Os "enta" chegaram: como envelhecer sem perder qualidade de vida
Chegar aos 40 anos não representa o início do declínio
Entrou nos 40? O médico Rafael Coelho explica como alimentação, exercícios, sono e propósito ajudam a envelhecer com saúde e qualidade de vida. Confira!
Recentemente, um paciente entrou no consultório com um sorriso no rosto e uma frase que arrancou algumas risadas: "Doutor, completei 40 anos e parece que meu corpo recebeu uma atualização que ninguém me avisou. Agora tudo dói um pouco mais, o peso sobe mais rápido e a disposição já não é a mesma". A brincadeira traduz uma percepção comum. A chegada aos "enta" costuma despertar uma consciência diferente sobre o próprio corpo. Aquela recuperação rápida depois de uma noite mal dormida já não acontece da mesma forma. O sedentarismo começa a cobrar uma conta mais alta. Os exames passam a merecer mais atenção. O espelho muda e, muitas vezes, a forma como nos enxergamos também. Mas existe uma maneira muito mais interessante de olhar para essa fase da vida.
Os 40 anos não representam um ponto final da juventude. Representam o início de uma etapa em que experiência, maturidade e conhecimento podem finalmente caminhar ao lado da saúde. Nunca tivemos tanta informação científica mostrando que envelhecer bem depende muito menos da genética do que imaginávamos e muito mais das escolhas que fazemos diariamente. É justamente nesse momento que gosto de propor uma reflexão aos meus pacientes: em vez de perguntar quantos anos você tem, pergunte como você quer chegar nas próximas décadas. A resposta quase sempre é parecida. Ninguém deseja apenas viver mais. Todos querem continuar viajando, brincando com os filhos ou futuros netos, praticando esportes, trabalhando com disposição e mantendo autonomia para fazer as próprias escolhas. Essa é a verdadeira definição de qualidade de vida.
O primeiro grande pilar para alcançar esse objetivo é aprender a cuidar do corpo com respeito, e não por obrigação. Alimentação saudável não significa abrir mão dos prazeres da mesa, mas entender que cada refeição é uma oportunidade de nutrir o organismo. Priorizar alimentos naturais, consumir proteínas adequadas, aumentar a ingestão de frutas, verduras, legumes, fibras e boas gorduras reduz inflamações, protege o coração e ajuda a preservar a massa muscular, um patrimônio que começa a diminuir gradualmente a partir dessa fase.
O segundo pilar é o movimento. O corpo humano foi feito para se movimentar. Não importa se a atividade escolhida será musculação, caminhada, corrida, ciclismo, dança ou natação. O importante é abandonar a ideia de que exercício serve apenas para emagrecer. Depois dos 40, atividade física significa independência, equilíbrio, força, proteção para os ossos, saúde cardiovascular e prevenção de inúmeras doenças.
Outro aspecto frequentemente negligenciado é o sono. Dormir deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade biológica. Durante a noite, o organismo reorganiza hormônios, fortalece o sistema imunológico, consolida memórias e recupera tecidos. Quem dorme mal tende a sentir mais fome, acumular gordura abdominal, apresentar pior desempenho cognitivo e envelhecer de forma menos saudável.
Mas existe um cuidado que nenhum exame consegue medir: a maneira como lidamos com a vida. A maturidade também convida a desacelerar quando necessário. Aprender a dizer "não", reduzir o excesso de cobranças, cultivar amizades verdadeiras, rir mais, estar presente nas refeições em família e reservar momentos para hobbies são atitudes que repercutem diretamente na saúde física. Emoções mal administradas também inflamam o organismo.
Há ainda um quinto pilar que considero indispensável: o propósito. Pessoas que encontram significado no trabalho, na família, no voluntariado ou em qualquer atividade que desperte entusiasmo costumam cuidar melhor de si mesmas. Quando existe uma boa razão para acordar todas as manhãs, torna-se mais fácil manter hábitos saudáveis. Por isso, costumo dizer que entrar na casa dos "enta" não deve ser encarado como uma perda, mas como uma conquista. É a idade em que normalmente já sabemos o que realmente importa. Passamos a valorizar mais o bem-estar do que a aparência, mais a disposição do que a pressa, mais a consistência do que os resultados imediatos.
Envelhecer é inevitável. Envelhecer com qualidade, porém, é uma construção diária. Ela acontece quando sentimos os sinais do nosso corpo, pensamos com responsabilidade sobre o futuro e agimos hoje para preservar a saúde de amanhã. No fim das contas, os "enta" não são um limite. São apenas o começo de uma fase em que viver bem passa a fazer muito mais sentido do que simplesmente contar os anos.
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Endogastro Recife amplia investigação de doenças do intestino delgado
Nova tecnologia na Endogastro Recife - Fonte: Divulgação
Pouco conhecida pelo grande público, a cápsula endoscópica tem ampliado as possibilidades de diagnóstico de doenças que acometem o intestino delgado, uma região de difícil acesso pelos exames convencionais. "Com tamanho aproximado ao de um comprimido, o dispositivo é ingerido pelo paciente e registra milhares de imagens ao longo de todo o trajeto pelo sistema digestivo. Isso permite identificar alterações que, muitas vezes, não são visualizadas pela endoscopia digestiva alta ou pela colonoscopia", explica o médico gastroenterologista Justiniano Luna, da Endogastro Recife.
A tecnologia integra o portfólio de exames da Endogastro Recife, que utiliza a cápsula endoscópica na investigação de casos selecionados, oferecendo uma alternativa menos invasiva para avaliação do intestino delgado. Incorporada à prática clínica em serviços especializados, a tecnologia passou a ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde em indicações específicas definidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), desde 2022.
Férias escolares exigem atenção à alimentação para garantir energia e saúde de crianças e adolescentes
| A nutricionista pediátrica e hebiátrica Eduarda Haack, da NutriGen Clinic, explica como pequenas escolhas à mesa contribuem para o crescimento, a disposição e a formação de hábitos alimentares saudáveis
Nutricionista clínica pediátrica e hebiátrica da NutriGen Clinic Eduarda Haack - Foto: Divulgação
Julho é sinônimo de férias escolares, dias mais leves e muito tempo para brincar. Com a mudança na rotina, no entanto, também aumentam as chances de exageros no consumo de refrigerantes, doces, salgadinhos e alimentos ultraprocessados. Especialistas alertam que esse período pode ser uma oportunidade para reforçar hábitos alimentares saudáveis sem abrir mão do sabor. A infância e a adolescência são fases marcadas pelo crescimento acelerado, desenvolvimento cerebral e formação dos hábitos que tendem a acompanhar o indivíduo por toda a vida. Por isso, a qualidade da alimentação faz diferença não apenas na saúde atual, mas também no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. Segundo a nutricionista clínica pediátrica e hebiátrica da NutriGen Clinic Eduarda Haack, o organismo de crianças e adolescentes está em constante desenvolvimento e necessita de uma oferta adequada de nutrientes. "A alimentação durante as férias não precisa ser restritiva. O importante é manter o equilíbrio. Quanto mais colorido for o prato e quanto mais alimentos naturais fizerem parte da rotina, maiores serão as chances de garantir energia para brincar, aprender e crescer de forma saudável", explica.
Férias não significam pausa na alimentação saudável
Sem os horários da escola, muitas famílias acabam flexibilizando a rotina alimentar. O café da manhã pode ser substituído por biscoitos, o almoço acontece mais tarde e os lanches industrializados passam a aparecer com mais frequência. Para Eduarda Haack, manter uma organização simples já faz diferença.
"As refeições continuam sendo importantes durante as férias. Quando a criança passa muitas horas sem comer, tende a sentir mais fome e fazer escolhas menos saudáveis. Manter horários aproximados ajuda no controle da saciedade e favorece uma alimentação mais equilibrada". Outro ponto importante é lembrar que brincar também exige energia. Correr, pedalar, jogar bola, nadar ou participar de atividades recreativas aumentam o gasto energético e exigem boa hidratação e refeições nutritivas.
O que não pode faltar no prato?
Uma alimentação equilibrada deve reunir diferentes grupos alimentares ao longo do dia. Frutas, verduras, legumes, arroz, feijão, carnes, ovos, leite e derivados, além de cereais integrais, fornecem proteínas, vitaminas, minerais, fibras e carboidratos importantes para o crescimento, fortalecimento dos ossos, desenvolvimento muscular e funcionamento adequado do organismo. "As proteínas ajudam na formação dos músculos e tecidos. Os carboidratos fornecem energia para as atividades do dia, enquanto frutas, legumes e verduras oferecem vitaminas e minerais essenciais para fortalecer a imunidade e garantir um bom desenvolvimento", destaca a nutricionista.
Lanches práticos também podem ser nutritivos
Nem sempre é preciso recorrer aos alimentos ultraprocessados para oferecer praticidade. Frutas já higienizadas e cortadas, sanduíches preparados com pão integral, queijo branco e frango desfiado, iogurte natural com frutas, castanhas para adolescentes, milho cozido, pipoca feita na panela com pouco óleo e vitaminas de frutas são opções que unem sabor e qualidade nutricional.
A hidratação também merece atenção
"Muitas crianças passam horas brincando e esquecem de beber água. Os pais devem estimular esse hábito ao longo do dia. Água continua sendo a melhor bebida para manter o organismo hidratado", orienta Eduarda Haack.
Participação das crianças faz diferença
Envolver crianças e adolescentes no preparo das refeições pode aumentar o interesse por alimentos saudáveis. Escolher frutas na feira, montar o próprio prato, ajudar a preparar um lanche ou decorar uma salada de frutas são estratégias que estimulam a autonomia e criam uma relação mais positiva com a alimentação. "O objetivo não é proibir doces ou alimentos típicos das férias. O segredo está no equilíbrio. Quando a alimentação saudável faz parte da rotina, há espaço para momentos especiais sem culpa ou exageros", ressalta.
Colaboração: jornalista Jademilson Silva



