Seg, 08 de Junho

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Saúde e bem-estar

Pedra na vesícula: entenda os riscos e os sintomas

Cálculos biliares podem permanecer silenciosos por anos, mas também provocar inflamações graves

Pedras na vesícula: desfecho cirúrgicoPedras na vesícula: desfecho cirúrgico - Canva

Cálculos biliares podem permanecer silenciosos por anos, mas também provocar inflamações graves, pancreatite e emergências cirúrgicas. Saiba como surgem, quais alimentos devem ser evitados e como é a vida após a retirada da vesícula


A recente divulgação de casos de personalidades que precisaram passar por cirurgias de emergência por causa de pedras na vesícula trouxe novamente à discussão um problema bastante comum, mas que muitas vezes permanece silencioso por anos. Embora seja frequentemente associado apenas à dor abdominal, o cálculo biliar pode desencadear complicações potencialmente graves quando não diagnosticado ou tratado adequadamente.

A vesícula biliar é um pequeno órgão localizado abaixo do fígado. Sua principal função é armazenar e concentrar a bile, líquido produzido pelo fígado que participa da digestão das gorduras. Durante as refeições, especialmente quando há ingestão de alimentos gordurosos, a vesícula se contrai e libera a bile para o intestino, facilitando a absorção dos nutrientes. As chamadas pedras na vesícula, ou cálculos biliares, são formações sólidas produzidas pelo acúmulo e cristalização de componentes da bile, principalmente colesterol. Em determinadas situações, ocorre um desequilíbrio na composição desse líquido, favorecendo a formação gradual dessas estruturas.

Fatores - Diversos fatores aumentam o risco de desenvolvimento dos cálculos. Entre os mais conhecidos estão obesidade, excesso de gordura abdominal, diabetes, resistência à insulina, colesterol elevado, sedentarismo, histórico familiar, gestação e idade mais avançada. Curiosamente, dietas extremamente restritivas e perdas rápidas de peso também favorecem o aparecimento das pedras, pois alteram o metabolismo hepático e a dinâmica de esvaziamento da vesícula.

A relação com a saúde metabólica é direta. Pessoas com síndrome metabólica apresentam maior predisposição à formação de cálculos devido às alterações do colesterol, da glicose e do funcionamento do fígado. Por isso, a pedra na vesícula não deve ser vista apenas como um problema localizado, mas muitas vezes como um sinal de desequilíbrio metabólico mais amplo. Nem todas as pessoas apresentam sintomas. Muitas descobrem os cálculos em exames de rotina. Quando surgem manifestações clínicas, a mais comum é a cólica biliar, caracterizada por dor intensa na parte superior direita do abdome, frequentemente após refeições mais gordurosas. Náuseas, vômitos, sensação de estufamento e desconforto digestivo também podem ocorrer.

Durante uma crise, recomenda-se evitar alimentos ricos em gordura, frituras, carnes gordurosas, embutidos, queijos amarelos, molhos industrializados, doces concentrados, preparações muito condimentadas e bebidas alcoólicas. O ideal é optar por refeições leves, com legumes cozidos, frutas, proteínas magras e adequada hidratação. Não existe uma lista universal de alimentos proibidos, mas qualquer refeição que exija intensa liberação de bile pode agravar os sintomas.

Uma das complicações mais preocupantes é a pancreatite aguda biliar. Ela ocorre quando uma pedra migra e obstrui a região onde desembocam os ductos da vesícula e do pâncreas. Nessa situação, as enzimas pancreáticas ficam represadas e iniciam um processo inflamatório que pode ser grave e exigir internação hospitalar.

Intervenção - A cirurgia passa a ser indicada principalmente quando existem sintomas, episódios recorrentes de dor, inflamação da vesícula, presença de cálculos grandes ou complicações associadas. O procedimento mais realizado atualmente é a colecistectomia por videolaparoscopia, considerada segura e com recuperação geralmente rápida. Manter uma vesícula repleta de cálculos pode aumentar o risco de colecistite aguda, infecções, obstruções biliares, pancreatite e, em situações raras, alterações mais graves da própria parede da vesícula. O quadro se torna especialmente preocupante quando há febre, dor intensa persistente, pele amarelada, vômitos contínuos ou sinais de infecção.

Uma dúvida frequente é se é possível viver normalmente sem a vesícula. A resposta é sim. Após a cirurgia, a bile continua sendo produzida pelo fígado. A diferença é que ela deixa de ser armazenada e passa a fluir diretamente para o intestino. A maioria dos pacientes retorna às atividades habituais e mantém uma vida normal, embora alguns necessitem de ajustes alimentares temporários durante a adaptação.

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Acontece

Livro “Crianças Invisíveis” será lançado na OAB/PE
Na rede municipal de ensino do Recife, aproximadamente 10 mil estudantes possuem TEA ou TDAH. Com alertas para as prefeituras se mobilizarem com ações diante desta demanda, o escritor e advogado Inácio Feitosa lança o livro “Crianças Invisíveis”, hoje, às 18h, na sede da OAB-PE.


Jogos internos seguem no Colégio Imaculado Coração de Maria
O Colégio Imaculado Coração de Maria, em Olinda, dá continuidade à programação dos jogos internos, que mobilizam estudantes de diferentes turmas em atividades esportivas e recreativas. A iniciativa integra o calendário escolar e promove a participação dos alunos em modalidades que estimulam a convivência, o trabalho em equipe e o cumprimento de regras. As atividades acontecem ao longo dos próximos dias e envolvem também professores e demais integrantes da comunidade escolar. Segundo a instituição, os jogos fazem parte das ações voltadas ao desenvolvimento dos estudantes por meio do esporte e da prática de atividades físicas.


HOPE Caruaru Shopping inaugura novo centro cirúrgico oftalmológico 
O Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), unidade Caruaru Shopping, inaugurou seu novo centro cirúrgico oftalmológico, planejado estrategicamente para otimizar o fluxo de cirurgias. O espaço possui equipamentos de ponta, iluminação que garante alta visibilidade sem calor excessivo e segue todos os requisitos para garantir a segurança dos pacientes, médicos e equipe técnica. O HOPE Caruaru Shopping está localizado na Av. Adjar da Silva Casé, 800, piso inferior, loja 18. A unidade funciona de segunda a sexta, das 7h às 22h, e aos sábados, das 10h às 22h. O agendamento de consultas e exames pode ser feito pelo telefone (81) 3137-3737.


Meia Maratona Coop abre inscrições para primeira edição no Recife
O Recife receberá, nos dias 28 e 29 de novembro, a primeira edição da Meia Maratona Coop, promovida pela Sicredi Expansão. A arena do evento será instalada no Forte do Brum. A programação contará com prova Kids no dia 28 e, no dia 29, caminhada e corridas nas distâncias de 6 km, 12 km e 21 km. As inscrições estão abertas para todas as modalidades e podem ser realizadas pela plataforma Ticket Sports. Outras informações estão disponíveis no site oficial da Meia Maratona Coop.


Em pauta

Implante dentário no mesmo dia: quando é possível sair do consultório com um novo sorriso?

| Com planejamento digital e critérios clínicos rigorosos, técnica permite a instalação de uma prótese provisória logo após a cirurgia e reduz o tempo sem dente

O cirurgião-dentista William Chaves Neto - Foto: Divulgação


Sair do consultório com o dente reabilitado no mesmo dia da cirurgia já é uma realidade em parte dos tratamentos com implantes dentários. Em casos cuidadosamente selecionados, a técnica conhecida como carga imediata permite a instalação do implante e a adaptação de uma prótese provisória logo após o procedimento, reduzindo o tempo de espera e os impactos funcionais e emocionais causados pela perda dentária.

A técnica, entretanto, não é indicada para todos os pacientes. Sua aplicação depende de uma série de fatores, como qualidade óssea, estabilidade inicial do implante e planejamento pré-operatório detalhado. Segundo o cirurgião-dentista William Chaves Neto, é justamente essa avaliação criteriosa que determina a segurança e o sucesso do tratamento.
“A pergunta que o paciente faz quase sempre é simples: quanto tempo vou ficar sem dente? Quando a carga imediata é possível, essa resposta muda. Ele sai do procedimento com a aparência e a função provisoriamente restabelecidas”, afirma o especialista, que atua há oito anos na área clínica e acadêmica da implantodontia.

O que muda em relação ao protocolo convencional
No protocolo tradicional, o implante passa por um período de osseointegração, processo biológico em que o titânio se integra ao osso. Esse intervalo costuma variar entre três e seis meses antes da instalação da prótese definitiva. Durante esse período, muitos pacientes utilizam próteses removíveis provisórias ou permanecem sem reposição dentária na região tratada. Na carga imediata, a osseointegração continua sendo necessária. A diferença é que a prótese provisória é instalada logo após a cirurgia. O paciente não recebe imediatamente a prótese definitiva, mas uma estrutura temporária capaz de devolver estética e função enquanto ocorre a integração entre implante e osso.

Para que isso aconteça de forma segura, o implante precisa apresentar estabilidade suficiente logo após sua instalação. Essa condição é avaliada durante o procedimento por meio de instrumentos específicos que medem a firmeza da fixação óssea. Somente quando os índices atingem os parâmetros exigidos a carga imediata é autorizada. “Não basta o paciente querer fazer carga imediata. A estabilidade do implante no momento da cirurgia é o que autoriza ou contraindica o protocolo. Esse é um critério que não pode ser negociado”, destaca Chaves Neto.

Nem todos os pacientes são candidatos

A indicação também considera condições sistêmicas e comportamentais do paciente. Casos de diabetes descompensado, tabagismo intenso, bruxismo severo, baixa densidade óssea ou necessidade de enxertos podem exigir uma abordagem diferente. Nessas situações, o protocolo convencional muitas vezes representa a alternativa mais segura, permitindo que a cicatrização ocorra antes da instalação da prótese. Estudos científicos vêm demonstrando resultados positivos para a carga imediata quando os critérios de indicação são rigorosamente respeitados. Revisões clínicas mostram que, em condições favoráveis, as taxas de sucesso podem ser semelhantes às observadas nos protocolos convencionais. O fator determinante continua sendo a seleção adequada dos casos.

O papel da tecnologia no planejamento
Os avanços tecnológicos também contribuíram para tornar os tratamentos mais previsíveis. Atualmente, exames de tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT) e softwares específicos de implantodontia permitem visualizar a anatomia óssea em três dimensões e planejar a posição ideal dos implantes antes mesmo da cirurgia. Quando necessário, o planejamento pode ser transferido para o procedimento por meio de guias cirúrgicas, aumentando a precisão da instalação.

“Antes, muitas decisões dependiam exclusivamente da avaliação feita durante a cirurgia. Hoje conseguimos prever melhor a posição, o ângulo e os limites do caso. Isso reduz imprevistos e oferece mais controle ao procedimento”, explica o especialista.

A carga imediata ganhou destaque principalmente nas reabilitações totais, em que poucos implantes sustentam uma prótese fixa de arco completo. No entanto, a técnica também pode ser aplicada em implantes unitários, desde que as condições clínicas sejam favoráveis.

Rapidez não significa simplificação
Para William Chaves Neto, a tecnologia ampliou as possibilidades da implantodontia, mas também reforçou a necessidade de planejamento e responsabilidade profissional.
Segundo ele, recursos digitais não substituem diagnóstico, experiência clínica nem critérios técnicos bem definidos.

]“A tecnologia ajuda muito, mas não corrige uma indicação errada. Um planejamento ruim feito em um software sofisticado continua sendo um planejamento ruim”, afirma.

Na prática, o principal benefício para o paciente é a redução do tempo entre a cirurgia e a recuperação da estética do sorriso. Ainda assim, o especialista ressalta que a rapidez não deve ser confundida com simplificação do tratamento.

“Carga imediata não é atalho. É um protocolo técnico. Quando bem indicada, melhora significativamente a experiência do paciente. Quando mal indicada, pode comprometer todo o tratamento”, conclui.


Colaboração: Jornalista Jademilson Silva
 

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