Ter, 16 de Junho

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Saúde e bem-estar

Hipoglicemia: quando o corpo entra em alerta 

Queda abrupta da glicose pode provocar sintomas físicos e neurológicos importantes

Tontura: sintoma bem comum da hipoglicemiaTontura: sintoma bem comum da hipoglicemia - Canva

Queda abrupta da glicose pode provocar sintomas físicos e neurológicos importantes, está ligada a hábitos alimentares inadequados e expõe um problema cada vez mais frequente em meio às dietas restritivas, jejuns prolongados e rotinas de alta exigência metabólica


Durante muito tempo, a hipoglicemia foi associada quase exclusivamente às pessoas com diabetes. Mas a prática clínica mostra que a redução acentuada da glicose sanguínea pode atingir indivíduos sem diagnóstico prévio da doença e está cada vez mais relacionada ao estilo de vida contemporâneo, marcado por alimentação desorganizada, excesso de ultraprocessados, dietas extremas, jejuns prolongados e rotinas de estresse físico e emocional constante. A glicose é a principal fonte de energia do organismo. É ela que abastece o cérebro, sustenta funções metabólicas essenciais e garante o funcionamento adequado de músculos, órgãos e sistemas neurológicos. Quando seus níveis caem abaixo do necessário, o corpo entra em estado de alerta metabólico.

Sintomas - Os sintomas podem surgir de maneira súbita. Tremores, sudorese fria, tontura, palpitação, visão turva, fraqueza, irritabilidade, dificuldade de concentração e sensação intensa de fome costumam ser os sinais mais comuns. Em situações mais severas, a hipoglicemia pode provocar confusão mental, alterações neurológicas, perda de consciência e até convulsões.
O cérebro é um dos órgãos mais afetados porque depende quase exclusivamente da glicose para funcionar. Quando falta combustível energético, o organismo ativa mecanismos hormonais de emergência para tentar compensar rapidamente essa queda. O problema é que esse processo gera um verdadeiro estado de estresse fisiológico. Embora seja frequentemente associada ao diabetes e ao uso inadequado de insulina ou medicamentos hipoglicemiantes, a hipoglicemia possui múltiplas causas. Entre elas estão longos períodos sem alimentação, consumo excessivo de álcool, prática intensa de atividade física sem preparo nutricional adequado, distúrbios hormonais, cirurgias bariátricas e dietas extremamente restritivas.

Reativa - Nos últimos anos, um fenômeno específico tem chamado atenção: o crescimento dos episódios de hipoglicemia reativa. Nesse quadro, a pessoa consome alimentos ricos em açúcar e carboidratos simples, ocorre rápida elevação da glicose e,  posteriormente, uma descarga exagerada de insulina, levando a uma queda abrupta do açúcar no sangue. É um processo diretamente ligado ao padrão alimentar moderno. Muitos pacientes passam horas sem comer e, quando se alimentam, optam por produtos ultraprocessados, bebidas açucaradas ou refeições com baixa qualidade nutricional. O organismo entra em ciclos intensos de pico e queda glicêmica. Isso explica por que algumas pessoas sentem mal-estar poucas horas após consumir doces, massas refinadas ou refeições muito ricas em carboidratos simples. A sensação de “fraqueza depois de comer” muitas vezes pode ser um sinal de desorganização metabólica.

Outro ponto importante é que a hipoglicemia nem sempre está associada à magreza. Pessoas com sobrepeso, obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica também podem desenvolver episódios recorrentes. O desequilíbrio glicêmico frequentemente antecede alterações metabólicas mais complexas. Existe ainda uma romantização perigosa das dietas radicais e do jejum prolongado. Nem todo organismo tolera longos períodos sem alimentação. Em algumas pessoas, especialmente aquelas com predisposição metabólica, alta demanda energética ou alimentação inadequada, isso pode desencadear episódios importantes de hipoglicemia.

Entre os grupos mais suscetíveis estão diabéticos em tratamento medicamentoso, idosos, gestantes, atletas de alta performance, pacientes bariátricos, indivíduos com distúrbios hormonais e pessoas submetidas a rotinas intensas de estresse físico e mental. O organismo humano foi desenhado para funcionar em equilíbrio. Quando alternamos excesso e privação de maneira constante, criamos um ambiente de instabilidade hormonal, inflamatória e energética que impacta não apenas o metabolismo, mas também sono, humor, cognição e capacidade funcional. 

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Acontece

Inovação em Fisioterapia

Foto: Divulgação

O fisioterapeuta Régis Noaves (Foto), que se divide entre os EUA e Recife, criou a "Escala de Régis", um software inovador para acompanhar os pacientes em Fisioterapia, a fim de tornar mais eficientes as intervenções de tratamento, com número correto de sessões, evolução, entre outras diretrizes de acompanhamento. Esse software foi validado através de publicação de artigo científico, testado nos Estados Unidos, e agora está sendo trazido para o Brasil.


Lançamento

Foto: Divulgação

O médico pediatra e vacinólogo Eduardo Jorge da Fonseca lança sua nova publicação, "O País das Filas", no dia 30 de maio, às 16h30, na Livraria Jaqueira  Recife Antigo. Será um livro de crônicas, que vai apresentar uma situação comum da, a espera na "fila", em suas diferentes formas: fila da adoção, do atendimento médico,  para pagar contas, nos aeroportos, para entrar no camarote, entre outras versões. Um livro sensível, um olhar crítico e atencioso à nossa sociedade, que vem abordar uma temática presente no cotidiano. 

Serviço: 
Livraria Jaqueira do Recife Antigo: Rua Madre de Deus, 110.


Em Pauta

Câncer de cérebro: doença pode se manifestar com sinais comuns do dia a dia
| Campanha Maio Cinza alerta para sintomas silenciosos do câncer cerebral e quando o sinal de alerta deve ser acionado

Foto: Canva


Dor de cabeça insistente (cefaleia), cansaço que não passa e alteração no humor. Qual brasileiro nunca sentiu esses sinais após um dia estressante ou uma semana desafiadora, por exemplo? Mas esses também são sintomas de uma doença que pode ser silenciosa, sem apresentar sinais evidentes no início: o câncer de cérebro, que é um dos tipos de câncer do Sistema Nervoso Central (SNC). O mês de maio conscientiza sobre esse tipo de câncer com a campanha Maio Cinza. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 12.060 novos casos por ano no triênio 2026/2028 no país, sendo 2.740 casos no Nordeste. Em Pernambuco, as estimativas para 2026 apontam 530 novos casos de câncer do Sistema Nervoso Central (SNC), com taxa bruta de incidência de 5,62 casos por 100 mil habitantes.
 
Comparado a outros tumores, o câncer cerebral representa uma parcela pequena dos casos oncológicos; porém, está entre os tumores com maior potencial de gravidade, principalmente por apresentar sintomas que, muitas vezes, podem ser confundidos com condições menos graves (estresse crônico, ansiedade, epilepsia), o que retarda a ação da melhor arma contra o câncer: o diagnóstico precoce. Segundo o oncologista Antônio Douglas, do Hospital Santa Joana Recife, da Rede Américas, além da cefaleia, fadiga e alteração no humor, esse tipo de câncer conta com mais dois sintomas-chave: crises convulsivas e alterações neurológicas. “Paciente que nunca teve crise convulsiva pode começar a apresentar de forma inicial. Isso é um sinal para procurar e realizar uma tomografia de crânio, para saber se a crise convulsiva é epilepsia, um distúrbio do cérebro que pode levar a crises; ou se é algum tumor que está crescendo e causando a convulsão”, alerta.
 
Já quanto às alterações neurológicas, o especialista explica que o paciente pode apresentar variação na motricidade (capacidade do corpo de realizar movimentos de forma coordenada e controlada), alterações na face e confusão mental. “Um paciente que era saudável e começa a apresentar déficit motor à direita no braço ou na perna, déficit na fala ou na cognição, ou seja, ele começa a ficar desorientado; além de alterações na face, como queda do lábio, queda da rima [perda de força em um lado do rosto] ou queda das pálpebras, deve acender um sinal de alerta. Esses sintomas neurológicos em pacientes que nunca tiveram esse quadro indicam a necessidade de investigação para verificar se há ou não uma lesão no sistema nervoso central”, explica Antônio Douglas.
 
Há prevenção?
O câncer de mama tem a mamografia como forma de detecção precoce; o de próstata conta com o exame de toque; já a proteção da pele contra raios UV, com o uso diário de protetor solar, é o braço direito na prevenção do câncer de pele. Mas e os tumores cerebrais? Como preveni-los?
 
De acordo com Antônio Douglas, a literatura médica não traz notícias animadoras nesse aspecto. “Infelizmente, não há um fator de prevenção específico para tumores cerebrais. Geralmente, são tumores que não têm uma causa definida”, afirma. “Podem acometer pacientes mais jovens ou mais velhos. Tumores do tipo astrocitomas, que podem ser benignos ou malignos, costumam ocorrer em pacientes mais jovens, entre 35 e 45 anos. Já os glioblastomas, que são tumores malignos e agressivos, geralmente acometem pacientes mais velhos, acima de 60 anos”, explica.
 
Como a doença se desenvolve a partir do crescimento desordenado de células do Sistema Nervoso Central (SNC), ela pode afetar indivíduos em qualquer faixa etária. “Não há um perfil específico de paciente que pode ter tumor cerebral. Qualquer ser humano pode desenvolver a doença. Há alguns estudos que tentam associar fatores de risco, como uso de celulares ou trabalho com radiação, mas ainda são inespecíficos e não trazem dados que confirmem aumento ou não do risco de câncer de cérebro”, explica o oncologista.
 
O que se sabe, segundo o Ministério da Saúde, é que os tumores cerebrais são ligeiramente mais comuns entre homens do que entre mulheres. Já os meningiomas, que são geralmente não cancerosos, são mais frequentes no público feminino. Mesmo sem um fator de risco específico, há elementos comuns a diversos tipos de câncer que devem ser considerados ou evitados, como histórico familiar, predisposição genética, tabagismo, consumo excessivo de álcool, baixa imunidade, alimentação inadequada e exposição a agentes cancerígenos.
 
Tratamento é possível
O câncer de cérebro pode ser diagnosticado por meio de exames como ressonância magnética ou tomografia e conta com tratamento multidisciplinar. Um dos casos mais conhecidos foi o do ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, que faleceu neste ano, aos 68 anos, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. O “Mão Santa” conviveu com um diagnóstico de glioma, um tipo de tumor cerebral, desde 2011. Oscar seguiu protocolo médico multidisciplinar, com cirurgias, sessões de radioterapia e quimioterapia — tratamentos indicados para o câncer cerebral, conforme a necessidade de cada paciente. Durante 15 anos após o diagnóstico, ele continuou atuando como palestrante, abordando temas como superação, tanto nas quadras quanto diante da doença, mostrando que, com tratamento, é possível manter uma vida ativa.


Colaboração: jornalista Jademilson Silva
 

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