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Saúde e bem-estar

Resistência à insulina: o inimigo silencioso que esgota o pâncreas antes do diabetes aparecer

Durante muito tempo, o pâncreas foi lembrado apenas quando surgia o diagnóstico de diabetes

A hiperinsulinemia pode ser entendida como uma fase silenciosa de esforço máximo do pâncreasA hiperinsulinemia pode ser entendida como uma fase silenciosa de esforço máximo do pâncreas - Canva

Durante muito tempo, o pâncreas foi lembrado apenas quando surgia o diagnóstico de diabetes. No entanto, a ciência metabólica tem mostrado que o problema começa muito antes. Existe um processo silencioso, progressivo e altamente influenciado pelo estilo de vida moderno que coloca o órgão sob pressão constante: a resistência à insulina


Em termos simples, a insulina é o hormônio responsável por permitir que a glicose entre nas células para ser usada como energia. Quando o organismo passa a responder menos a esse hormônio, o pâncreas precisa trabalhar cada vez mais para produzir quantidades maiores de insulina e manter a glicose dentro da normalidade. É nesse ponto que começa um ciclo de sobrecarga que pode durar anos sem gerar sintomas claros.

A alimentação contemporânea mudou drasticamente nas últimas décadas. Bebidas açucaradas, farinhas refinadas, ultraprocessados e refeições altamente palatáveis passaram a fazer parte da rotina diária. O resultado é uma sucessão de picos de glicose ao longo do dia. A cada pico glicêmico, o pâncreas precisa liberar insulina. O problema não está em produzir insulina ocasionalmente, mas sim em fazê-lo repetidas vezes, todos os dias, por anos. Esse padrão contínuo leva a um estado chamado hiperinsulinemia crônica, caracterizado por níveis persistentemente elevados do hormônio circulante. Com o tempo, as células tornam-se menos sensíveis à ação da insulina. Para compensar essa resistência, o pâncreas responde produzindo ainda mais hormônio. É um mecanismo de adaptação que, inicialmente, funciona bem. A glicose permanece aparentemente normal e os exames de rotina muitas vezes não revelam o problema. Porém, o custo metabólico dessa compensação é alto.

A hiperinsulinemia pode ser entendida como uma fase silenciosa de esforço máximo do pâncreas. O órgão entra em um modo de produção intensiva para manter o equilíbrio glicêmico. Durante anos, ele consegue sustentar essa demanda sem que o indivíduo perceba qualquer alteração relevante. Nesse período, entretanto, surgem sinais indiretos de que algo não está funcionando bem. Aumento da gordura abdominal, dificuldade para perder peso, fome frequente, compulsão por doces, sonolência após as refeições e alterações discretas em exames laboratoriais são pistas comuns desse processo. Gradualmente, as células beta pancreáticas começam a perder eficiência. Esse fenômeno é conhecido como exaustão pancreática. Quando a capacidade de produção de insulina já não consegue compensar a resistência periférica, a glicose começa a subir. Surge então o pré-diabetes.

Do pré-diabetes ao diabetes tipo 2 - O pré-diabetes representa um estágio intermediário, no qual a glicose já se encontra acima do ideal, mas ainda não atingiu níveis diagnósticos de diabetes. É um momento decisivo, pois indica que o pâncreas está chegando ao limite da sua capacidade de compensação. Se o processo não for interrompido, a progressão para o diabetes tipo 2 torna-se altamente provável. Nesse estágio, o pâncreas já não consegue manter a produção adequada de insulina frente à resistência instalada. O que levou anos para se desenvolver torna-se finalmente visível nos exames. É importante destacar que o diabetes tipo 2 não surge de forma abrupta. Ele é, na maioria das vezes, o desfecho de um desgaste metabólico prolongado, impulsionado por hábitos alimentares inadequados, sedentarismo, privação de sono e estresse crônico.

A resistência à insulina pode ser considerada uma das principais consequências do ambiente alimentar atual. A combinação de excesso calórico, baixa qualidade nutricional e estímulos constantes ao consumo cria um cenário de hiperestimulação metabólica contínua. Esse processo não depende apenas do consumo de açúcar isoladamente. A soma de ultraprocessados, bebidas calóricas, refeições frequentes e baixa ingestão de fibras contribui para manter o organismo em estado permanente de produção de insulina. Ao contrário do que se imagina, o problema não começa quando a glicose sobe. Ele começa quando o pâncreas precisa trabalhar mais do que deveria, por tempo demais, sem descanso metabólico adequado.

Reversibilidade - A resistência à insulina pode ser revertida, especialmente nas fases iniciais. Mudanças no padrão alimentar, aumento da ingestão de alimentos naturais, prática regular de atividade física, melhora do sono e controle do estresse reduzem a necessidade de produção constante de insulina. Quando o estímulo metabólico diminui, o pâncreas pode recuperar parte de sua função e eficiência. Por isso, a identificação precoce da resistência à insulina representa uma oportunidade valiosa de prevenção. O desafio atual da medicina metabólica é reconhecer o desgaste antes que ele se torne irreversível. Afinal, o diabetes não surge de um dia para o outro. Ele é, na maioria das vezes, a etapa final de um processo silencioso que poderia ter sido interrompido muito antes.

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Acontece

FPS e IMIP promovem campanha gratuita contra automedicação no Recife

A Faculdade Pernambucana de Saúde e o Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira realizam, hoje,, das 8h às 12h, na Praça da Santa do IMIP, a 15ª Campanha de Incentivo ao Uso Racional de Medicamentos, com atendimentos gratuitos, orientações farmacêuticas, verificação de glicemia, aferição de pressão, cálculo de IMC e ponto de descarte correto de remédios vencidos; a ação alerta para os riscos da automedicação prática já adotada por cerca de 77% dos brasileiros segundo o Conselho Federal de Farmácia e reforça a importância do acompanhamento profissional para evitar intoxicações, interações medicamentosas perigosas e agravamento de doenças.


Exames de Asma gratuitos

Na Semana de Atenção à Asma, a Rede Ális, liderada por Waldemir Antunes Neto, faz campanha nas suas quatro unidades de saúde: Ilha do Leite, Piedade, Caruaru e Cabo de Santo Agostinho. No Cabo, a ação acontece no momento de reinauguração da clínica, que passa a contar com uma melhoria na estrutura dos consultórios, recepção e salas de teste. A unidade conta com alergologistas, otorrinolaringologistas, pneumologistas e dermatologistas que participam da campanha “Respirar não pode esperar”, com a oferta de exames gratuitos das 8h às 16h, até sexta-feira (08).


Em Pauta

TDAH na vitrine: especialistas alertaram para riscos de banalização do diagnóstico em encontro médico no Recife
| Evento reuniu neurologistas para discutir o crescimento dos diagnósticos, a importância da avaliação criteriosa e os desafios de acesso ao tratamento no Brasil

Neurologistas: Rubens Wajnsztejn e Renato Arruda - Foto: Divulgalção


O aumento dos diagnósticos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade provocou um debate cada vez mais presente entre especialistas. A visibilidade ampliou o acesso à informação e ao tratamento, mas também levantou questionamentos sobre interpretações superficiais e diagnósticos imprecisos. Esse cenário norteou o encontro TDAH na Vitrine: Moda ou Diagnóstico, realizado no Recife e voltado a médicos e profissionais da saúde. O evento integra uma série nacional de discussões sobre o transtorno e reuniu especialistas para analisar avanços científicos, desafios de diagnóstico e a necessidade de ampliar o debate qualificado sobre o tema.

Avanços científicos e crescimento dos diagnósticos
A ampliação do conhecimento científico foi apontada como um dos principais fatores para o aumento do número de diagnósticos. O neurologista infantil Rubens Wajnsztejn destacou que a evolução dos critérios diagnósticos e o avanço das pesquisas, especialmente na área genética, permitiram uma identificação mais precisa do transtorno. Segundo ele, o TDAH é um distúrbio de origem neurobiológica e genética. Com o progresso da ciência e a maior divulgação de informações, mais pessoas passaram a reconhecer sintomas e buscar avaliação especializada. Esse movimento contribuiu para ampliar o acesso ao tratamento e melhorar o prognóstico dos pacientes. O especialista ressaltou que a disseminação de conhecimento tem impacto direto na qualidade de vida dos pacientes. Ao compreender que o transtorno pode ser tratado, famílias e adultos passaram a procurar ajuda com maior frequência, o que elevou a percepção pública sobre o tema.

Diagnóstico ainda enfrenta desigualdades no Brasil
Apesar dos avanços, o cenário brasileiro apresenta desafios importantes. Wajnsztejn destacou a dificuldade de acesso a especialistas em diversas regiões do país, o que compromete a qualidade do diagnóstico. Ele relatou experiências em municípios onde a rede de saúde contava com poucos profissionais, o que dificultava avaliações completas. Essa realidade contribuiu tanto para casos não identificados quanto para diagnósticos realizados sem a profundidade necessária. O especialista afirmou que a desigualdade na assistência impactou diretamente a identificação do transtorno e reforçou a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso a equipes multidisciplinares.

Tratamento exige abordagem integrada
Outro ponto enfatizado foi que o tratamento do TDAH não se resume ao uso de medicamentos. Wajnsztejn explicou que a abordagem precisa envolver escola, família, ambiente de trabalho e profissionais de saúde. A intervenção medicamentosa é importante, mas não funciona de forma isolada. O especialista reforçou que não existe solução única ou imediata. O tratamento exige integração entre diferentes áreas para alcançar resultados consistentes. Ele destacou que a ideia de uma solução rápida ou de uma pílula capaz de resolver todas as dificuldades não corresponde à realidade clínica. A evolução depende da articulação entre terapias, adaptação do ambiente e orientação adequada.

Preconceito e dúvidas sobre medicação
A discussão também abordou o estigma relacionado ao uso de medicamentos. Wajnsztejn explicou que ainda existe resistência quando o tratamento envolve medicação para condições neurobiológicas. Segundo ele, a ausência de exames laboratoriais capazes de confirmar o transtorno gera dúvidas em parte da população. Diferentemente de outras condições médicas, o TDAH não possui marcador biológico direto, o que dificulta a compreensão pública sobre a necessidade do tratamento. Essa lacuna contribuiu para a perpetuação de preconceitos e reforçou a importância de informação qualificada para reduzir barreiras ao cuidado.

Autismo e debates sobre classificação diagnóstica
Durante o encontro, o neurologista também abordou discussões atuais sobre o Transtorno do Espectro Autista. Ele explicou que o conceito de espectro foi criado para simplificar a classificação diagnóstica, mas passou a ser questionado por especialistas. A amplitude do termo pode gerar interpretações equivocadas e agrupar perfis muito distintos sob a mesma nomenclatura. Segundo Wajnsztejn, esse debate ocorre em diversos países e pode resultar em mudanças futuras na forma de classificação. Ele ressaltou que a discussão envolve impactos sociais, educacionais e terapêuticos, especialmente na distribuição de recursos e no acesso a tratamentos.

Informação como ferramenta de cuidado
Os especialistas concordaram que a informação qualificada é essencial para equilibrar conscientização e precisão diagnóstica. O crescimento do debate público foi considerado positivo, mas exige responsabilidade na divulgação de conteúdos. A gerente de produtos SNC da Cellera Farma, Erika Inacio, afirmou que a iniciativa buscou estimular uma conversa baseada em evidências científicas e contribuir para decisões mais seguras na prática clínica. A proposta do encontro foi fortalecer o diálogo entre profissionais e ampliar a compreensão sobre o transtorno, diferenciando informação confiável de interpretações simplificadas.

O que é o TDAH
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que pode afetar crianças, adolescentes e adultos. O diagnóstico é clínico e envolve múltiplos critérios, o que reforça a importância do acompanhamento por profissionais qualificados.
O consenso entre especialistas apontou que a prática clínica baseada em evidências continua sendo o caminho mais seguro para garantir diagnóstico preciso, tratamento adequado e melhor qualidade de vida para os pacientes.

Sobre a Cellera Farma
A Cellera Farma é uma indústria farmacêutica brasileira dedicada ao desenvolvimento, licenciamento e comercialização de medicamentos, suplementos e produtos voltados à saúde. Com sede em Indaiatuba, a empresa atua por meio de parcerias estratégicas com laboratórios nacionais e internacionais, com foco na ampliação do acesso a tratamentos de qualidade.


Seu Direito

Paciente ganha mais direitos e protagonismo no cuidado da saúde
| Para a advogada Larissa Carrazzoni, garantir que o Estatuto dos Direitos do Paciente saia do papel exige capacitação e mudança de cultura dos serviços médicos e dos pacientes

A advogada Larissa Carrazzoni - Foto: Divulgação


Quem nunca saiu de uma consulta sem entender o diagnóstico, assinou um papel sem ler ou esperou horas sem qualquer explicação? No último dia 6 de \bril, essa realidade mudou para os brasileiros, pois o país ganhou sua primeira lei voltada exclusivamente para os direitos de quem está do outro lado do estetoscópio. Batizada de  Estatuto dos Direitos do Paciente, a Lei 15.378 levou quase dez anos de tramitação e vale para serviços públicos e privados. “Pela norma, o paciente deixa de ser receptor passivo e passa a assumir mais protagonismo no próprio cuidado”, explica a advogada Larissa Carrazzoni, da Carrazzoni e Campêlo Advocacia.

Pelo estatuto, o consentimento informado tem definição legal clara: manifestação de vontade livre de coerção ou influência, após informações completas sobre diagnóstico, riscos e alternativas. “Assinar sem entender não satisfaz a lei e o paciente pode retirar esse consentimento a qualquer momento, exceto quando inconsciente em risco de morte”, destaca a advogada. Já para o médico, o consentimento autoriza a aceitar um procedimento, mas não o obriga a realizar intervenções sem indicação clínica. A autonomia do paciente não suprime a responsabilidade profissional.

Um dos avanços mais sensíveis é a regulamentação das diretivas antecipadas de vontade (DAV). Antes mencionadas por normas éticas e interpretações jurídicas, ganham previsão em lei. Segundo Larissa, o paciente registra, por escrito, quais tratamentos aceita ou recusa, caso não possa mais se expressar. ”Essa vontade obriga profissionais e familiares e só o próprio paciente, enquanto consciente, pode revogá-la. Quando há pressão familiar contrária, recomenda-se registro em prontuário e pode ser acionado o Comitê de Bioética  como suporte institucional”, explica a legista. A lei também garante o direito de indicar um representante para decidir em nome do paciente, se ele estiver impossibilitado e de buscar segunda opinião médica em qualquer fase do cuidado.

O estatuto garante ainda confidencialidade das informações de saúde mesmo após a morte, exceto nas situações previstas em lei. A revelação a terceiros não autorizados, incluindo cônjuge e filhos, exige consentimento expresso do paciente ou determinação legal. “Esse direito se materializa no termo de confidencialidade familiar. Sem autorização do próprio paciente, a família não tem acesso automático às informações clínicas”, afirma Larissa


ACOMPANHAMENTO JURÍDICO - Com a norma em vigor, faz-se necessário um acompanhamento mais direto, inclusive jurídico, para garantir que a lei está sendo aplicada, fazendo jus à autonomia do paciente, ao consentimento informado, às diretivas antecipadas de vontade, ao acesso à informação, à segurança do paciente, à confidencialidade de dados e à participação ativa nas decisões sobre o próprio cuidado. “Esse conjunto de garantias não existe de forma isolada. Envolve bioética, Lei Geral de Proteção de Dados, inteligência artificial e outras legislações que convergem sobre a prática clínica do dia a dia”, comenta Larissa.

Na realidade dos consultórios e hospitais, as repercussões são imediatas. “Gravar uma consulta sem o conhecimento do paciente, por exemplo, viola diretamente o direito à privacidade e ao consentimento informado; usar inteligência artificial para processar dados sem consentimento expresso agrava a infração; e entregar documentos com informações incorretas e sensíveis configura violação ao dever de veracidade, podendo causar dano concreto, com responsabilização nos âmbitos ético, civil e penal, além do enquadramento por vazamento de dado sensível de saúde”, detalha a advogada. 

Para Larissa, a implementação não será simples no Brasil, onde o SUS atende a maioria da população e filas longas ainda são realidade. “Garantir que esses direitos saiam do papel exige capacitação de equipes e mudança de cultura dos serviços e dos próprios pacientes. O nosso país chega tarde. Chile, Argentina e Portugal já têm marcos semelhantes há anos. Mas, com o estatuto sancionado, se dá um passo concreto rumo a um sistema onde o paciente não é apenas tratado, mas ouvido”, comenta. 

Serviço:
Carrazzoni e Campêlo Advocacia
@carrazzoniecampeloadv

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