Intestino saudável, corpo em equilíbrio
Março Azul: cuide bem do seu intestino
Durante muito tempo, o intestino foi visto apenas como um órgão responsável pela digestão e pela absorção de nutrientes. Nas últimas décadas, no entanto, a ciência tem ampliado de forma significativa a compreensão sobre o seu papel no funcionamento do organismo. Hoje, ele é reconhecido como um dos centros mais complexos e influentes da saúde humana, a ponto de muitos especialistas se referirem ao intestino como o “segundo cérebro”.
Essa expressão não é apenas uma metáfora. O intestino possui uma rede extensa de neurônios, conhecida como sistema nervoso entérico, que se comunica constantemente com o cérebro por meio de sinais químicos e neurológicos. Além disso, abriga trilhões de microrganismos que formam a chamada microbiota intestinal, um verdadeiro ecossistema responsável por influenciar funções metabólicas, imunológicas e até emocionais. Por isso, quando falamos de saúde intestinal, estamos falando muito mais do que digestão. Estamos falando de imunidade, de metabolismo, de disposição física e até de equilíbrio mental. Um intestino saudável contribui para o bom funcionamento de todo o organismo.
Alimentação - Um dos pilares fundamentais para preservar a saúde é a alimentação. O que colocamos no prato diariamente tem impacto direto na qualidade da microbiota intestinal. Dietas ricas em fibras, frutas, verduras, legumes, grãos integrais e alimentos naturais ajudam a nutrir as bactérias benéficas do intestino, favorecendo o equilíbrio desse ambiente. As fibras, em especial, desempenham um papel essencial nesse processo. Elas servem como alimento para microrganismos importantes da microbiota e contribuem para o funcionamento adequado do trânsito intestinal. Quando a alimentação é pobre nesses nutrientes, o equilíbrio das bactérias pode ser comprometido, abrindo espaço para processos inflamatórios e para o surgimento de diversos desconfortos digestivos. Por outro lado, a alimentação moderna trouxe desafios importantes para a saúde intestinal. O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em aditivos químicos, açúcares refinados, gorduras de baixa qualidade e sódio, interfere negativamente no equilíbrio da microbiota. Esses produtos, muitas vezes práticos e acessíveis, acabam substituindo alimentos naturais na rotina alimentar, reduzindo a ingestão de nutrientes essenciais.
Sedentarismo - Outro fator que merece atenção é o estilo de vida. O sedentarismo tem impacto direto sobre o funcionamento intestinal. A prática regular de atividade física contribui para estimular o trânsito intestinal, melhorar o metabolismo e favorecer o equilíbrio das bactérias benéficas. Mesmo atividades simples, como caminhadas regulares, já podem trazer benefícios importantes para o sistema digestivo.
Fumo - O tabagismo também figura entre os grandes vilões da saúde intestinal. Além de prejudicar diversos órgãos e sistemas do corpo, o cigarro altera a composição da microbiota e favorece processos inflamatórios no organismo. O impacto negativo vai muito além do sistema respiratório e cardiovascular, atingindo também o equilíbrio digestivo.
Mastigue bem - Outro aspecto frequentemente negligenciado é o ritmo de vida acelerado da sociedade contemporânea. Comer com pressa, pular refeições ou manter horários desregulados também afeta o funcionamento do intestino. A digestão é um processo que envolve não apenas o que comemos, mas também como comemos. Mastigar bem os alimentos, respeitar os sinais de fome e saciedade e manter uma rotina alimentar equilibrada são atitudes simples que contribuem para a saúde intestinal.
Nos últimos anos, a medicina tem direcionado cada vez mais atenção ao estudo da microbiota e de sua influência em diferentes áreas da saúde. Pesquisas mostram que o equilíbrio intestinal pode impactar desde a regulação do peso corporal até o funcionamento do sistema imunológico e a produção de neurotransmissores importantes para o bem-estar. Apesar de sua relevância, o intestino ainda é um órgão frequentemente negligenciado no cuidado cotidiano com a saúde. Muitas pessoas só passam a prestar atenção ao seu funcionamento quando surgem sintomas como desconforto abdominal, alterações no ritmo intestinal ou sensação constante de inchaço. Cuidar do intestino, no entanto, deve ser uma atitude preventiva e diária. Escolhas alimentares equilibradas, prática regular de atividade física, abandono do tabagismo e redução do consumo de ultraprocessados são passos importantes para preservar esse órgão tão essencial.
Em um período como o Março Azul, quando campanhas de conscientização voltam os olhares para a saúde intestinal, vale lembrar que pequenas mudanças no estilo de vida podem trazer impactos significativos para o funcionamento do organismo como um todo. O intestino é um verdadeiro centro de equilíbrio do corpo humano. Quando ele funciona bem, todo o organismo se beneficia. Por isso, olhar com mais atenção para esse órgão, muitas vezes silencioso e discreto, é uma das formas mais eficazes de investir em saúde e qualidade de vida a longo prazo.
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Acontece
Médicos assumem direção da Sociedade Pernambucana de Clínica Médica para o biênio 2026-2028]
Os médicos Gustavo Miranda (presidente) e Christyanne Rodrigues (vice-presidente) assumem a direção da Sociedade Pernambucana de Clínica Médica (SPMC) para o biênio 2026-2028. A nova gestão contará ainda com a participação de outros 23 diretores, que irão atuar no fortalecimento da clínica médica no Estado e na ampliação das ações institucionais da entidade.
Entre as prioridades da diretoria estão a valorização do médico clínico, a promoção da educação continuada e o estímulo ao debate científico sobre temas relevantes da prática médica. A proposta também inclui o fortalecimento da atuação da sociedade junto à comunidade médica e às instituições de saúde.
“Assumimos essa missão com o compromisso de fortalecer a clínica médica, ampliar os espaços de atualização científica e contribuir para a valorização do médico clínico em Pernambuco. Nosso objetivo é aproximar ainda mais a sociedade dos profissionais e estimular a troca de conhecimento que impacte positivamente o cuidado com os pacientes”, afirma Gustavo Miranda.
Immunológica amplia presença no Recife e projeta crescimento de até 30% com nova unidade
A clínica Immunológica inaugura na próxima segunda-feira (9) sua terceira unidade no Espaço Mãetamorfose, localizado no bairro das Graças, zona norte do Recife. O investimento estimado para a implantação da nova operação é de R$ 40 mil e faz parte da estratégia de expansão da marca no mercado de serviços de imunização.
Com a abertura da unidade, a empresa amplia em cerca de 15% sua capacidade de atendimento e projeta crescimento entre 20% e 30% no faturamento. Segundo o diretor administrativo da clínica, Leandro Pedrosa, a escolha do endereço está alinhada ao posicionamento da empresa em atendimento humanizado e à proximidade com o público materno-infantil, que atualmente representa cerca de 70% da base de pacientes.
A nova operação também gera empregos diretos e integra um plano de expansão mais amplo da empresa. A estratégia inclui testar diferentes formatos de atendimento em espaços integrados de saúde e bem-estar, com foco em modelos que possam ser replicados em futuras unidades. Além do serviço de vacinação, a clínica pretende promover ações educativas e palestras sobre imunização e prevenção de doenças.
Com a nova estrutura, a Immunológica passa a operar com três endereços na capital pernambucana e amplia sua presença em um segmento que vem registrando crescimento no mercado privado de saúde preventiva.
Prontuário eletrônico da MV é eleito o melhor da América Latina pela nona vez
O Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) da MV foi novamente reconhecido como o melhor da América Latina pelo instituto internacional KLAS Research. O resultado foi divulgado em 4 de fevereiro de 2026 e marca a nona vez que a companhia brasileira conquista o primeiro lugar na categoria AcuteCare EHR – Latin America, uma das mais relevantes no setor de tecnologia aplicada à saúde. O sistema já havia sido eleito o melhor prontuário eletrônico da América Latina seis vezes consecutivas entre 2016 e 2021, além das edições de 2024, 2025 e agora novamente em 2026.
Na avaliação do instituto, o PEP da MV obteve as maiores notas nos indicadores que analisam qualidade da solução, evolução do produto e liderança de mercado. Em 2026, a plataforma se destacou especialmente no pilar de lealdade dos clientes, além de apresentar desempenho superior em critérios como cultura organizacional, operações, relacionamento, valor entregue e robustez tecnológica. A metodologia do estudo é baseada em entrevistas com médicos, enfermeiros, gestores hospitalares e outros profissionais de saúde que utilizam as soluções no dia a dia de hospitais e instituições em diferentes regiões do mundo, incluindo América Latina, América do Norte, Europa, Ásia, África e Oceania.
Segundo o CEO da MV, Paulo Magnus, o reconhecimento reflete a confiança das instituições de saúde na capacidade da empresa de desenvolver soluções alinhadas às necessidades reais do setor. “Esse reconhecimento demonstra a confiança crescente das instituições de saúde na capacidade da MV de entregar soluções robustas, aderentes à realidade dos hospitais e com impacto direto na qualidade da gestão e do cuidado”, afirma.
A entrega do prêmio Best in KLAS 2026 acontecerá durante o encontro anual da Healthcare Information and Management Systems Society, um dos maiores eventos globais de tecnologia em saúde, que será realizado entre os dias 9 e 12 de março, nos Estados Unidos.
Em Pauta
Cirurgia robótica para câncer de próstata entra na lista da ANS
| Urologista destaca benefícios da técnica e impacto positivo para pacientes da saúde suplementar a partir de abril
A prostatectomia radical é uma das principais estratégias terapêuticas para o tratamento do câncer de próstata, especialmente quando o tumor está localizado ou restrito à glândula. O procedimento consiste na retirada completa da próstata e, em alguns casos, das vesículas seminais, com o objetivo de eliminar o tumor e reduzir o risco de progressão da doença.
Indicada principalmente para pacientes com câncer de próstata localizado ou localmente avançado, a cirurgia pode ser realizada por via aberta, laparoscópica ou por técnica assistida por robô, atualmente considerada o método mais avançado disponível.
De acordo com o urologista e cirurgião Eugênio Lustosa, especialista na técnica, a cirurgia robótica representa um avanço importante no tratamento do câncer de próstata por oferecer visão tridimensional ampliada e instrumentos com maior grau de articulação, permitindo movimentos mais precisos em uma região anatômica complexa como a pelve masculina.
“Essa precisão resulta em menor sangramento, menor trauma cirúrgico e maior possibilidade de preservação dos nervos responsáveis pela continência urinária e pela função erétil, o que impacta diretamente na recuperação e na qualidade de vida do paciente”, afirma.
Incorporação ao Rol da ANS
Seguindo recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que foi publicada em outubro de 2025, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu pela incorporação da prostatectomia radical assistida por robô ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, que define a cobertura mínima obrigatória dos planos privados no Brasil. A medida passa a valer a partir do próximo dia 1º de abril.
Na prática, isso significa que os planos de saúde passam a ser obrigados a cobrir a cirurgia robótica para os casos previstos nas diretrizes estabelecidas pela Agência. Até então, muitos pacientes precisavam recorrer à via judicial ou arcar com custos elevados para ter acesso ao procedimento na rede privada. A decisão aproxima a saúde suplementar da realidade já existente no Sistema Único de Saúde (SUS), que conta atualmente com cerca de 40 plataformas robóticas em funcionamento em hospitais públicos do país.
Para Eugênio Lustosa, a medida representa um avanço importante na assistência oncológica. “A incorporação ao rol traz mais equidade. O paciente passa a ter acesso a uma tecnologia moderna e segura sem depender de decisões judiciais. É um passo relevante na democratização do tratamento do câncer de próstata”, avalia.
O médico ressalta, no entanto, que a indicação cirúrgica deve ser individualizada. “Nem todo paciente precisa de cirurgia, e nem todo caso será necessariamente resolvido por via robótica. A escolha depende do estágio da doença, das condições clínicas e da avaliação especializada. O mais importante é que agora existe respaldo regulatório para oferecer essa opção quando houver indicação”, conclui.
Com a entrada em vigor da nova regra, a expectativa é que hospitais privados ampliem sua estrutura para atender à demanda. A incorporação da técnica ao rol tende a consolidar a cirurgia robótica como parte do padrão terapêutico no tratamento do câncer de próstata no Brasil, além de estimular novos investimentos em tecnologia e qualificação das equipes médicas.
Colaboração: jornalista Jademilson Silva



