se atentar aos cuidados com a pele devido aos riscos dermatológicos da época marcada por termômetros aquecidos. 

Segundo Octávio Guarçoni, a exposição prolongada à radiação ultravioleta, especialmente durante o verão, pode provocar queimaduras superficiais, fotoenvelhecimento precoce, manchas irregulares e aumento do risco de câncer cutâneo.  “O problema não se limita ao desconforto imediato: a radiação UV (ultravioleta) penetra camadas mais profundas da pele, comprometendo a barreira de proteção natural, afetando colágeno e elastina; e aumentando a inflamação cutânea de forma cumulativa ao longo dos anos”, explica. 

O médico diz que o excesso de radiação UV causa a desidratação profunda da pele, levando à perda de elasticidade e a formação de rugas prematuras. Com o passar dos anos, Guarçoni alerta que esse ‘efeito cumulativo’ passa à ficar visível na textura da pele, com linhas finas, flacidez e manchas solares.  “Esses efeitos alarmantes não são apenas estéticos. A Inflamação crônica causada por uma radiação pode desencadear alterações no sistema imunológico da pele, tornando-a mais vulnerável a infecções e irritações. Cada exposição intensa (sem proteção) aumenta a probabilidade de complicações sérias, o que torna a prevenção diária indispensável”, aconselha. 

Segundo a base de dados da World Health Organization (WHO), a vulnerabilidade ao calor é influenciada por diversos fatores fisiológicos, como idade e estado de saúde, somados à exposição solar.  Por isso, nesta estação, Guarçoni recomenda o uso diário de protetor solar com FPS adequado, reaplicado a cada duas horas; hidratação constante com cremes específicos que auxiliam na reposição da barreira cutânea; uso de chapéus, óculos escuros e roupas leves que protegem do sol direto; e preferência por horários de exposição fora do pico de radiação, entre 10h e 16h. Além disso, a qualidade do sono deve ser levada em consideração durante o período, assim como o cuidado com a alimentação saudável e o consumo de frutas refrescantes.

O médico ressalta que este é o momento de redobrar a atenção com a pele e adotar hábitos que promovam saúde e qualidade de vida de forma integrada. “A prevenção diária, combinada a escolhas conscientes de lifestyle, é o segredo para atravessar o verão com segurança e saúde. Pequenos hábitos, como ajustar horários de exposição, priorizar hidratação interna e externa, e investir em cuidados consistentes com a pele, fazem toda a diferença a longo prazo. O verão é intenso, mas com atenção e disciplina, é possível aproveitar a estação sem comprometer a saúde da pele e o bem-estar geral”, conclui.


Colaboração: jornalista Jademilson Silva

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