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Saúde e bem-estar

Hipertensão arterial: a doença que cresce entre jovens

Pressão alta deixa de ser problema apenas de idosos

Estilo de vida saudável na prevenção à hipertensãoEstilo de vida saudável na prevenção à hipertensão - Canva

Pressão alta deixa de ser problema apenas de idosos, avança com a obesidade e o sedentarismo e exige prevenção baseada em alimentação, atividade física e sono de qualidade


A hipertensão arterial é frequentemente chamada de doença silenciosa porque pode evoluir por anos sem sintomas perceptíveis, enquanto provoca danos progressivos em todo o organismo. Quando os sinais aparecem, muitas vezes já existem repercussões importantes no coração, rins, cérebro e vasos sanguíneos. Esse caráter discreto transforma a pressão alta em um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que a condição está entre os principais fatores de risco para morte prematura no mundo e já não se restringe às faixas etárias mais avançadas. Hoje, adultos jovens e até adolescentes fazem parte dessa estatística.

Estilo de vida - Esse avanço acompanha mudanças profundas no estilo de vida. Nas últimas décadas, o cotidiano se tornou mais sedentário, o tempo de exposição a telas aumentou e a prática regular de atividade física diminuiu. Paralelamente, a alimentação passou por uma transformação marcada pelo crescimento do consumo de ultraprocessados, especialmente embutidos, fast food, snacks industrializados e refeições prontas. Esses produtos concentram sódio, gorduras de baixa qualidade, açúcar e aditivos químicos que favorecem inflamação, retenção de líquidos e aumento da pressão arterial. A American Heart Association destaca que o excesso de sódio é um dos fatores modificáveis mais relevantes no desenvolvimento da hipertensão, e grande parte dessa ingestão ocorre de forma “invisível” nos alimentos industrializados.

Peso - O impacto do estilo de vida se intensifica quando entra em cena o excesso de peso. A gordura corporal, especialmente a visceral, atua como um tecido metabolicamente ativo, liberando substâncias inflamatórias e hormonais que alteram o equilíbrio do organismo. Esse processo aumenta a resistência à insulina, modifica o funcionamento dos rins, ativa o sistema nervoso simpático e estimula mecanismos que promovem retenção de sódio e água. Como consequência, o coração precisa trabalhar mais, os vasos se tornam mais rígidos e o sistema circulatório entra em sobrecarga constante, criando condições ideais para o surgimento precoce da hipertensão.

Estudos epidemiológicos já indicam crescimento consistente da pressão arterial entre adultos de 20 a 40 anos. O fenômeno preocupa porque amplia o tempo de exposição à pressão elevada ao longo da vida, aumentando o risco de complicações cardiovasculares e metabólicas precoces. O padrão alimentar atual contribui diretamente para esse cenário. Embutidos como salsicha, presunto, mortadela e linguiça concentram grandes quantidades de sal e conservantes. Molhos prontos, macarrão instantâneo, salgadinhos e refeições congeladas reforçam a sobrecarga de sódio, enquanto bebidas açucaradas e carboidratos refinados favorecem o ganho de peso e a resistência à insulina.

Prevenção - Reduzir o consumo de ultraprocessados e priorizar alimentos naturais é um passo essencial. Frutas, legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras fornecem potássio, fibras e antioxidantes que contribuem para o equilíbrio da pressão arterial. A prática regular de atividade física também desempenha papel central. Caminhadas, musculação, ciclismo e exercícios aeróbicos moderados melhoram a saúde vascular, reduzem a inflamação e ajudam no controle do peso. O sono de qualidade e a gestão do estresse completam esse conjunto de cuidados. Dormir mal altera hormônios ligados ao apetite, aumenta a tensão do organismo e favorece a elevação da pressão arterial. Na prática, são escolhas diárias que constroem prevenção de longo prazo. 

Acontece

Vestibular 2026.2 da Faculdade Pernambucana de Saúde está com inscrições abertas

Processo seletivo oferece vagas para diversos cursos da área da saúde; provas acontecem nos dias 6 e 7 de junho, na Imbiribeira

Estão abertas as inscrições para o vestibular 2026.2 da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), uma oportunidade para quem deseja ingressar no ensino superior ainda no meio do ano. Os interessados devem se inscrever por meio do site fps.edu.br, onde também está disponível o edital completo com todas as orientações do processo seletivo. Vale destacar que são turmas de 12 estudantes por turma.

As provas serão realizadas de forma presencial nos dias 06 e 07 de junho, no campus da instituição, localizado no bairro da Imbiribeira, no Recife. A FPS, que soma 20 anos de história na formação de profissionais da área da saúde, é reconhecida por seu modelo de ensino ABP (Aprendizagem Baseada em Problemas) e por atuar como hospital escola do IMIP, referência nacional em assistência, ensino e pesquisa.

Para este processo seletivo, estão disponíveis vagas nos cursos de Educação Física (bacharelado e licenciatura), Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Medicina, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Empreendedorismo em Saúde Digital (EAD), ampliando as possibilidades para candidatos com diferentes perfis e interesses profissionais.

Em caso de dúvidas, os candidatos podem entrar em contato com a instituição pelo telefone 3312-7777.


Semana de Enfermagem da UNIFBV Wyden debate técnica, ética e política no cuidado

A UNIFBV Wyden realiza, até a quarta-feira (13 de maio), a III Semana de Enfermagem, com o tema “Técnica, Ética e Política: Pilares Inegociáveis do Cuidado de Enfermagem”. O evento acontece no auditório da instituição, sempre a partir das 18h, com a proposta de fortalecer a formação acadêmica e promover a troca de experiências entre especialistas e participantes. A abertura, realizada na segunda-feira (11), contou com as participações de Thayse Torres, Priscila Ferraz e Alice Ribeiro, que abordaram temas relacionados à atuação institucional, formação e práticas no cuidado em saúde.  Nesta terça (12) e na quarta-feira (13), a programação segue com palestras de Matheus Cavalcanti, Brenda Bastos, Maria Eduarda Braga e Júlia Barreto, trazendo reflexões sobre especialidades, mercado de trabalho e inovação na enfermagem. A participação é gratuita e aberta ao público. Informações: [email protected]


Série Viver é Raro – 3ª temporada
A série documental Viver é Raro estreou sua terceira temporada. Realizada pela Casa Hunter em coprodução com a Cine Group e a Vbrand, a nova fase aprofunda discussões sobre diagnóstico, tratamento e resiliência de sete pessoas que convivem com doenças raras no Brasil. O conteúdo está disponível gratuitamente, inclusive para não assinantes, e conta com tradução para inglês e espanhol.



Em Pauta

Câncer de testículo: quando o homem deve começar a se preocupar?

| Especialista afirma que o câncer é mais comum em jovens entre 15 e 35 anos e que todo adolescente deve realizar o autoexame para prevenção

Foto: Canva

Quando se fala em saúde masculina, qual é a primeira doença que vem à mente? A mais falada é o câncer de próstata, enfermidade comum em homens acima dos 65 anos. Porém, essa não é a única enfermidade oncológica que mais os impacta. Apesar de ser menos frequente (corresponde a cerca de 5% do total de casos de câncer entre homens, segundo o Instituto Nacional de Câncer), esse é um dos principais tipos de câncer que afetam o público masculino e apresenta uma peculiaridade quando comparado aos outros tumores: é mais predominante em homens jovens.

"É um câncer mais comum em homens entre 15 e 35 anos, que é uma faixa etária geralmente saudável e, por isso, a doença chama tanta atenção", destaca o urologista Antônio Cesar Cruz, coordenador do Centro de Urologia do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas. Além da idade jovem, há outros fatores de risco para a doença, como criptorquidia (testículo não descido), histórico familiar, infertilidade e histórico pessoal de tumor no outro testículo.

Assim como em todo câncer, o diagnóstico precoce neste tipo de tumor é essencial para um tratamento mais efetivo e com menor risco de mortalidade. Porém, nem sempre ele é possível no câncer de testículo, pois a doença pode ser confundida ou até mesmo mascarada por orquiepididimites, que são inflamações dos testículos e dos epidídimos (canais localizados atrás dos testículos que coletam e transportam o esperma), geralmente transmitidas sexualmente.

O especialista destaca que observar os sinais e realizar o autoexame são as principais formas de detecção precoce. "O primeiro sinal é o aparecimento de um nódulo ou aumento de volume do testículo, muitas vezes indolor, onde o próprio paciente nota ao apalpar a região", explica Antônio Cruz. Além do nódulo e do aumento do volume escrotal, outros sintomas podem surgir, como sensação de peso no escroto e assimetria entre os testículos.

"Se a doença estiver avançada, o paciente pode ter dor no abdômen ou nas costas", reforça o coordenador. "É importante frisar que toda alteração no testículo deve ser avaliada por um urologista, mesmo na ausência de dor", complementa. 

Diferentemente dos cuidados com a próstata, que contam com exames específicos de rastreamento, o câncer de testículo não possui um método preventivo específico. No entanto, é possível detectá-lo precocemente por meio do autoexame testicular. "Todo jovem, já na adolescência, deve aprender a fazer o autoexame dos testículos para se prevenir", destaca Antônio César.

Autoexame testicular: como realizar?

O exame para detectar nódulos deve ser feito mensalmente, preferencialmente após um banho quente, quando a pele do escroto está mais relaxada. Em pé, o homem deve examinar um testículo de cada vez, utilizando ambas as mãos para apalpar suavemente, procurando por caroços, endurecimentos e alterações de tamanho, formato ou textura.

"O que buscamos é que o homem realize o autoexame para ter o diagnóstico precoce, ainda na fase inicial, quando as chances de cura são maiores. É importante que ele se conheça e procure orientação médica ao notar qualquer alteração", alerta o especialista.

O diagnóstico definitivo da doença é feito por meio de ultrassonografia da bolsa escrotal, exame físico com o urologista e dosagem de marcadores tumorais no sangue. Já o tratamento é realizado por meio de cirurgia para remoção do testículo afetado e, a depender do estágio e do tipo (seminoma, que crescem mais vagarosamente, afetam homens entre os 25 e 45 anos, e são muito sensíveis à radioterapia; ou não seminoma, que são mais agressivos, crescem rápido, ocorrem em homens entre 15 e 30 anos e geralmente requerem cirurgia e quimioterapia agressiva), podem ser necessários quimioterapia, radioterapia e acompanhamento pós-tratamento.


Colaboração: jornalista Jademilson Silva

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